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	<title>Dr. Rosinha - deputado federal - PT Paraná &#187; DR. ROSINHA</title>
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	<description>Página do deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR). Notícias diárias do mandato, artigos semanais, agenda de atividades, entre outras informações.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 02 Feb 2012 18:59:33 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Tirar a máscara</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 14:36:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[DR. ROSINHA]]></category>

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		<description><![CDATA[Andando pelas ruas e pra&#231;as, notamos a presen&#231;a de velhinhos sossegados e bonach&#245;es que caminham devagar, com cara de boa gente e jeito de consci&#234;ncia tranquila. &#160; Parecem carregar o peso do tempo nas costas e nenhum peso no cora&#231;&#227;o ou esp&#237;rito. Esta mesma sensa&#231;&#227;o tenho, &#224;s vezes, ao ver filmes e fotos, em revistas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Andando pelas ruas e pra&ccedil;as, notamos a presen&ccedil;a de velhinhos sossegados e bonach&otilde;es que caminham devagar, com cara de boa gente e jeito de consci&ecirc;ncia tranquila.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Parecem carregar o peso do tempo nas costas e nenhum peso no cora&ccedil;&atilde;o ou esp&iacute;rito. Esta mesma sensa&ccedil;&atilde;o tenho, &agrave;s vezes, ao ver filmes e fotos, em revistas ou jornais, de senhores idosos.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">O caro leitor ou cara leitora deve ter observado que escrevo este artigo com os personagens no masculino. N&atilde;o citei as velhinhas com cara de gente bondosa, pois de uma maneira geral elas s&atilde;o bondosas. Ou estou enganado?</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Alguns fatos:</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><b><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">1.</span></b><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;"> O Jornal &ldquo;P&aacute;gina 12&rdquo;, da Argentina, em sua edi&ccedil;&atilde;o de 7 de outubro de 2011, traz na p&aacute;gina 3 a foto de dois velhinhos com a cara que descrevi acima, por&eacute;m a manchete tira a m&aacute;scara: &ldquo;C&aacute;rcel com&uacute;m para los asesinos de Paco Urondo&rdquo;. Francisco (Paco) Urondo foi um poeta argentino assassinado pela ditadura argentina em 17 de junho de 1976. Com essas condena&ccedil;&otilde;es, chegava-se, naquela data, a 240 condenados por crimes (torturas, viola&ccedil;&otilde;es, estupros, desaparecimento, sequestro e assassinatos) cometidos durante a ditadura argentina contra militantes pol&iacute;ticos. Todos os ditadores argentinos foram condenados. A ditadura Argentina foi uma das piores do mundo. Estima-se que funcionaram 600 centros de deten&ccedil;&atilde;o por onde passaram, segundo os defensores dos direitos humanos, cerca de 30 mil presos.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><b><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">2.</span></b><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;"> Durante a d&eacute;cada de 1970 e in&iacute;cio da de 1980, constantemente v&iacute;amos o rosto (asqueroso) do ditador do Chile, general Augusto Pinochet, com os olhos cobertos por &oacute;culos de lente escura. Passada a ditadura, a imprensa aliada ao ditador e seus familiares mostravam um idoso senhor de rosto cansado e doentio, com um aspecto de dar pena. Era, sem d&uacute;vida nenhuma, uma m&aacute;scara. Segundo estimativas oficiais chilenas, foram 3.197 mortos ou desaparecidos. As For&ccedil;as Armadas relataram num informe que 200 pessoas foram jogadas no Pac&iacute;fico, em rios e lagos no Chile; 1.198 homens e mulheres foram sepultados em locais ignorados. Durante a ditadura chilena foram presos e reconhecidos como torturados 27.255 pessoas.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><b><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">3. </span></b><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Em novembro passado, foram condenados cinco militares uruguaios pela morte de Mar&iacute;a Claudia de Gelman, nora do poeta argentino Juan Gelman, em 1976. Mar&iacute;a Gelman estava gr&aacute;vida quando foi sequestrada junto com seu marido e transferida, pela Opera&ccedil;&atilde;o Condor, para Montevid&eacute;u. Continua desaparecida at&eacute; hoje. Organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos acreditam que h&aacute; cerca de 200 pessoas desaparecidas desde a ditadura no Uruguai. Muitos deles sequestrados na Argentina pela Opera&ccedil;&atilde;o Condor.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><b><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">4. </span></b><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">A ditadura chilena durou 17 anos. A uruguaia, 12. A argentina, 7. E a nossa (brasileira), 21 anos, se considerada de 1964 a 1985. H&aacute; os que a consideram at&eacute; a Constituinte de 1988. De qualquer maneira, foi a mais longa de todas e at&eacute; o momento a que menos avan&ccedil;ou no rumo do reconhecimento &agrave;s suas v&iacute;timas e seus familiares.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><b><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">5. </span></b><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">No Brasil, s&oacute; agora, no final do ano passado (2011), a presidenta Dilma sancionou a lei da Comiss&atilde;o da Verdade, que tem o objetivo (e espero que o cumpra) de investigar os crimes cometidos pela ditadura militar.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Esta comiss&atilde;o tem o curto prazo de dois anos para investigar os crimes da ditadura. Mas, caso este prazo seja curto, o que impede a cria&ccedil;&atilde;o de outra Comiss&atilde;o da Verdade? </span><span lang="ES-TRAD" style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">O Chile j&aacute; est&aacute; na sua quarta.</span></div>
<div><span lang="ES-TRAD" style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span lang="ES-TRAD" style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&ldquo;As&iacute; nos es dado ver a muchos viejos que casi no hablan y todo el tiempo parecen mirar a lo lejos, cuando en realidad miran hacia dentro, hacia lo m&aacute;s profundo de su memoria&rdquo; (&ldquo;La resistencia&rdquo;, Ernesto Sabato).</span></div>
<div><span lang="ES-TRAD" style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Ser&aacute; que os ditadores, militares, policiais e civis que direta ou indiretamente torturaram, sequestraram, desapareceram e assassinaram pessoas no Brasil conseguem nesta olhada para dentro de si, no mais profundo de sua mem&oacute;ria, identificar sua culpa?</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Como conseguem caminhar pelas ruas e pra&ccedil;as de nosso pa&iacute;s com o peso que carregam na alma? At&eacute; quando v&atilde;o se postar de velhinhos bonach&otilde;es e av&ocirc;s bondosos e exemplares? &Eacute; preciso tirar a m&aacute;scara.</span></div>
<div>
	&nbsp;</div>
<div><span style="font-size:10pt"><font><b><br />
	</b></font></span></div>
<div><span style="font-size:10pt"><font><b><br />
	</b></font></span></div>
<div><span style="font-size:10pt"><font><b>Dr. Rosinha,</b> m&eacute;dico pediatra, &eacute; deputado federal (PT-PR) e ex-presidente do Parlamento do Mercosul.</font></span></div>
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		<title>Sabor do gosto puro</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 14:35:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[DR. ROSINHA]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;En tiempos de globalizaci&#243;n. En tiempos de crisis alimentaria. En tiempos sin tradici&#243;n. Quebr&#243; Mcdonald&#8217;s&#8221;. &#201; assim que come&#231;a o filme-document&#225;rio &#8220;Por que quebr&#243; Mcdonalds &#8211; Un recorrido por la comida boliviana&#8221;. Li a boa noticia que o Mcdonald&#8217;s quebrou na Bol&#237;via no final do ano passado, mais especificamente no dia 30 de dezembro. Quando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>&ldquo;En tiempos de globalizaci&oacute;n. En tiempos de crisis alimentaria. En tiempos sin tradici&oacute;n. Quebr&oacute; Mcdonald&rsquo;s&rdquo;. &Eacute; assim que come&ccedil;a o filme-document&aacute;rio &ldquo;Por que quebr&oacute; Mcdonalds &ndash; Un recorrido por la comida boliviana&rdquo;.</p>
<p>	Li a boa noticia que o Mcdonald&rsquo;s quebrou na Bol&iacute;via no final do ano passado, mais especificamente no dia 30 de dezembro. Quando digo boa noticia n&atilde;o &eacute; no sentido de que a rede vai deixar de ganhar um pouco mais de dinheiro, ou que o modelo de fast-food esteja em descenso, ou ainda que o capitalismo sai perdendo, mas sim no sentido do que representa para a cultura.</p>
