<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Dr. Rosinha - deputado federal - PT Paraná &#187; OUTROS AUTORES</title>
	<atom:link href="http://drrosinha.com.br/category/opiniao/outros-autores/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://drrosinha.com.br</link>
	<description>Página do deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR). Notícias diárias do mandato, artigos semanais, agenda de atividades, entre outras informações.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 02 Feb 2012 18:59:33 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.1</generator>
		<item>
		<title>Democracia ou Barbárie?</title>
		<link>http://drrosinha.com.br/democracia-ou-barbarie/</link>
		<comments>http://drrosinha.com.br/democracia-ou-barbarie/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 24 Oct 2011 16:17:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[OUTROS AUTORES]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://drrosinha.com.br/?p=7417</guid>
		<description><![CDATA[A “primavera árabe”, que até agora não produziu mudanças significativas nos antigos regimes autoritários, em sua maioria apoiados pelo Ocidente, corre o sério risco de ser imolada no altar desses interesses, que não têm nenhuma relação com democracia e direitos humanos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>MARCELO ZERO</p>
<p>As imagens chocantes do linchamento de Kadafi na L&iacute;bia s&atilde;o uma demonstra&ccedil;&atilde;o v&iacute;vida das barbaridades que s&atilde;o cometidas atualmente em nome da promo&ccedil;&atilde;o da democracia e da preval&ecirc;ncia dos direitos humanos.</p>
<p>Se o novo governo l&iacute;bio tivesse um compromisso m&iacute;nimo com valores democr&aacute;ticos, Kadafi e seus filhos teriam sido levados a julgamento pelos seus in&uacute;meros crimes, num processo legal e com direito &agrave; defesa. No entanto, preferiram linch&aacute;-los e execut&aacute;-los de forma cruel. Pode-se argumentar que foi um ato circunstancial de soldados exaltados. Duvido. Muito provavelmente, a inten&ccedil;&atilde;o era matar Kadafi o mais rapidamente poss&iacute;vel. Um tribunal p&uacute;blico poderia revelar verdades inconvenientes para o Conselho Nacional de Transi&ccedil;&atilde;o (CNT), que tem ex-integrantes do governo Kadafi entre suas principais figuras.</p>
<p>Ademais, o linchamento de Kadafi n&atilde;o &eacute; um ato isolado. De acordo com um relat&oacute;rio recente da Anistia Internacional, intitulado Detention Abuses Staining the New Lybia, a pr&aacute;tica de tortura e de execu&ccedil;&otilde;es sum&aacute;rias &eacute; generalizada no novo regime. Os in&uacute;meros grupos armados fazem &ldquo;justi&ccedil;a&rdquo; com as pr&oacute;prias m&atilde;os e torturam, prendem e eliminam todos aqueles suspeitos de serem simpatizantes do antigo regime. A L&iacute;bia de hoje vive no caos e na viol&ecirc;ncia. O pior &eacute; que, com o assassinato de Kadafi, cessa de existir o denominador comum que unia precariamente a luta das v&aacute;rias tribos e etnias da L&iacute;bia. As divis&otilde;es come&ccedil;am a se acirrar, mesmo no interior do CNT. Muitos analistas temem que a L&iacute;bia acabe se esfacelando, pol&iacute;tica e geograficamente.</p>