<p>	Os bolivianos s&atilde;o um dos poucos povos no mundo que, consciente ou inconscientemente, defende sua cultura (l&iacute;ngua, m&uacute;sica, costumes, alimenta&ccedil;&atilde;o, etc.). &Eacute; a vit&oacute;ria da cultura local que quebra o Mcdonald&rsquo;s.</p>
<p>	O document&aacute;rio inicia com imagens do altiplano andino e, em seguida, de La Paz, tendo ao fundo a m&uacute;sica tradicional (zampo&ntilde;a, flauta, charrango e batidas de seus tambores). Parte do document&aacute;rio mostra tamb&eacute;m a dan&ccedil;a e a festa tradicional.</p>
<p>	No apanhado geral das ruas, s&atilde;o mostradas muitas tendas e barracas vendendo comida pronta para ser consumida. Mostra tamb&eacute;m tendas e barracas, bem como sobre panos estendidos nas ruas e cal&ccedil;adas, verduras, frutas e legumes ao natural, tamb&eacute;m para serem vendidos.</p>
<p>	Entre os muitos produtos, a batata tem uma forte presen&ccedil;a. A mesma presen&ccedil;a que o Mcdonald&rsquo;s procurou dar na sua propaganda (pelo menos &eacute; o que mostra o document&aacute;rio), por&eacute;m a prepara&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; a mesma. O Mcdonald&rsquo;s a prepara com o seu m&eacute;todo mundial, e o povo boliviano consome ao seu modo e ao seu jeito, fruto de uma cultura de mil&ecirc;nios.</p>
<p>	A batata (milhares de esp&eacute;cies) &eacute; origin&aacute;ria do altiplano andino. Restos de batatas encontradas em cavernas na regi&atilde;o costeira do Peru foram reconhecidos com sendo de 8 mil anos antes de Cristo, e que no m&iacute;nimo h&aacute; 7 mil anos a.C. j&aacute; era consumida como alimenta&ccedil;&atilde;o humana.</p>
<p>	Pois bem, esta cultura de produ&ccedil;&atilde;o, armazenamento e consumo que os povos bolivianos preservam h&aacute; mil&ecirc;nios &eacute; uma das raz&otilde;es da negativa em consumir as batatas do mais &ldquo;famoso e favorito&rdquo; restaurante do mundo. O Mcdonald&rsquo;s foi derrotado por n&atilde;o compreender a l&iacute;ngua, m&uacute;sica, dan&ccedil;a e a cultura alimentar. &Eacute; esta resist&ecirc;ncia cultural que me deixou feliz.</p>
<p>	No document&aacute;rio, claro que &eacute; imposs&iacute;vel perceber, mas para aqueles que l&aacute; estiveram (estive mais de meia d&uacute;zia de vezes) sabem que muitas das ruas de La Paz cheiram &agrave; comida. S&atilde;o in&uacute;meras as barracas ou feiras que vendem comidas preparadas nas ruas.</p>
<p>	Na hora do almo&ccedil;o, &eacute; grande a presen&ccedil;a de pessoas se alimentando nestes locais. &Eacute; maior o n&uacute;mero de pessoas comendo nas ruas do que muitos, sen&atilde;o todos, restaurantes da cidade. A comida da rua tem um cheiro (bom) que desperta o apetite.</p>
<p>	A cozinha boliviana &eacute; pouco conhecida de quem n&atilde;o vive l&aacute;, mas &ldquo;&#8230;es una cocina de sabores intensos, de fuertes contrastes y de vibrante energia que brota del coraz&oacute;n de nuestras monta&ntilde;as&rdquo;, define Rita Del Solar no document&aacute;rio.</p>
<p>	Aqueles que frequentam o Mcdonald&rsquo;s no mundo sabem que ele se apropria da cultura alimentar da regi&atilde;o, e assim fez na Bol&iacute;via. Mesmo tendo se apropriado de parte da culin&aacute;ria boliviana e absorvido no seu card&aacute;pio musical os melhores conjuntos locais (ao vivo), n&atilde;o conseguiu conquistar o cora&ccedil;&atilde;o, a mente e o est&ocirc;mago do boliviano. N&atilde;o conseguiu isto nem em Santa Cruz de la Sierra, a mais branca das cidades.</p>
<p>	O Mcdonald&rsquo;s fechou todos os oito restaurantes nas tr&ecirc;s cidades mais importantes do pa&iacute;s: Cochabamba, La Paz e Santa Cruz de la Sierra.</p>
<p>	A Bol&iacute;via ser&aacute; o primeiro pa&iacute;s latino-americano a ficar sem o Mcdonald&rsquo;s, e o primeiro pa&iacute;s do mundo onde a empresa fecha por levar preju&iacute;zo. Fechou por n&atilde;o conhecer e n&atilde;o respeitar a cultura de um povo.</p>
<p>	O &ldquo;restaurante mais famoso do mundo&rdquo;, o &ldquo;restaurante favorito de todas as fam&iacute;lias do mundo&rdquo;, como se auto define o Mcdonald&rsquo;s na sua propaganda, quebrou na Bol&iacute;via.</p>
<p>	Quebrou por que n&atilde;o soube interpretar o pa&iacute;s onde &ldquo;a terra concentra o sabor do gosto puro&rdquo;, conforme trecho da trilha sonora do document&aacute;rio.<br />
	&nbsp;</div>
<div><span style="font-size:10pt"><font><b><br />
	</b></font></span></div>
<div><span style="font-size:10pt"><font><b><br />
	</b></font></span></div>
<div><span style="font-size:10pt"><font><b>Dr. Rosinha,</b> m&eacute;dico pediatra, &eacute; deputado federal (PT-PR) e ex-presidente do Parlamento do Mercosul.</font></span></div>
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		<title>Infinitamente longo</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 14:35:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[DR. ROSINHA]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao celebrar seus 80 anos, em setembro de 2010, a sueca Anita Ekberg, atriz e &#237;cone do cinema, admitiu em uma entrevista que se sentia &#8220;um pouco sozinha&#8221;. Disse, na ocasi&#227;o, ao jornal italiano &#8220;Corriere della Sera&#8221;, que &#8220;os dias s&#227;o infinitamente longos&#8221;. &#160; Aqueles jovens que n&#227;o t&#234;m no cinema nenhuma refer&#234;ncia hist&#243;rica n&#227;o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Ao celebrar seus 80 anos, em setembro de 2010, a sueca Anita Ekberg, atriz e &iacute;cone do cinema, admitiu em uma entrevista que se sentia &ldquo;um pouco sozinha&rdquo;. Disse, na ocasi&atilde;o, ao jornal italiano &ldquo;Corriere della Sera&rdquo;, que &ldquo;os dias s&atilde;o infinitamente longos&rdquo;.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Aqueles jovens que n&atilde;o t&ecirc;m no cinema nenhuma refer&ecirc;ncia hist&oacute;rica n&atilde;o conheceram e nem conhecem a bela e formosa Ekberg. Ela marcou hist&oacute;ria no cinema.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">No filme &ldquo;A Doce Vida&rdquo; (dirigido por Fellini em 1960), atuou com Marcello Mastroianni. Agora, envelhecida e esquecida, vive num asilo perto de Roma.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Termino de ler a not&iacute;cia acima e me ponho a pensar nas a&ccedil;&otilde;es do tempo. N&atilde;o sei se a palavra correta &eacute; dizer que ele &eacute; ingrato. Ao mesmo tempo em que&nbsp; nos aperfei&ccedil;oa, nos destr&oacute;i.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Aperfei&ccedil;oa o pensamento ao aumentar o discernimento (experi&ecirc;ncia) intelectual, e fisicamente nos destr&oacute;i. Enquanto o pensamento se torna mais &aacute;gil, aumentando a capacidade de decis&atilde;o, possibilitando mais acertos que erros, o corpo vai te limitando.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">O corpo n&atilde;o obedece &agrave;s ordens da mente. Pensa em sair correndo, por&eacute;m o corpo n&atilde;o obedece: d&aacute; &ldquo;meia d&uacute;zia&rdquo; de passos e o corpo pede para parar e sentar. V&ecirc; uma fruta numa &aacute;rvore e pensa em colh&ecirc;-la, por&eacute;m com que f&iacute;sico subir na mangueira?</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">No final do ano que terminou, ouvi mais de uma pessoa falar frases como essas: &ldquo;este ano o tempo correu&rdquo;, &ldquo;nem come&ccedil;ou o ano parece que terminou&rdquo;, &ldquo;o ano que passou foi vapt-vupt&rdquo;, &ldquo;foi t&atilde;o r&aacute;pido o tempo que n&atilde;o consegui fazer o que queria&rdquo;, e assim por diante.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Ouvi isso de pessoas com mais de 40 anos de idade. Dos jovens n&atilde;o ouvi nenhuma men&ccedil;&atilde;o de que o tempo passou r&aacute;pido. Assim notamos que o tempo &eacute; o mesmo, por&eacute;m a velocidade com que passa para uns n&atilde;o &eacute; a mesma com que passa para outros.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Se estiver solitariamente numa institui&ccedil;&atilde;o asilar, o tempo &eacute; &ldquo;infinitamente longo&rdquo;.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">A velocidade com que ele passa depende de onde esteja. As horas passam na mesma cad&ecirc;ncia enquanto o tempo varia de acordo com a pressa e lugar. Uma hora pode se tornar um dia. Um dia, alguns segundos.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">H&aacute; tamb&eacute;m o tempo de fatos n&atilde;o desejados. S&atilde;o os tempos de dores e estes momentos &ldquo;s&atilde;o infinitos&rdquo;, mesmo que durem algumas horas ou menos.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Quanto mais velho, mais corre o tempo. Quando novo, o tempo &eacute; mais lento e, se crian&ccedil;a, o tempo &eacute; infinito. &Eacute; o infinito tempo de brincar, comer, dormir, acordar e brincar novamente.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Para muitas crian&ccedil;as, entra o maltrato. Estas, quando ganham a consci&ecirc;ncia, n&atilde;o veem o tempo (momento) de crescer e ir embora de casa.