<p>O exemplo de comedimento e de respeito os direitos humanos teria de ter vindo de &ldquo;cima&rdquo;, isto &eacute;, das for&ccedil;as da OTAN. Por&eacute;m, a &ldquo;interven&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria&rdquo;, feita sob a escusa de proteger a popula&ccedil;&atilde;o civil, teve, desde o in&iacute;cio, o claro prop&oacute;sito pol&iacute;tico de derrubar Kadafi a qualquer custo. Calcula-se que os &ldquo;bombardeios humanit&aacute;rios&rdquo; e os choques entre as fac&ccedil;&otilde;es tenham matado, at&eacute; agora, cerca de 30.000 l&iacute;bios, inclusive mulheres e crian&ccedil;as inocentes, al&eacute;m de ter ferido gravemente outras 20.000 pessoas. Recorde-se que Kadafi, ao sentir sua situa&ccedil;&atilde;o militar se deteriorar, tentou, com a media&ccedil;&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o da Unidade Africana (OUA) acertar uma transi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica negociada com o CNT. O Conselho, com o aval das for&ccedil;as da OTAN, rejeitou a tentativa de resolver o conflito de forma pac&iacute;fica. Por isso, os porta-vozes da OTAN falavam abertamente na &ldquo;ca&ccedil;ada&rdquo; &agrave; Kadafi. Ante tal quadro, &eacute; natural que qualquer membro das for&ccedil;as rebeldes se sentisse motivado e legitimado a linchar o ex-ditador.</p>
<p>Obviamente, a L&iacute;bia n&atilde;o &eacute; um exemplo isolado de como a guerra e a barb&aacute;rie s&atilde;o realizadas e legitimadas em nome da democracia, dos direitos humanos e do combate ao terrorismo.</p>
<p>Estudo recente da Universidade Brown, mais especificamente do Brown&acute;s Watson Institute for International Studies, demonstra que, numa hip&oacute;tese muito conservadora, teriam morrido, at&eacute; agora, na &ldquo;interven&ccedil;&atilde;o&rdquo; no Iraque pelo menos 120.000 pessoas.</p>
<p>Este n&uacute;mero diz respeito somente &agrave;s v&iacute;timas diretas da viol&ecirc;ncia. N&atilde;o entram nesse c&ocirc;mputo as v&iacute;timas da fome, doen&ccedil;as, migra&ccedil;&otilde;es for&ccedil;adas, etc. , causadas pela guerra. Na realidade, o n&uacute;mero de mortos seria bem maior. Conforme estudo publicado na prestigiada m&eacute;dica Lancet, em 2006, feito com base nas estat&iacute;sticas oficiais iraquianas e norte-americanas, o n&uacute;mero de mortes no Iraque, era, at&eacute; aquele ano, de cerca de 650.000. Tudo em nome da promo&ccedil;&atilde;o da democracia, que at&eacute; hoje n&atilde;o veio realmente, e da destrui&ccedil;&atilde;o das inexistentes armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa.</p>
<p>No Afeganist&atilde;o, pa&iacute;s bem menos populoso do que o Iraque, o n&uacute;mero de v&iacute;timas tamb&eacute;m n&atilde;o p&aacute;ra de crescer. Na realidade, essa guerra est&aacute; se intensificando, ante o fracasso das for&ccedil;as da coaliz&atilde;o em conter o avan&ccedil;o dos Talib&atilde;s. Conforme estimativas feitas com base em documentos oficiais vazados pelo Wikileaks, apenas entre 2004 e 2009 teriam morrido cerca de 24.000 pessoas naquele pa&iacute;s. Desse total, ao redor de 4.000 seriam civis inocentes. Embora as for&ccedil;as de coaliz&atilde;o digam que fazem o poss&iacute;vel para evitar v&iacute;timas civis, a verdade &eacute; que n&atilde;o fazem o bastante. Apenas em fevereiro deste ano, morreram 65 civis num &uacute;nico ataque de militares norte-americanos. Desse total, 40 eram crian&ccedil;as. Ante o protesto do Afeganist&atilde;o, o General Paetreus chegou a sugerir, para assombro de assessores do presidente Karzai, que alguns afeg&atilde;os poderiam ter carbonizado suas pr&oacute;prias crian&ccedil;as para aumentar artificialmente o n&uacute;mero de mortos. Essa &eacute; a dura e c&iacute;nica face da democracia ocidental no Grande Oriente M&eacute;dio.</p>
<p>No Paquist&atilde;o, onde h&aacute; uma guerra surda da qual pouco se fala, o referido estudo da Brown University estima o n&uacute;mero de mortos em cerca de 35.000. L&aacute;, os militares norte-americanos usam &agrave; exaust&atilde;o os avi&otilde;es n&atilde;o-tripulados, os chamados drones, para bombardear e eliminar &ldquo;alvos terroristas&rdquo;, especialmente na regi&atilde;o que faz fronteira com o Afeganist&atilde;o. Como os supostos militantes de organiza&ccedil;&otilde;es terroristas est&atilde;o imersos na popula&ccedil;&atilde;o, o chamado &ldquo;dano colateral&rdquo; desses ataques &eacute; alto. A Brookings Institution, um dos mais antigos think tanks de Washington, estima que, para cada militante alvejado, cerca de 10 civis morram. O pr&oacute;prio ministro do interior do Paquist&atilde;o, Rehman Malik, declarou recentemente que os m&iacute;sseis dos drones causam muito dano colateral. &ldquo;Alguns poucos militantes s&atilde;o mortos, mas a maioria das v&iacute;timas &eacute; de civis inocentes&rdquo;, afirmou ele.</p>
<p>Essa crescente banaliza&ccedil;&atilde;o da guerra e da viol&ecirc;ncia, justificada pela necessidade de &ldquo;expandir a democracia e os direitos humanos&rdquo;, bem como de &ldquo;fortalecer o combate ao terrorismo&rdquo;, &eacute; algo extremamente preocupante. Na realidade, os EUA, ap&oacute;s o 11 de setembro, tornaram leg&iacute;timo, em suas leis e regulamentos, o recurso ao assassinato e &agrave; tortura como forma de combate ao terrorismo. Ademais, exibem um solene desprezo face ao Direito Internacional P&uacute;blico e &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es multilaterais, particularmente a ONU. Obama, que prometia uma revis&atilde;o dessa pol&iacute;tica agressiva, militarista e unilateralista, revelou-se, afinal, uma decep&ccedil;&atilde;o. Mais do que nunca, os EUA, e alguns de seus aliados, se julgam no direito de intervir onde quiserem, e na forma que quiserem.</p>
<p>Isso torna a ordem mundial crescentemente tensa e destitu&iacute;da de aut&ecirc;ntica legitimidade. Parece que se instalou uma esp&eacute;cie de &ldquo;vale tudo&rdquo;, no qual o &uacute;nico que importa &eacute; a afirma&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios interesses, custe o que custar. Nesse processo, vale at&eacute; sabotar negocia&ccedil;&otilde;es que visem &agrave; paz. Quando Brasil e Turquia conseguiram obter um acordo com Teer&atilde;, que procurava resolver a pol&ecirc;mica e dif&iacute;cil quest&atilde;o do programa nuclear iraniano, Washington e Paris foram r&aacute;pidos em rejeit&aacute;-lo.</p>
<p>A &ldquo;primavera &aacute;rabe&rdquo;, que at&eacute; agora n&atilde;o produziu mudan&ccedil;as significativas nos antigos regimes autorit&aacute;rios, em sua maioria apoiados pelo Ocidente, corre o s&eacute;rio risco de ser imolada no altar desses interesses, que n&atilde;o t&ecirc;m nenhuma rela&ccedil;&atilde;o com democracia e direitos humanos.</p>
<p>A guerra nunca conduzir&aacute; &agrave; paz, assim como a viol&ecirc;ncia nunca poder&aacute; fundamentar o respeito aos direitos humanos. E a barb&aacute;rie internacionalizada jamais levar&aacute; democracia a pa&iacute;s nenhum.</p>
<p>Assim, se, na ordem internacional, os direitos e princ&iacute;pios mais b&aacute;sicos s&atilde;o di&aacute;ria e sistematicamente violados por aqueles que se dizem seus protetores e promotores, por que os rebeldes l&iacute;bios n&atilde;o se sentiriam tamb&eacute;m legitimados a linchar seus inimigos?</p>
<img src="http://drrosinha.com.br/?ak_action=api_record_view&id=7417&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://drrosinha.com.br/democracia-ou-barbarie/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ataque à raiz da corrupção [por Idelber Avelar]</title>
		<link>http://drrosinha.com.br/ataque-a-raiz-da-corrupcao-por-idelber-avelar2/</link>
		<comments>http://drrosinha.com.br/ataque-a-raiz-da-corrupcao-por-idelber-avelar2/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Sep 2011 12:17:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[OUTROS AUTORES]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://drrosinha.com.br/?p=7084</guid>