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">O tempo &eacute; tamb&eacute;m infinitamente longo para muitos idosos e, para estes, n&atilde;o mais adianta sair de casa. N&atilde;o d&aacute; para fugir do tempo. Para qualquer lugar que v&aacute;, o final &eacute; o mesmo: &eacute; o tempo de espera e este ser&aacute; sempre infinitamente longo.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Na doen&ccedil;a, o tempo &eacute; lento e, se tiver numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ele se torna &ldquo;infinitamente longo&rdquo;.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Na UTI, j&aacute; estive como m&eacute;dico, acompanhante e paciente. Nos tr&ecirc;s casos, o tempo n&atilde;o &eacute; o mesmo. Como m&eacute;dico, o tempo passa mais r&aacute;pido. J&aacute; nas duas outras condi&ccedil;&otilde;es, o tempo se alonga ao &ldquo;infinito&rdquo;.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Na &uacute;ltima vez em que estive na UTI (h&aacute; menos de dois meses) como paciente (j&aacute; estive quatro vezes nos &uacute;ltimos cinco anos), confirmei as impress&otilde;es anteriores: o tempo se mostra terr&iacute;vel, dif&iacute;cil e lento. Se em consci&ecirc;ncia, n&atilde;o tem o que fazer.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Todas as vezes em que se est&aacute; na UTI, procura-se ocupar o tempo com qualquer e m&iacute;nima coisa. Nesta &uacute;ltima vez, fiquei de frente para o rel&oacute;gio pendurado na parede.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Voc&ecirc; imagina tudo, at&eacute; o rel&oacute;gio derretendo, como no quadro de Salvador Dal&iacute;. Fiquei olhando para o rel&oacute;gio na parede. Estavam l&aacute; os tr&ecirc;s ponteiros: o da hora, o dos minutos e o dos segundos.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">N&atilde;o tendo o que fazer, comecei a contar quantos &lsquo;pulinhos&rsquo; dava o ponteiro dos segundos em um minuto. Contei uma, duas, tr&ecirc;s&#8230; oito vezes. Sempre deu 60 &lsquo;pulinhos&rsquo;.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Conclui que o rel&oacute;gio estava bem regulado, pois dava um &lsquo;pulinho&rsquo; por segundo. Depois arrumei outra coisa para me distrair. Coisas banais, como tentar, de dentro da UTI, ouvir um p&aacute;ssaro cantar. N&atilde;o consegui. Para quem est&aacute; dentro de uma UTI, at&eacute; os p&aacute;ssaros fazem sil&ecirc;ncio.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Estou em f&eacute;rias: vou ver &ldquo;A Doce Vida&rdquo;, de Fellini. Relembrar a diva Anita Ekberg. Relembrar um tempo passado.</span></div>
<div>&nbsp;</div>
<div><span style="font-size:10pt"><font><b><br />
	</b></font></span></div>
<div><span style="font-size:10pt"><font><b><br />
	</b></font></span></div>
<div><span style="font-size:10pt"><font><b>Dr. Rosinha,</b> m&eacute;dico pediatra, &eacute; deputado federal (PT-PR) e ex-presidente do Parlamento do Mercosul.</font></span></div>
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		<title>Verdade absoluta</title>
		<link>http://drrosinha.com.br/verdade-absoluta/</link>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 14:33:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[DR. ROSINHA]]></category>

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		<description><![CDATA[Os donos da verdade absoluta condenam aquilo que vai contra a sua verdade. Por exemplo, condenam a homossexualidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><i><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&#8211; Espere, Tet&eacute;. Vamos ver se nos ajuda a dirimir uma d&uacute;vida. O doutor Parmentier acha que os negros s&atilde;o t&atilde;o humanos quanto os brancos, e eu afirmo ao contr&aacute;rio. O que voc&ecirc; acha? &#8212; Perguntou-lhe Valmorain<span>&nbsp; </span>[...]</span></i></div>
<div><i><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Ela permaneceu muda, com os olhos no ch&atilde;o e as m&atilde;os juntas.</span></i></div>
<div><i><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&#8211; Vamos Tet&eacute;. Responda sem medo. Estou esperando&#8230;</span></i></div>
<div><i><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&#8211; O senhor sempre tem raz&atilde;o &#8212; murmurou ela, por fim.</span></i></div>
<div><i><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&#8211; Ou seja, na sua opini&atilde;o, os negros n&atilde;o s&atilde;o completamente humanos&#8230;</span></i></div>
<div><i><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&#8211; Um ser que n&atilde;o &eacute; humano n&atilde;o tem opini&atilde;o, senhor.</span></i></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Este di&aacute;logo est&aacute; registrado no romance &ldquo;A Ilha sob o Mar&rdquo;, de Isabel Allende (editora Bertrand Brasil, 2010).</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Tet&eacute; &eacute; o apelido de Zarite, negra e escrava de Valmorain. Toulouse Valmorain, franc&ecirc;s e dono de engenho de a&ccedil;&uacute;car, na segunda metade do s&eacute;culo XIII, em Saint-Domingue, hoje Haiti, defendia a teoria de que os negros n&atilde;o eram humanos.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Essa teoria era verdade absoluta naquele per&iacute;odo para muitos escravocratas franceses, portugueses, espanh&oacute;is, ingleses, etc.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Em todo per&iacute;odo da hist&oacute;ria h&aacute; verdades absolutas para algumas pessoas e institui&ccedil;&otilde;es. Durante a Idade M&eacute;dia, a institui&ccedil;&atilde;o igreja cat&oacute;lica tinha suas verdades absolutas no campo da &eacute;tica, da justi&ccedil;a e da moral. Quem contrariasse tais verdades era julgado pela Santa Inquisi&ccedil;&atilde;o e corria o risco de ser condenado ou condenada &agrave; masmorra e/ou &agrave; fogueira.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Um dos resultados da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa foi a Declara&ccedil;&atilde;o dos Direitos do Homem e do Cidad&atilde;o, aprovada em outubro de 1789, que n&atilde;o vigorou de imediato em Saint-Domingue. Zarite e tantos outros negros continuaram escravos. Portanto, n&atilde;o humanos. </span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">A Declara&ccedil;&atilde;o dos Direitos do Homem e do Cidad&atilde;o tem 17 artigos. Entre eles, os seguintes:</span> &quot;<i><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Art. 1&ordm;. Os homens nascem e s&atilde;o livres e iguais em direitos. [...] Art. 4&ordm;. A liberdade consiste em poder fazer tudo que n&atilde;o prejudique o pr&oacute;ximo [...] Art. 5.&ordm; A lei n&atilde;o pro&iacute;be sen&atilde;o as a&ccedil;&otilde;es nocivas &agrave; sociedade [...]&quot; </span></i></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div>&nbsp;</div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Deveria valer para a Fran&ccedil;a e suas col&ocirc;nias, mas, na &eacute;poca, mesmo n&atilde;o alterando profundamente a realidade francesa e de suas col&ocirc;nias, influenciou a elabora&ccedil;&atilde;o de leis no mundo todo.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Com a Declara&ccedil;&atilde;o dos Direitos Humanos pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, muitos imaginaram que qualquer pessoa passaria a gozar destes direitos e a ser tratada como ser humano.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Humano, dono de seu corpo, como rege o artigo 1&ordm;: <i>&ldquo;</i><span style=""><i>Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. S&atilde;o dotadas de raz&atilde;o&nbsp; e consci&ecirc;ncia e devem agir em rela&ccedil;&atilde;o umas &agrave;s outras com esp&iacute;rito de fraternidade&rdquo;</i> (10 de dezembro de 1948).</span></span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Esp&iacute;rito de fraternidade &eacute; justamente o que falta a muitos que se declaram crist&atilde;os e se consideram donos da verdade absoluta.</span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;"><br />
	</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">No Brasil, desde a campanha eleitoral de 2010, essa situa&ccedil;&atilde;o tem se revelado de maneira criminosa. Os donos da verdade absoluta condenam aquilo que vai contra a sua verdade. Por exemplo, condenam a homossexualidade.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Com isso, ignoram o ser humano, a fraternidade e o artigo 1&deg; da Declara&ccedil;&atilde;o dos Direitos do Homem: &ldquo;A liberdade consiste em poder fazer tudo que n&atilde;o prejudique o pr&oacute;ximo&rdquo;.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Escrevo este artigo no &uacute;ltimo dia 29 de dezembro de 2011, ao tomar conhecimento de que a poss&iacute;vel contrata&ccedil;&atilde;o do atleta Richarlyson, ex-S&atilde;o Paulo, pelo Palmeiras causou revolta entre seus torcedores.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Santos (de santo de altar) torcedores, donos da verdade, condenaram &agrave; fogueira o Richarlyson. Ali&aacute;s, condena&ccedil;&atilde;o esta que come&ccedil;ou em 2007, pelo juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho, ao arquivar a queixa crime formulada por Richarlyson contra Jos&eacute; Cirillo Jr., ent&atilde;o diretor do Palmeiras, que insinuou que o jogador era gay.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Estes &ldquo;santos de meia tigela&rdquo;, como dizia minha av&oacute;, iniciaram, via twitter, uma onda de rejei&ccedil;&atilde;o e amea&ccedil;a de agress&atilde;o, inclusive f&iacute;sica, a Richarlyson.</span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;"><br />