		<description><![CDATA[O financiamento público de campanha torna mais fácil a fiscalização e, se não acaba com legendas de aluguel, complica sua existência.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size:14px;">O financiamento p&uacute;blico de campanha torna mais f&aacute;cil a fiscaliza&ccedil;&atilde;o e, se n&atilde;o acaba com legendas de aluguel, complica sua exist&ecirc;ncia.</span></strong></p>
<p>IDELBER AVELAR</p>
<p>[artigo publicado no jornal <em>Folha de S.Paulo</em> em 18.set.2011]</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pesquisa recente da ag&ecirc;ncia APPM d&aacute; a medida de como se realiza a discuss&atilde;o sobre campanhas eleitorais no Brasil. Oitenta e quatro por cento dos consultados dizem que as doa&ccedil;&otilde;es de empresas aumentam as chances de corrup&ccedil;&atilde;o, mas 81% s&atilde;o contra o financiamento p&uacute;blico.</p>
<p>O eleitor sabe que o conluio entre dinheiro privado e Estado &eacute; fonte de corrup&ccedil;&atilde;o, mas se op&otilde;e ao financiamento p&uacute;blico, pois n&atilde;o lhe &eacute; vis&iacute;vel o fato de que ele tamb&eacute;m paga a conta do financiamento privado.</p>
<p>As empresas, com frequ&ecirc;ncia, recolhem via corrup&ccedil;&atilde;o o que investiram no candidato. O preju&iacute;zo ao Estado s&oacute; aparece se estoura um esc&acirc;ndalo, caso em que o agente p&uacute;blico ser&aacute; execrado, enquanto pouco se dir&aacute; sobre o agente privado corruptor. Nada mais brasileiro do que esquecer que corrup&ccedil;&atilde;o &eacute; via de m&atilde;o dupla.</p>
<p>Ouvem-se tr&ecirc;s argumentos principais contra o financiamento p&uacute;blico: ele n&atilde;o elimina a corrup&ccedil;&atilde;o, coloca dinheiro do contribuinte nas m&atilde;os de corruptos e favorece os partidos mais organizados ou &quot;instala uma ditadura financeira dos partidos&quot; (conforme Elio Gaspari observou em sua coluna de 24/8).</p>
<p>O primeiro &eacute; um patente sofisma.</p>
<p>Se observamos que a troca de favores com o dinheiro de campanha &eacute; fonte de corrup&ccedil;&atilde;o, recusar o financiamento p&uacute;blico porque ele n&atilde;o a elimina equivale a recusar a Lei Maria da Penha porque ela n&atilde;o acaba com a viol&ecirc;ncia contra a mulher.</p>
<p>Que se estabele&ccedil;am os mecanismos de cumprimento da lei, mesmo sabendo que eles n&atilde;o ser&atilde;o perfeitos. O financiamento p&uacute;blico n&atilde;o elimina a corrup&ccedil;&atilde;o, mas ataca sua raiz e facilita a fiscaliza&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>O segundo se nutre da p&eacute;ssima imagem dos pol&iacute;ticos e da premissa de que o cidad&atilde;o comum seria moralmente superior a eles. Ora, n&atilde;o h&aacute; ind&iacute;cio de que as rela&ccedil;&otilde;es cotidianas n&atilde;o estejam t&atilde;o perpassadas pela corrup&ccedil;&atilde;o quanto as pol&iacute;ticas. &Eacute; a coloca&ccedil;&atilde;o do Estado a servi&ccedil;o de interesses privados que corrompe -e essa tem sido uma constante em nossa hist&oacute;ria, desde as capitanias heredit&aacute;rias.</p>
<p>O terceiro &eacute;, na verdade, uma defesa do financiamento p&uacute;blico. Se ele fortalece os partidos mais organizados, eis a&iacute; outra raz&atilde;o para adot&aacute;-lo. Ele n&atilde;o acabar&aacute; com as legendas de aluguel, mas tornar&aacute; sua vida mais dif&iacute;cil. A express&atilde;o &quot;ditadura dos partidos&quot; n&atilde;o faz sentido se esses s&atilde;o compostos de cida- d&atilde;os livres e entram e saem do poder pelo voto. Oxal&aacute; o Brasil escape da situa&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos. Apesar de proibidas as doa&ccedil;&otilde;es de empresas a campanhas, o dinheiro doado a partidos e organiza&ccedil;&otilde;es propagand&iacute;sticas (as 527s) determina todo o rumo da pol&iacute;tica. Hoje, 86% dos estadunidenses v&ecirc; democratas e republicanos do Congresso negativamente, mas uma terceira op&ccedil;&atilde;o tornou-se invi&aacute;vel, j&aacute; que o dinheiro corrompeu o sistema pol&iacute;tico at&eacute; a medula.</p>