	</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Afirma o manifesto de um grupo de santos que a &ldquo;resist&ecirc;ncia da torcida n&atilde;o vem do fato estrito de Richarlyson ser supostamente gay, mas pelos trejeitos com que o atleta se manifesta publicamente. &ldquo;Ricky&rdquo; &eacute; muito afeminado e jogou por muito tempo no inimigo&rdquo;. Preconceito puro.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Durante um jantar no Palestra It&aacute;lia, representantes da organizada Mancha Verde exigiram a desist&ecirc;ncia do neg&oacute;cio e garantiram que agrediriam Richarlyson e que ele &ldquo;nem sairia do aeroporto&rdquo;.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Os dirigentes do Palmeiras, ao inv&eacute;s de enfrentar o preconceito, negam a contrata&ccedil;&atilde;o do atleta. Essa negativa &eacute; preconceituosa, assim j&aacute; provou seu antigo diretor Jos&eacute; Cirillo, e alimenta o preconceito.<a name="1349faab0b131605_1348f0009f3fcab9_article"></a></span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">A verdade absoluta de alguns (muitos) no s&eacute;culo XII negava o humano direito aos negros. Hoje, muitos desses humanos direitos s&atilde;o negados aos homossexuais.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Se dependesse desses &ldquo;humanistas&rdquo; (que se dizem crist&atilde;os), os homossexuais seriam condenados &agrave; masmorra ou &agrave; fogueira.</span></div>
<div>&nbsp;</div>
<div>&nbsp;</div>
<p>&nbsp;</p>
<div><span class="texto_barra_lateral_esquerda"><span class="post" id="post-7625"><span class="entry"><span class="post" id="post-7625"><span style="font-size:10pt"><font><b>Dr. Rosinha,</b> m&eacute;dico pediatra, &eacute; deputado federal (PT-PR) e ex-presidente do Parlamento do Mercosul.</font></span></span></span></span></span></div>
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		<title>Comprar, comprar e comprar</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 14:33:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[DR. ROSINHA]]></category>

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		<description><![CDATA[Pelas origens, condi&#231;&#245;es econ&#244;micas e valores de vida, n&#243;s, crian&#231;as no final da d&#233;cada de 1950 e in&#237;cio da de 1960, principalmente as do sitio, t&#237;nhamos poucos brinquedos. A maioria deles era constru&#237;da por nossos pais ou, usando toda a criatividade infantil, por n&#243;s mesmos. &#160; Fa&#231;o essa observa&#231;&#227;o ao notar que hoje, no dia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Pelas origens, condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e valores de vida, n&oacute;s, crian&ccedil;as no final da d&eacute;cada de 1950 e in&iacute;cio da de 1960, principalmente as do sitio, t&iacute;nhamos poucos brinquedos. A maioria deles era constru&iacute;da por nossos pais ou, usando toda a criatividade infantil, por n&oacute;s mesmos.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Fa&ccedil;o essa observa&ccedil;&atilde;o ao notar que hoje, no dia de Natal e no Dia das Crian&ccedil;as, h&aacute; um consumo acr&iacute;tico.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Havia pouco di&aacute;logo entre pai e filho sobre as dificuldades econ&ocirc;micas e, mesmo assim, n&atilde;o sei a raz&atilde;o, havia uma certa &ldquo;consci&ecirc;ncia&rdquo; infantil de que n&atilde;o era poss&iacute;vel ter muitas coisas.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Provavelmente, ajudava a formar essa &ldquo;consci&ecirc;ncia&rdquo; o fato de n&atilde;o termos acesso ao com&eacute;rcio e o pr&oacute;prio esp&iacute;rito e ideologia da &eacute;poca, de consumir pouco. Todas as fam&iacute;lias, com raras exce&ccedil;&otilde;es, consumiam menos que hoje.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Corroborava com isto o n&atilde;o acesso &agrave; TV. Os reclames (era assim que se falava) dos produtos e mercadorias veiculados nas r&aacute;dios eram modestos. Ao contr&aacute;rio de hoje, quando na TV se v&ecirc; o objeto, na &eacute;poca era preciso imaginar o produto. E sabe como &eacute;, aquilo que o olho n&atilde;o v&ecirc;, o bolso n&atilde;o sente.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">H&aacute; v&aacute;rias raz&otilde;es para o consumismo acr&iacute;tico. Muitos dos pais de hoje entendem que, na inf&acirc;ncia, tiveram priva&ccedil;&otilde;es, entre elas ter poucos brinquedos. N&atilde;o querem o mesmo para o filho ou filha, assim nunca dizem &ldquo;n&atilde;o&rdquo;, e passam a comprar tudo o que imaginam importante para eles.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">A chamada vida moderna tirou o campo de futebol (da v&aacute;rzea), a reuni&atilde;o em fam&iacute;lia, a pra&ccedil;a e o jardim como lazer e divertimento das fam&iacute;lias e colocou os shoppings como o local do entretenimento. Passaram a ser, para muitos, o principal local de passeio. O capitalismo conseguiu fazer do passeio um mecanismo de consumo, para adultos e crian&ccedil;as.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">A vida moderna tamb&eacute;m leva o pai e a m&atilde;e a se ausentar do dia a dia da crian&ccedil;a. Essa aus&ecirc;ncia limita ou diminui a rela&ccedil;&atilde;o entre pais e filhos. Muitas vezes a aten&ccedil;&atilde;o, afeto, carinho e amor que n&atilde;o recebem dos pais s&atilde;o substitu&iacute;dos por brinquedos. O amor &eacute; substitu&iacute;do pelo consumo.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">A propaganda, antes, por v&aacute;rias raz&otilde;es, tinha acesso restrito. Hoje, &eacute; aberta para todas as classes sociais e faixas et&aacute;rias. Este acesso acr&iacute;tico faz da crian&ccedil;a uma inconsciente consumidora. Ela passa a exigir o que v&ecirc; e, muitas vezes, a exig&ecirc;ncia &eacute; feita atrav&eacute;s da chantagem: s&oacute; atender&aacute; a determinados pedidos se ganhar algo em troca: brinquedos ou outra coisa qualquer que viu na TV.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Nestas datas festivas, as av&oacute;s, av&ocirc;s, pais e m&atilde;es n&atilde;o conversam entre si para dar um &uacute;nico ou poucos presentes. Ao contr&aacute;rio, competem entre si para ver quem vai dar o melhor e o mais caro presente &agrave; crian&ccedil;a. Isto alimenta na crian&ccedil;a a ideia de que o importante &eacute; ter.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Quando crian&ccedil;a, ter muitos presentes. Quando adulto, por consequ&ecirc;ncia, ter muitas coisas. Criam a ideologia de que o importante &eacute; consumir, ou seja, comprar, comprar e comprar.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Nenhuma crian&ccedil;a nasce com a ideia de que o importante &eacute; ter muitos e diversos brinquedos. Essa ideia &eacute; introjetada nas crian&ccedil;as pelos adultos. Desejam eles a felicidade da crian&ccedil;a, mas podem, com tal pratica, construir o inverso. Criam nas crian&ccedil;as a ideia de que tudo podem ter e que tudo que t&ecirc;m &eacute; pouco. Na &acirc;nsia de ter mais, acabam infelizes.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">A mudan&ccedil;a desta situa&ccedil;&atilde;o passa pela constru&ccedil;&atilde;o de homens e mulheres conscientes e cr&iacute;ticos, e depende basicamente da fam&iacute;lia e da escola. Tanto um como o outro podem ajudar a combater esse consumismo, criando outros valores.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Mas elas est&atilde;o preparadas para isso, quando os educadores e educadoras fazem parte da sociedade e vivem muitas vezes a mesma situa&ccedil;&atilde;o na pr&oacute;pria fam&iacute;lia?</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">N&atilde;o conhe&ccedil;o o processo educacional e a did&aacute;tica, mas acredito que s&atilde;o poucas as escolas p&uacute;blicas e privadas preparadas para lidar com este tipo de &ldquo;consumidor&rdquo;.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">N&atilde;o tenho receitas, mas com as crian&ccedil;as menores o uso coletivo de brinquedos e as brincadeiras coletivas podem ajudar a construir a crian&ccedil;a e o futuro adulto solid&aacute;rio. Com as crian&ccedil;as maiores, construir a ideia de que o importante &eacute; ser e n&atilde;o do ter.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Quando o pai e a m&atilde;e s&oacute; dizem &ldquo;sim&rdquo;, a escola teria que dizer &ldquo;n&atilde;o&rdquo;. Consegue?</span></div>
<div>&nbsp;</div>
<div><span style="font-size:10pt"><font><b><br />
	</b></font></span></div>
<div><span style="font-size:10pt"><font><b><br />
	</b></font></span></div>
<div><span style="font-size:10pt"><font><b>Dr. Rosinha,</b> m&eacute;dico pediatra, &eacute; deputado federal (PT-PR) e ex-presidente do Parlamento do Mercosul.</font></span></div>
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		<title>A nudez da cidade</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Dec 2011 11:08:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[DR. ROSINHA]]></category>

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		<description><![CDATA[A cidade (Curitiba) est&#225; nua ou seminua. Cheguei a esta conclus&#227;o esta manh&#227; ao caminhar: poucos carros, pouco com&#233;rcio aberto, enfim, pouco movimento. A cidade com pouca gente e pouco carro fica como que sem roupas, mostrando o que tem em suas entranhas. Imagino que, quanto maior a cidade, pior devem ser suas entranhas. Se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A cidade (Curitiba) est&aacute; nua ou seminua. Cheguei a esta conclus&atilde;o esta manh&atilde; ao caminhar: poucos carros, pouco com&eacute;rcio aberto, enfim, pouco movimento. A cidade com pouca gente e pouco carro fica como que sem roupas, mostrando o que tem em suas entranhas.</p>
<p>	Imagino que, quanto maior a cidade, pior devem ser suas entranhas. Se nem toda cidade tem entranhas desconhecidas ou mal cuidadas ou mesmo estarrecedoras, parte delas tem. H&aacute; regi&otilde;es em Curitiba que as entranhas s&atilde;o estarrecedoras, &eacute; onde impera a ordem do crime. Alguns negam, mas existem. Existe at&eacute; toque de recolher feito pelo crime organizado.</p>
<p>	Se h&aacute; muita gente na rua n&atilde;o se observa, ou se nota menos a exist&ecirc;ncia de moradores de rua. Com poucas pessoas nas ruas, como hoje (24 de dezembro), chamam a aten&ccedil;&atilde;o os poucos, que &agrave;s vezes s&atilde;o muitos (caso de Curitiba) moradores de rua que est&atilde;o caminhando, deitados debaixo de marquises, pra&ccedil;as ou jardins.</p>
<p>	Geralmente, as pessoas desviam deles, mas hoje, sem a polui&ccedil;&atilde;o dos dias normais, &eacute; poss&iacute;vel sentir seus odores de homens e mulheres que n&atilde;o, ou pouco, se banham.</p>
<p>	Nem bem sa&iacute; de casa, observo a mag&eacute;rrima figura de uma mulher que, com cabelo despenteado e descal&ccedil;a, caminha com relativa rapidez. Dou-lhe bom dia. Ela n&atilde;o responde.</p>
<p>	Como pode ter um bom dia quem vive na rua? E &eacute; v&eacute;spera de natal. J&aacute; na avenida Sete de Setembro, um homem, imposs&iacute;vel pelo odor (n&atilde;o &eacute; preconceito) caminhar atr&aacute;s dele com o vento a favor, dava bom dia a todos e desejava: &ldquo;feliz natal, doutor&rdquo;. Todos (os poucos) que ele encontrava chamava de doutor.</p>
<p>	De repente, ele notou a aus&ecirc;ncia de seu cachorro e passou a cham&aacute;-lo. Alegre e radiante, o cachorro aparece, todo molhado. Tinha entrado no quintal do escrit&oacute;rio de uma construtora e se banhado na fonte do jardim. Saiu se abanando e espirrando &aacute;gua para os lados. Se soubesse rir, deveria estar rindo.</p>
<p>	Com a seminudez da cidade, &eacute; poss&iacute;vel observar que s&atilde;o muitos os cachorros na rua hoje. &Eacute; quase meio a meio os acompanhados de seus donos e donas, que insistem em conversar com os mesmos, e aqueles outros que, livres, &ldquo;abandonados&rdquo; e alegres, correm.</p>
<p>	Quais deles s&atilde;o mais felizes: os que, &ldquo;abandonados&rdquo;, correm em liberdade, ou aqueles cujo dono ou dona n&atilde;o para de falar? Inclusive vi um cujo dono indicava a &aacute;rvore em que ele deveria urinar. Oh, infelicidade, deve exclamar o cachorro.</p>
<p>	Com a cidade seminua, tamb&eacute;m se observa uma grande quantidade de galhos de &aacute;rvores e arbustos, e muitos m&oacute;veis velhos que foram jogados das casas. Nas cal&ccedil;adas, temos que desviar destes galhos e sujeiras de jardim.</p>
<p>	Tamb&eacute;m encontramos prateleiras, mesas, guarda roupas e todo e qualquer tipo de trecos esperando que algum catador de material recicl&aacute;vel ou que a limpeza p&uacute;blica leve. A maioria destes m&oacute;veis est&aacute; imprest&aacute;vel e corro&iacute;do de cupim.</p>
<p>	A nudez da cidade revela a mudan&ccedil;a de odor. Com movimento dos dias agitados, ela cheira &agrave; combust&atilde;o de &aacute;lcool, diesel e gasolina. Com menor n&uacute;mero de ve&iacute;culos nas ruas, o cheiro muda e fica mais presente o cheiro dos esgotos. H&aacute; ruas ou mesmo parques como o Barigui em que h&aacute; trechos que fedem.</p>
<p>	N&atilde;o h&aacute; outra palavra para isto: &eacute; fedor. Cito o Barigui porque na antev&eacute;spera do natal fui caminhar naquele parque e, junto comigo, foi o Edinho, meu vizinho, menino de dez anos.</p>
<p>	Num dado momento, ele tapou o nariz e disse: &ldquo;que fed&ocirc;&rdquo;.</p>
<p>	Mas n&atilde;o foi s&oacute; isso: com a diminui&ccedil;&atilde;o do movimento de gente e de carros, melhor se v&ecirc; e melhor se ouve os p&aacute;ssaros. Vale caminhar todos os dias, mas nos dias de pouco movimento, a nudez da cidade te d&aacute; mais tranquilidade.</p>
<p>	Escrevo isso de Curitiba porque &eacute; aqui que vivo, mas ser&aacute; que Foz do Igua&ccedil;u &eacute; diferente? Tem ela entranhas com cheiros, cachorros, moradores de rua e p&aacute;ssaros?</p>
<p>	Acredito que tenha, &eacute; s&oacute; caminhar pela cidade com os olhos nus, num dia em que ela esteja nua e depois me conte se h&aacute; entranhas e como elas s&atilde;o.</p>
<p>	Feliz 2012.</p>
<p><span style="font-size:10pt"><font><b>Dr. Rosinha,</b> m&eacute;dico pediatra, &eacute; deputado federal (PT-PR) e ex-presidente do Parlamento do Mercosul.</font></span></p>
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		<title>Coração “cabisbaixo”</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 12:44:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[DR. ROSINHA]]></category>

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		<description><![CDATA[Magro, alto, um andar elegante e esbelto. O rosto, na sua juventude, era de uma estranha e rara beleza. N&#227;o era bonito para um padr&#227;o de beleza do &#8220;tudo em cima&#8221;. Mas era bom e fazia bonito por baixo. N&#227;o entenda mal. &#160; J&#225; mais recentemente, com a idade um pouco avan&#231;ada, era um rosto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Magro, alto, um andar elegante e esbelto. O rosto, na sua juventude, era de uma estranha e rara beleza. N&atilde;o era bonito para um padr&atilde;o de beleza do &ldquo;tudo em cima&rdquo;. Mas era bom e fazia bonito por baixo. N&atilde;o entenda mal.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">J&aacute; mais recentemente, com a idade um pouco avan&ccedil;ada, era um rosto triste (eu o via assim), com alguns rasgos de beleza e alegria, principalmente quando falava de futebol e pol&iacute;tica.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Magro e alto, parecia ter a cabe&ccedil;a nas nuvens, e, &agrave;s vezes, tinha. N&atilde;o s&oacute; a cabe&ccedil;a, tinha tamb&eacute;m os p&eacute;s nas nuvens. Parecia ter os p&eacute;s nas nuvens quando corria/flutuava com agilidade e a bola nos p&eacute;s. Que o diga o advers&aacute;rio.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Pior, &agrave;s vezes ele corria para frente e, sem que o advers&aacute;rio compreendesse, a bola, bem, a bola tomava outro rumo pelo simples toque de seu calcanhar. N&atilde;o se sabe se era mais perigoso correndo ou parado com a bola nos p&eacute;s.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Ele se livrava da bola e do advers&aacute;rio com seu famoso toque de calcanhar. Era o famoso calcanhar do magro, ou melhor, do Magr&atilde;o. Ele ficava, a bola corria e o advers&aacute;rio se perdia. Era por baixo que o Magr&atilde;o fazia a sua beleza, correndo ou parado, com a bola no p&eacute;.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Comigo, a ressaca, a tristeza e at&eacute; a alegria &agrave;s vezes v&ecirc;m atrasado. Primeiro, o choque. Tempos depois, &agrave;s vezes n&atilde;o imediatamente, a resposta. A morte de certas pessoas ou certas situa&ccedil;&otilde;es fazem isso. Sabia que o Magr&atilde;o estava doente e novamente hospitalizado, mas o n&atilde;o querer que o pior aconte&ccedil;a desvia o pensamento para o sonho: o dia que veria o Magr&atilde;o, mais uma vez sorrindo, saindo do hospital.