<p>Cuidemos da nossa democracia: o primeiro passo &eacute; uma contabilidade equ&acirc;nime, &agrave; qual todos tenham acesso. Sai mais barato, inclusive.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://drrosinha.com.br/wp-content/uploads/idelber_avelar1.jpg"><img align="left" alt="" border="0" class="alignleft size-full wp-image-7087" height="185" hspace="20" src="http://drrosinha.com.br/wp-content/uploads/idelber_avelar1.jpg" title="idelber_avelar" vspace="0" width="150" /></a><strong>IDELBER AVELAR</strong> &eacute; professor titular na Universidade Tulane e colunista da revista &quot;F&oacute;rum&quot;; &eacute; co-organizador de &quot;Brazilian Popular Music and Citizenship&quot; e autor de &quot;Alegorias da Derrota&quot; e &quot;The Letter of Violence&quot;.</p>
<img src="http://drrosinha.com.br/?ak_action=api_record_view&id=7084&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://drrosinha.com.br/ataque-a-raiz-da-corrupcao-por-idelber-avelar2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Toni Reis: Governo Dilma é aliado dos direitos Humanos LGBT</title>
		<link>http://drrosinha.com.br/governo-dilma-e-aliado-dos-direitos-humanos-lgbt-por-toni-reis/</link>
		<comments>http://drrosinha.com.br/governo-dilma-e-aliado-dos-direitos-humanos-lgbt-por-toni-reis/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 06 Jul 2011 20:26:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[OUTROS AUTORES]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://drrosinha.com.br/?p=6070</guid>
		<description><![CDATA["O governo Dilma é aliado dos direitos humanos e da cidadania da população LGBT do Brasil e do mundo. Cabe a nós, do movimento LGBT fazer a mobilização e pressão, mas sempre no diálogo respeitoso com um governo que é nosso aliado" ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>TONI REIS*</p>
<p>
	<em>&ldquo;O pessimista v&ecirc; dificuldade em cada oportunidade; o otimista v&ecirc; oportunidade em cada dificuldade&quot;. (Winston Churchill)</em></p>
<p>	<a href="http://drrosinha.com.br/wp-content/uploads/escola_sem_homofobia.jpg"><img align="left" alt="" border="0" class="alignleft size-medium wp-image-5742" height="199" hspace="10" src="http://drrosinha.com.br/wp-content/uploads/escola_sem_homofobia-300x199.jpg" title="escola_sem_homofobia" vspace="10" width="300" /></a>O Governo Dilma atuou de forma maravilhosa e competente nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). Por meio do Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores, ajudou a aprovar, no conselho de Direitos Humanos, a mais importante resolu&ccedil;&atilde;o que j&aacute; tivemos at&eacute; hoje em prol das pessoas LGBT, de todo o mundo.</p>
<p>Essa atua&ccedil;&atilde;o mostrou que o governo da Presidenta Dilma est&aacute; totalmente comprometido com os direitos humanos da nossa popula&ccedil;&atilde;o e com certeza contribuir&aacute; para que a persegui&ccedil;&atilde;o contra LGBT em v&aacute;rios pa&iacute;ses do mundo recue.</p>
<p>O Governo Dilma, com o apoio da Secretaria de Direitos Humanos e por meio da Advocacia Geral da Uni&atilde;o e da Procuradoria Geral da Rep&uacute;blica, defendeu a aprova&ccedil;&atilde;o da uni&atilde;o est&aacute;vel entre pessoas do mesmo sexo no STF. Nos votos dos eminentes Ministros do Supremo muitas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas do Governo Federal foram citadas.</p>