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">E j&aacute; na semana seguinte lendo-o na Carta Capital. Essa era a minha espera e, com essa esperan&ccedil;a, deitei-me no &uacute;ltimo dia 4 e fui dormir. No dia seguinte, um telefonema me desperta para a realidade: S&oacute;crates morreu. A not&iacute;cia foi como um sopapo. No momento, o choque. Depois, a ressaca.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">A resposta a esta noticia est&aacute; vindo somente agora, dias depois, e vem com o cora&ccedil;&atilde;o &ldquo;cabisbaixo&rdquo; de tristeza e uma sensa&ccedil;&atilde;o de algo enroscado na garganta. Ser&aacute; que n&atilde;o &eacute; uma bola que, de calcanhar, o S&oacute;crates me empurra goela abaixo?</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">N&atilde;o sou corintiano. J&aacute; torci pelo Santos, mas, no momento, n&atilde;o tor&ccedil;o para ningu&eacute;m. Gosto de futebol e de ver bons jogadores. Como sou um ser pol&iacute;tico, gosto ainda mais de jogadores que participam, contestando a pol&iacute;tica tradicional e lutando por mudan&ccedil;as.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Verdade que houve poucos, e aqui lembro alguns da minha gera&ccedil;&atilde;o, como Afonsinho (tamb&eacute;m m&eacute;dico), Reinaldo e Vladimir. S&oacute;crates era um desses.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Ao contr&aacute;rio da maioria dos jogadores de hoje, que iniciam cedo, S&oacute;crates dedicou-se ao futebol profissional a partir dos 24 anos de idade. Antes, procurou formar-se m&eacute;dico. N&atilde;o tinha o preparo f&iacute;sico exigido, tanto pelo in&iacute;cio tardio da carreira, bem como por fumar e beber.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Portanto era um craque por natureza, como algu&eacute;m definiu: &ldquo;seu talento foi um presente divino&rdquo;.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Paulo Nogueira informa que a r&aacute;dio BBC tratou-o como um dos maiores jogadores da hist&oacute;ria e diz que ele parecia ter uma &ldquo;vis&atilde;o telep&aacute;tica&rdquo;. Ser&aacute; que a sua eleg&acirc;ncia f&iacute;sica e a eleg&acirc;ncia de suas jogadas de calcanhar n&atilde;o eram fruto mesmo de uma vis&atilde;o telep&aacute;tica que ele nuca quis nos revelar?</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">N&atilde;o s&oacute; os corintianos e os chamados amantes do futebol est&atilde;o ainda de luto pela morte de S&oacute;crates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira ou, simplesmente S&oacute;crates, Doutor ou Magr&atilde;o. Tamb&eacute;m continuo de luto e com o cora&ccedil;&atilde;o &ldquo;cabisbaixo&rdquo;.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Paulo Nogueira, num artigo no &ldquo;Di&aacute;rio do Centro do Mundo&rdquo;, de 5 de dezembro, escreve: &ldquo;Os ingleses trocaram o minuto de sil&ecirc;ncio por um minuto de aplausos nas homenagens aos mortos nos est&aacute;dios. Neste final de semana, sob forte emo&ccedil;&atilde;o, o &iacute;dolo Gary Speedo foi aplaudido em todos campos brit&acirc;nicos, depois de ter se matado aos 42 anos. Penso aqui comigo, a 10.000 quil&ocirc;metros, que cairiam melhor para S&oacute;crates, o Magro, o Magr&atilde;o, o Doutor, o g&ecirc;nio dos passos de calcanhar, o homem que parecia ter inumer&aacute;veis olhos ao jogar, os aplausos, e n&atilde;o o sil&ecirc;ncio, e n&atilde;o um minuto, mas uma hora, v&aacute;rias horas &mdash;horas intermin&aacute;veis de aplausos para o craque que tinha os p&eacute;s no ch&atilde;o e parecia ter a cabe&ccedil;a, sempre erguida, no c&eacute;u&rdquo;.</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">Assino com o Paulo Nogueira.</span></div>
<div>&nbsp;</div>
<div><span style="font-size:10pt"><font><b><br />
	</b></font></span></div>
<div><span style="font-size:10pt"><font><b><br />
	</b></font></span></div>
<div><span style="font-size:10pt"><font><b>Dr. Rosinha,</b> m&eacute;dico pediatra, &eacute; deputado federal (PT-PR) e ex-presidente do Parlamento do Mercosul.</font></span></div>
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		<title>Pirraça</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Dec 2011 12:55:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[DR. ROSINHA]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;O homem &#233; um pirracento&#8221;. Estava sentado, dentro do avi&#227;o, quando ouvi esta frase da senhora na poltrona ao lado. Era uma senhora de origem nip&#244;nica, de idade entre 60 e 70 anos, imagino. Nos japoneses e africanos, bem como seus descendentes, &#233; dif&#237;cil, pelo aspecto f&#237;sico, afirmar a idade. Como se diz, eles enganam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">&ldquo;O homem &eacute; um pirracento&rdquo;. Estava sentado, dentro do avi&atilde;o, quando ouvi esta frase da senhora na poltrona ao lado. Era uma senhora de origem nip&ocirc;nica, de idade entre 60 e 70 anos, imagino. Nos japoneses e africanos, bem como seus descendentes, &eacute; dif&iacute;cil, pelo aspecto f&iacute;sico, afirmar a idade. Como se diz, eles enganam bem, ou seja, sempre parecem mais novos.</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">A frase veio de uma brasileira, mas, naquele momento, e por sair da boca de uma mulher de origem nip&ocirc;nica, me soou estranho. Aqui em Curitiba pouco se ouve, ali&aacute;s, n&atilde;o me recordo de ter ouvido alguma vez a palavra &ldquo;pirracento&rdquo;. Por isso, a estranheza.</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">No interior, n&atilde;o sei se ainda se ouve, mas se ouvia muito, principalmente na ro&ccedil;a. Quando crian&ccedil;a, cansei de ouvir, dirigida para mim ou para outras crian&ccedil;as, a frase ou mesmo o grito: &ldquo;pare de fazer pirra&ccedil;a&rdquo; ou &ldquo;n&atilde;o seja pirracento&rdquo;.</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">&ldquo;Pirracento&rdquo; vem de pirra&ccedil;a, que significa aborrecimento, teimosia, birra, afronta, desfeita, desconsidera&ccedil;&atilde;o, coisas que crian&ccedil;as sabem fazer. Houaiss informa que a origem da palavra &eacute; obscura e que Ant&ocirc;nio Geraldo da Cunha (AGC) e Jos&eacute; Pedro Machado (JM) sugerem &ldquo;talvez esteja por <i>perra&ccedil;a, de perro&rdquo;.</i> Perro &eacute; cachorro em castelhano. Alguns diriam &ldquo;em espanhol&rdquo;.</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">Caso eu fosse minimamente conhecedor das origens da l&iacute;ngua, faria um artigo sobre este tema. Os lingu&iacute;sticos casti&ccedil;os da l&iacute;ngua castelhana afirmam que o espanhol n&atilde;o existe, e que a l&iacute;ngua falada pelos que nascem na Espanha &eacute; o castelhano. Assim afirmam porque a l&iacute;ngua nasceu na regi&atilde;o de Castilla. Foi a partir desta regi&atilde;o que ocorreu a conquista e a domina&ccedil;&atilde;o de outros povos e regi&otilde;es, vindo a formar Espanha de hoje.</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">Repito: Houaiss afirma que a origem da palavra &eacute; obscura e que AGC e JM sugerem a origem perra&ccedil;a, de perro. Ora, como disse, n&atilde;o sou estudioso do castelhano, mas a letra &ldquo;<b>&ccedil;&rdquo;</b> n&atilde;o existe no alfabeto castelhano. Portanto, for&ccedil;ando a barra, poderia afirmar que houve um aportuguesamento da palavra? Existe em castelhano a palavra &ldquo;perraza&rdquo;, que se refere a perro. Estou me perdendo, deixe-me voltar ao tema.</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">Ao ouvir a palavra (pirracento) da boca de uma brasileira de origem nip&ocirc;nica, al&eacute;m da estranheza, me vieram &agrave; mem&oacute;ria meus tempos de prim&aacute;rio numa antiga Escola Rural no munic&iacute;pio de Rol&acirc;ndia.</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">Naquela &eacute;poca, pela idade e pela pouca informa&ccedil;&atilde;o que tinha, tudo era eterno. N&atilde;o tinha, como qualquer crian&ccedil;a n&atilde;o tem, a no&ccedil;&atilde;o de dura&ccedil;&atilde;o das coisas, assim a escola rural em que estudei, que era (naquele momento) eterna, n&atilde;o existe mais.</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">Quando l&aacute; fui alfabetizado, no final da d&eacute;cada de 1950 e in&iacute;cio da de 1960, mais ou menos a metade das crian&ccedil;as era de origem japonesa, e n&oacute;s, das demais origens, como italianos, espanh&oacute;is e &ldquo;brasileiros puros&rdquo;, como eram os filhos migrantes de outras regi&otilde;es (como Minas Gerais, Bahia e Nordeste em geral) do Brasil. Todos &eacute;ramos brasileiros, mas como eles tinham o olho &ldquo;puxado&rdquo;, cham&aacute;vamos de japoneses.</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">Sentado ao lado desta senhora, come&ccedil;o a escrever este artigo/cr&ocirc;nica e fa&ccedil;o algumas anota&ccedil;&otilde;es, como, por exemplo: como eles escreveriam no alfabeto japon&ecirc;s a palavra pirra&ccedil;a? Se &eacute; que a palavra existe por l&aacute;. Os pirracentos sei que existem, como deve existir em qualquer povo. O que deve mudar &eacute; como os pirracentos s&atilde;o tratados.</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">Li uma entrevista, n&atilde;o me lembro onde e nem quando, do Darci Ribeiro, em que ele relata ter assistido a uma cena que aqui resumo: uma mulher ind&iacute;gena estava fazendo canecas de barro. Fazia uma, colocava ao lado e o filho dela quebrava e assim, sucessivamente, quebraram-se dezenas.</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">Darci, n&atilde;o aguentando ver aquilo, perguntou para ela por que ela n&atilde;o dava uma bronca. Ela respondeu que n&atilde;o precisava, pois quando ele cansasse, pararia. Pelo que se v&ecirc;, os &iacute;ndios tratam os pirracentos pelo cansa&ccedil;o.</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">Quando alguns daqueles meus &ldquo;amigos japoneses&rdquo; de escola come&ccedil;avam a aborrecer, teimar, ou fazer birra, como seus pais tratavam? Falavam como faziam os &ldquo;brasileiros&rdquo; com seus filhos: &ldquo;pare de ser pirracento&rdquo; e, se necess&aacute;rio, dava alguns safan&otilde;es.</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">Termino sem saber a origem (etimologia) da palavra pirra&ccedil;a e se ela existe e como se escreve no Jap&atilde;o. Se algu&eacute;m souber, por favor, me avise.</span></div>