<p>O Governo Dilma , por meio da Secretaria de Direitos Humanos, deu posse ao Conselho Nacional LGBT, com representantes de 15 minist&eacute;rios e 15 representantes da sociedade Civil. No total, s&atilde;o &#8211; sem mencionar os suplentes &#8211; 30 pessoas envolvidas do Governo Federal e 30 da sociedade civil que est&atilde;o conselheiras e conselheiros, titulares e suplentes. N&atilde;o se tem not&iacute;cia de algo parecido em outros pa&iacute;ses do mundo.</p>
<p>A presidenta Dilma e a ministra Maria do Ros&aacute;rio convocaram a II Confer&ecirc;ncia Nacional LGBT e as 27 Unidades da Federa&ccedil;&atilde;o j&aacute; est&atilde;o organizando as Confer&ecirc;ncias Estaduais LGBT, das quais cinco j&aacute; convocaram ( MS, MG, RS, SP e AP). Importante ressaltar que o tema da Confer&ecirc;ncia aponta para o debate da supera&ccedil;&atilde;o da pobreza e da mis&eacute;ria entre a popula&ccedil;&atilde;o LGBT, algo inovador.</p>
<p>O Governo Dilma, por meio da Ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Pol&iacute;ticas para as Mulheres, lan&ccedil;ou o Grupo de Trabalho de Mulheres L&eacute;sbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, assim como editais para o financiamento de projetos. Pela primeira vez, mulheres trans foram contempladas em pol&iacute;ticas neste Minist&eacute;rio, mais um avan&ccedil;o desse governo.</p>
<p>O Governo Dilma, atrav&eacute;s da Secretaria de Direitos Humanos, lan&ccedil;ou o m&oacute;dulo LGBT no servi&ccedil;o Disque Direitos Humanos (Disque 100). At&eacute; 12% dos atendimentos realizados s&atilde;o de LGBT.</p>
<p>O Governo Dilma, por meio da Secretaria Geral da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica e do Minist&eacute;rio do Planejamento, est&aacute; discutindo com a sociedade civil o PPA (Plano Plurianual) para ampliar as a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o da cidadania LGBT. A Secretaria de Direitos Humanos j&aacute; se comprometeu a incluir um Programa Tem&aacute;tico Espec&iacute;fico, intitulado &quot;Promo&ccedil;&atilde;o da Cidadania LGBT&quot; no PPA, o que vai facilitar a garantia de recursos or&ccedil;ament&aacute;rios para o Plano Nacional LGBT nos pr&oacute;ximos anos.</p>
<p>O Governo Dilma, de conjunto, recebeu o movimento social LGBT quando da realiza&ccedil;&atilde;o da II Marcha Nacional Contra Homofobia. Fomos recebidos por 15 Minist&eacute;rios. Foram 10 Ministras e Ministros que representam a Presidenta Dilma, j&aacute; que ocupam suas pastas por vontade expressa da Presidenta.</p>
<p>O Governo Dilma, por meio do Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego, convocou 10 lideran&ccedil;as travestis e transexuais para iniciar o projeto &quot;Astral TOP&quot; e combater a exclus&atilde;o das pessoas trans no mercado de trabalho.</p>
<p>O Governo Dilma, por meio do Minist&eacute;rio da Defesa, que acatou nossa reivindica&ccedil;&atilde;o, mandar&aacute; projeto de lei para o Congresso Nacional a fim de retirar as palavras &quot;homossexual&quot; e &quot;pederastia&quot; do C&oacute;digo Penal Militar.</p>
<p>O Governo Dilma, por meio do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de e do Departamento Nacional de DST, Aids e Hepatites Virais, lan&ccedil;ou edital para financiamento de projetos de assessoria jur&iacute;dica e tamb&eacute;m de preven&ccedil;&atilde;o nas paradas do Orgulho LGBT.</p>
<p>O Governo Dilma, em a&ccedil;&atilde;o da Secretaria de Direitos Humanos, lan&ccedil;ou o edital para projetos de educa&ccedil;&atilde;o em direitos Humanos e Centros de Refer&ecirc;ncias que contemplam as demandas LGBT.</p>
<p>O Governo Dilma, em atitude ousada, regulamentou a visita &iacute;ntima para casais do mesmo sexo a pessoas privadas de liberdade, em todo o Brasil.</p>