<div>&nbsp;</div>
<div><span style="font-size: 10pt;"><font size="2"><b><br />
	</b></font></span></div>
<div><span style="font-size: 10pt;"><font size="2"><b><br />
	</b></font></span></div>
<div><span style="font-size: 10pt;"><font size="2"><b>Dr. Rosinha,</b> m&eacute;dico pediatra, &eacute; deputado federal (PT-PR) e ex-presidente do Parlamento do Mercosul.</font></span></div>
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		<title>Volto cético</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Nov 2011 12:51:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[DR. ROSINHA]]></category>

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		<description><![CDATA[Chego a Bruxelas no domingo (20), dia das elei&#231;&#245;es na Espanha. Esta elei&#231;&#227;o deu a maior vit&#243;ria ao Partido Popular (PP), de direita, desde 1982. Agora, o PP tem o controle absoluto por l&#225;. &#160; A C&#226;mara dos Deputados da Espanha tem 350 cadeiras. E o PP pulou de 154 para 186 parlamentares, uma maioria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span><span><span>Chego a Bruxelas no domingo (20), dia das elei&ccedil;&otilde;es na Espanha. Esta elei&ccedil;&atilde;o deu a maior vit&oacute;ria ao Partido Popular (PP), de direita, desde 1982. Agora, o PP tem o controle absoluto por l&aacute;.</span></span></span></div>
<div><span><span><span>&nbsp;</span></span></span></div>
<div><span><span><span>A C&acirc;mara dos Deputados da Espanha tem 350 cadeiras. E o PP pulou de 154 para 186 parlamentares, uma maioria folgada. J&aacute; o Partido Socialista Oper&aacute;rio Espanhol (PSOE) caiu de 169 para 110 deputados.</span></span></span></div>
<div><span><span><span>&nbsp;</span></span></span></div>
<div><span><span><span>Os socialistas do PSOE perderam, da &uacute;ltima elei&ccedil;&atilde;o para esta, cerca de 4,5 milh&otilde;es de votos. No entanto, o PP s&oacute; cresceu 550 mil votos. Ou seja, o PSOE perdeu para ele mesmo. Para onde foram os votos do PSOE?</span></span></span></div>
<div><span><span><span>&nbsp;</span></span></span></div>
<div><span><span><span>Uma grande parte, por n&atilde;o acreditar mais nos &ldquo;socialistas&rdquo;, n&atilde;o compareceu para votar. Uma pequena parte, 700 mil, votou na Esquerda Unida (IU), que s&oacute; tinha 2 deputados e acabou elegendo 11.</span></span></span></div>
<div><span><span><span>&nbsp;</span></span></span></div>
<div><span><span><span>A contagem final dos votos mostrou uma grande derrota do PSOE, que teve o pior resultado de sua hist&oacute;ria.</span></span></span></div>
<div><span><span><span>&nbsp;</span></span></span></div>
<div><span><span><span>Como imaginava e escrevi no artigo anterior, antes de viajar para Bruxelas, levei na bagagem certo ceticismo. E n&atilde;o deu outra: Os &ldquo;socialistas&rdquo; europeus n&atilde;o fazem a avalia&ccedil;&atilde;o de suas derrotas. Viajei levando ceticismo e voltei c&eacute;tico em rela&ccedil;&atilde;o a esses &ldquo;socialistas&rdquo;.</span></span></span></div>
<div><span><span><span>&nbsp;</span></span></span></div>
<div><span><span><span>Ap&oacute;s quase uma semana de reuni&otilde;es em Bruxelas, tenho a sensa&ccedil;&atilde;o de que pelo menos por uma d&eacute;cada a Europa vai navegar, pol&iacute;tica e economicamente, por mares revoltos. N&atilde;o houve, no encontro Eurolat, como eu esperava, nenhum debate sobre a crise da Uni&atilde;o Europeia, pelo contr&aacute;rio, al&eacute;m de dar a impress&atilde;o que nada est&aacute; ocorrendo, persistem em nos ditar regras. Pior, h&aacute; alguns parlamentares da Am&eacute;rica Latina que aceitam, sem sequer espernear, as ideias &ldquo;socialistas&rdquo; destes partidos.</span></span></span></div>
<div><span><span><span>&nbsp;</span></span></span></div>
<div><span><span><span>O Encontro de Progressistas e Democratas europeus com seus similares da Am&eacute;rica Latina abordou, sem ir ao cerne da quest&atilde;o, timidamente, a crise. O fez, com alguma exce&ccedil;&atilde;o, mais para responder os questionamentos dos latino-americanos que de mote pr&oacute;prio.</span></span></span></div>
<div><span><span><span>&nbsp;</span></span></span></div>
<div><span><span><span>Participei, no dia 25, de uma Conven&ccedil;&atilde;o do Partido Socialista Europeu (PES). Segundo Philip Cordery, secret&aacute;rio-geral do Partido dos Socialistas Europeus, estavam inscritas nesta conven&ccedil;&atilde;o duas mil pessoas.</span></span></span></div>
<div><span><span><span>&nbsp;</span></span></span></div>
<div><span><span><span>Era um f&oacute;rum aberto &agrave; sociedade e cujo objetivo, segundo Cordery, era dar resposta pol&iacute;tica &agrave; crise econ&ocirc;mica. Era para responder &agrave; direita, que avan&ccedil;a na Europa, que quer impor o programa &ldquo;AAA&rdquo;: austeridade, austeridade, austeridade.</span></span></span></div>
<div><span><span><span>&nbsp;</span></span></span></div>
<div><span><span><span>Paul Nyrup Rasmussen, presidente do PES, disse que Angela Merkel e Nicolas Sarkozy d&atilde;o ordens como se a Europa fosse deles, e pergunta: &ldquo;&Eacute; essa a Europa que queremos? Constru&iacute;mos a Europa para eles?&rdquo; N&atilde;o sei se ter&atilde;o a resposta muito em breve.</span></span></span></div>
<div><span><span><span>&nbsp;</span></span></span></div>
<div><span><span><span>E assim foram os pronunciamentos e debates durante o per&iacute;odo em que l&aacute; estive. Os discursos pol&iacute;ticos eram de oposi&ccedil;&atilde;o aos ditames do Fundo Monet&aacute;rio Internacional e do Banco Central Europeu. Mas o que fizeram os &ldquo;socialistas&rsquo; europeus enquanto estiveram no governo?</span></span></span></div>
<div><span><span><span>&nbsp;</span></span></span></div>
<div><span><span><span>Fizeram tudo que o sistema financeiro mandou: austeridade, austeridade, austeridade. Privatizaram, suprimiram empregos no servi&ccedil;o p&uacute;blico, achataram sal&aacute;rios, cortaram direitos de aposentados, ou seja, tudo que a direita faz e o que o &ldquo;senhor depende&rdquo; far&aacute; na Espanha.</span></span></span></div>
<div><span><span><span>&nbsp;</span></span></span></div>
<div><span><span><span>Para quem n&atilde;o leu o artigo anterior, Mariano Rajoy, vencedor das elei&ccedil;&otilde;es na Espanha, &eacute; o &ldquo;senhor depende&rdquo;. Todas as perguntas que lhe s&atilde;o feitas ele responde com um &ldquo;depende da &#8230;&rdquo;.</span></span></span></div>
<div><span><span><span>&nbsp;</span></span></span></div>
<div><span><span><span>Depende do que Angela Merkel, Nicolas Sarkozy, David Cameron, o FMI e os banqueiros mandarem. E eles mandar&atilde;o que continue privatizando, cortando emprego e sal&aacute;rio dos servidores, como est&aacute; ocorrendo em Portugal: corte de dois meses de sal&aacute;rio de seus funcion&aacute;rios.</span></span></span></div>
<div><span><span><span>&nbsp;</span></span></span></div>
<div><span><span><span>Volto c&eacute;tico e n&atilde;o tem como ser diferente. N&atilde;o ouvi nenhuma auto-cr&iacute;tica e o homem mais aplaudido e festejado da conven&ccedil;&atilde;o do PES foi George Papandreou, presidente da Internacional Socialista e que, enquanto governo na Gr&eacute;cia, fez tudo que o sistema financeiro mandou.</span></span></span></div>
<div><span><span><span>&nbsp;</span></span></span></div>
<div><span><span><span>S&oacute; quando sua situa&ccedil;&atilde;o estava insustent&aacute;vel &eacute; que lembrou da exist&ecirc;ncia do povo. Amea&ccedil;ou fazer um plebiscito para medir se o povo aceitava ou n&atilde;o as reformas impostas pela Uni&atilde;o Europeia. Foi apeado do governo por aqueles que mandam: o sistema financeiro.</span></span></span></div>
<div>&nbsp;</div>
<div><span><b><br />
	</b> </span></div>
<div><span><b><br />
	</b> </span></div>
<div><span><b>Dr. Rosinha,</b> m&eacute;dico pediatra, &eacute; deputado federal (PT-PR) e ex-presidente do Parlamento do Mercosul.</span></div>
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		<title>Alguns nada entenderam</title>
		<link>http://drrosinha.com.br/alguns-nada-entenderam/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Nov 2011 12:49:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[DR. ROSINHA]]></category>

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		<description><![CDATA[Para melhorar o SUS, você já foi a alguma conferência local ou municipal de saúde defender os seus direitos e os da sua comunidade?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span>N&atilde;o sou psic&oacute;logo e tampouco estudei qualquer interpreta&ccedil;&atilde;o da letra ou maneira atrav&eacute;s da qual se escreve, seja o texto escrito a m&atilde;o ou o datilografado, agora digitado. Nem sequer li, s&oacute; soube de orelhada que, pelo jeito e maneira com que se escreve, pode-se conhecer a personalidade da pessoa.</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>Foi me dito que aqueles que escrevem em caixa alta (tudo mai&uacute;sculo) &eacute; autorit&aacute;rio. Disseram-me que, n&atilde;o podendo gritar para se fazer ouvido, ou melhor, lido, escreve tudo em mai&uacute;sculo para impor sua vontade. N&atilde;o sei se &eacute; verdade, mas o coment&aacute;rio feito em caixa alta parece gritar, e o grito geralmente se usa quando n&atilde;o se tem raz&atilde;o. Al&eacute;m do que o texto em mai&uacute;scula n&atilde;o fica bem esteticamente. Sei, pode ter agora alguns coment&aacute;rios sobre est&eacute;tica.</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>Mas n&atilde;o &eacute; est&eacute;tica que quero debater, mas responder parte dos coment&aacute;rios do meu &uacute;ltimo artigo, intitulado &ldquo;<a href="http://www.google.com.br/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=dobrem%20a%20l%C3%ADngua%20para%20falar%20do%20sus&amp;source=web&amp;cd=1&amp;ved=0CCcQFjAA&amp;url=http%3A%2F%2Fcongressoemfoco.uol.com.br%2Fopiniao%2Fcolunistas%2Fdobrem-a-lingua-para-falar-do-sus%2F&amp;ei=nC7NTvfHEcaUtweUrKRq&amp;usg=AFQjCNHH4JaOxNOdlLVSMZHrbt19cAdVJQ&amp;cad=rja"><b>Dobrem a l&iacute;ngua parafalar do SUS</b></a>&rdquo;. Alguns n&atilde;o entenderam o que leram ou, se entenderam, n&atilde;o dobraram a l&iacute;ngua (n&atilde;o importa).</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>Outros procuraram, sem me conhecer, atrav&eacute;s do texto, me julgar. Erraram e erraram feio. A estes n&atilde;o responderei ponto a ponto, at&eacute; porque alguns optaram pela baixaria, mas digo: com exce&ccedil;&atilde;o de mim, que, por estar deputado, uso o servi&ccedil;o m&eacute;dico da C&acirc;mara dos Deputados, todos e todas da minha fam&iacute;lia usam o SUS.</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>Agrade&ccedil;o a todos e a todas, que, mesmo de maneira agressiva, interagiram comigo atrav&eacute;s dos coment&aacute;rios, como o Jos&eacute; Carlos Salvagni, que escreve que estou coberto de raz&atilde;o, por&eacute;m coloca um sen&atilde;o. Dentro de seu sen&atilde;o h&aacute; tamb&eacute;m uma exce&ccedil;&atilde;o que ele ignora: alguns daqueles que fizeram cobran&ccedil;a ao Lula para que se tratasse no SUS n&atilde;o o fizeram por querer, como voc&ecirc; quer, melhoria para o SUS, mas foram maledicentes, posso at&eacute; dizer agourentos, nas cobran&ccedil;as.</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>Alguns dos missivistas (pode-se usar esta palavra quando se trata de internet?) relatam dificuldades ou defici&ecirc;ncias para ser atendido por especialistas, internamentos, principalmente em UTIs. Isto tudo &eacute; verdade, mas n&atilde;o &eacute; raz&atilde;o para negar o SUS.</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>&Eacute; sim uma raz&atilde;o a mais para lutar pela melhoria do sistema. Pergunto: voc&ecirc; se mexeu, minimamente, algum dia, para cobrar seus direitos? Para melhorar o SUS, por exemplo, voc&ecirc; j&aacute; foi a alguma confer&ecirc;ncia local ou municipal de sa&uacute;de defender os seus direitos e os da sua comunidade?</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>Tamb&eacute;m aproveito para agradecer. Obrigado, Nina, e parab&eacute;ns pelo seu texto em defesa do SUS. Obrigado Jos&eacute; Lira, Rose, Jorge Vieira pela compreens&atilde;o e defesa do texto e, consequentemente, do SUS.</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>O Jorge Vieira, em seu breve coment&aacute;rio, chama a aten&ccedil;&atilde;o pra duas coisas que eu refor&ccedil;o. Muitos t&ecirc;m os EUA como o ideal de vida e de servi&ccedil;os. Aqueles que atacam o SUS conhecem com funciona a sa&uacute;de p&uacute;blica nos EUA?</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>Outra abordagem dele: por ocasi&atilde;o da vota&ccedil;&atilde;o da CPMF, o Lula assinou o compromisso de colocar toda a arrecada&ccedil;&atilde;o no SUS. A imprensa, empres&aacute;rios e oposi&ccedil;&atilde;o (PSDB, DEM e PPS) derrotaram a proposta. Isto significa que, desde o fim da CPMF at&eacute; o final deste ano, s&atilde;o mais de 160 bilh&otilde;es de reais que deixaram de ir para o SUS. Argumento deles: o tributo encarecia as mercadorias, principalmente a comida. Com o fim da CPMF, alguma coisa diminuiu de pre&ccedil;o?</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>Todos excomungaram a carga tribut&aacute;ria, que, sem d&uacute;vida nenhuma, &eacute; alta para os que vivem de sal&aacute;rios, os pequenos e micro empres&aacute;rios, comerciantes e agricultores. Mas nenhum condenou o abatimento no imposto de renda dos pagamentos do seguro sa&uacute;de ou do atendimento particular.</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>Ser&aacute; que n&atilde;o se calaram por justamente fazerem uso deste mecanismo? Relembro que, se esses n&atilde;o descontassem no imposto de renda o que pagam pelos planos de sa&uacute;de e pelo atendimento privado, seriam 5 bilh&otilde;es a mais para o SUS.</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>Para aqueles que t&ecirc;m dificuldade para o debate e baixam o n&iacute;vel, como, por exemplo, mandando calar a boca, s&oacute; me resta o lamento.</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>Importante dizer mais duas coisas. Primeiro, o SUS &eacute; um sistema em constru&ccedil;&atilde;o e que muitos de n&oacute;s lutamos para n&atilde;o sofrer retrocessos. Lutamos para que, apesar de muitos advers&aacute;rios e alguns inimigos, seja implantado com qualidade em todo o pa&iacute;s. Contra estes advers&aacute;rios e inimigos &eacute; que todos deveriam se juntar, mas pelo que senti de alguns coment&aacute;rios eles s&atilde;o em maior n&uacute;mero do que eu imaginava.</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>Segundo, o SUS &eacute; um sistema &uacute;nico e nacional com responsabilidade nos tr&ecirc;s n&iacute;veis de governo. E a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os cabe &agrave;s prefeituras. Nos coment&aacute;rios, nenhuma palavra em rela&ccedil;&atilde;o aos Estados (governadores) e munic&iacute;pios (prefeitos).</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>Quando servidores p&uacute;blicos e outros setores da popula&ccedil;&atilde;o se mobilizam na defesa do SUS e na cobran&ccedil;a de mais servi&ccedil;o p&uacute;blico e de melhor qualidade, s&atilde;o criticados por parte da popula&ccedil;&atilde;o.</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>Quando os governos (municipais, estaduais e federal) chamam para as confer&ecirc;ncias de sa&uacute;de, espa&ccedil;os de debate, sugest&otilde;es e elabora&ccedil;&atilde;o do programas de sa&uacute;de, o que voc&ecirc; faz? Participa ou ignora, diz que tudo isso bobagem?</span></div>
<div><span>&nbsp;</span></div>
<div><span>Termino com a frase do Dr. Rog&eacute;rio: <i>&ldquo;C<span>riar o SUS foi o resultado de uma longa luta, encabe&ccedil;ada pelo movimento sindical dos m&eacute;dicos e por outras entidades da &aacute;rea de sa&uacute;de. N&atilde;o podemos permitir que a imprensa desinformada e os preconceituosos de plant&atilde;o destruam esse trabalho.&rdquo;</span></i></span></div>
<div><i><span>&nbsp;</span></i></div>
<div><span>Por fim, por favor, n&atilde;o comentem se tenho mau ou bom gosto, e acertem pelo menos em uma coisa: o SUS n&atilde;o &eacute; um &oacute;rg&atilde;o e tem pouco mais de 20 anos.</span></div>
<div>&nbsp;</div>
<div>
<div><span class="texto_barra_lateral_esquerda"><span class="post" id="post-7476"><span class="entry"><span class="post" id="post-7476"><span style="font-size:10pt"><font size="2"><b>Dr. Rosinha,</b> m&eacute;dico pediatra, &eacute; deputado federal (PT-PR) e ex-presidente do Parlamento do Mercosul.</font></span></span></span></span></span></div>
</div>
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