<p>O Governo Dilma j&aacute; declarou in&uacute;meras vezes que &eacute; contra homofobia e contra todas as formas de viol&ecirc;ncia e que trabalhar&aacute; para combater a homofobia.</p>
<p>Efetivar esse compromisso fez com o Governo Dilma &#8211; por meio da SDH &#8211; lan&ccedil;asse, j&aacute; em fevereiro de 2011, a campanha Fa&ccedil;a do Brasil um Territ&oacute;rio Livre da Homofobia, campanha que dever&aacute; atingir todo o territ&oacute;rio nacional.</p>
<p>O Governo Dilma mant&eacute;m duas importantes estruturas institucionais de promo&ccedil;&atilde;o dos direitos de LGBT em seu governo: a Coordena&ccedil;&atilde;o Nacional LGBT e a Secretaria Executiva do Conselho Nacional LGBT, ambas instaladas na Secretaria de Direitos Humanos da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica.</p>
<p>O Governo Dilma, por meio da Receita Federal, recebeu, pela primeira vez na hist&oacute;ria do Brasil, as declara&ccedil;&otilde;es conjuntas de Imposto de Renda de casais homossexuais.</p>
<p>Ao contr&aacute;rio do que muitas vezes &eacute; dito, o Governo Dilma n&atilde;o vetou o &ldquo;Kit&rdquo; do Projeto Escola sem Homofobia. Apenas suspendeu-o temporariamente e j&aacute; est&aacute; dialogando para melhorar e ampliar o raio de atua&ccedil;&atilde;o do Escola Sem Homofobia.</p>
<p>A proposta &eacute; construir um material que combata todas as formas de discrimina&ccedil;&atilde;o e bullying no ambiente escolar. Ser&aacute; um &quot;Kit Respeito e Cidadania&quot; nas escolas. Afinal, n&oacute;s LGBT sofremos tamb&eacute;m outras discrimina&ccedil;&otilde;es cruzadas e acrescidas se somos negros, mulheres, pobres, pessoas com defici&ecirc;ncia, etc. Devemos nos solidarizar com todas as pessoas que sofrem outros tipos de bullying e viol&ecirc;ncia escolar, incluindo a viol&ecirc;ncia sofrida pelos milhares de professoras e professores do nosso pa&iacute;s.</p>
<p>Com certeza, s&atilde;o muitos os avan&ccedil;os em apenas seis meses de Governo Dilma. Nem todos dos quais est&atilde;o registrados aqui, mas todos v&atilde;o na dire&ccedil;&atilde;o de garantir a cidadania plena da nossa popula&ccedil;&atilde;o LGBT.</p>
<p>O Governo Dilma, por meio de suas lideran&ccedil;as no Congresso Nacional, j&aacute; confirmou que &eacute; favor&aacute;vel &agrave; criminaliza&ccedil;&atilde;o da homofobia,</p>
<p><em>&quot;O otimista &eacute; um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo &eacute; ser um realista esperan&ccedil;oso. (Ariano Suassuna)&quot;</em></p>
<p>O Governo Dilma representa a continuidade do governo Lula, que foi o que mais fez pela cidadania LGBT na hist&oacute;ria do Brasil.</p>
<p>O Governo Dilma &eacute; aliado dos direitos Humanos e da cidadania da popula&ccedil;&atilde;o LGBT do Brasil e do mundo. Cabe a n&oacute;s, do movimento LGBT fazer a mobiliza&ccedil;&atilde;o e press&atilde;o, mas sempre no di&aacute;logo respeitoso com um governo que &eacute; nosso aliado.</p>
<p>N&atilde;o podemos, nunca, sob pena de retrocedermos, confundir aliados que cometem erros ou recuam, com advers&aacute;rios ou com inimigos fundamentalistas.</p>
<p>Com aliados se conversa, se negocia, se entende e se avan&ccedil;a.</p>
<p>	<strong>Toni Reis</strong></p>
<p>	Presidente ABGLT</p>
<img src="http://drrosinha.com.br/?ak_action=api_record_view&id=6070&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://drrosinha.com.br/governo-dilma-e-aliado-dos-direitos-humanos-lgbt-por-toni-reis/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>José Mujica: o Mercosul hoje e as duas faces do grande desafio</title>
		<link>http://drrosinha.com.br/jose-mujica-o-mercosul-hoje-e-as-duas-faces-do-grande-desafio/</link>
		<comments>http://drrosinha.com.br/jose-mujica-o-mercosul-hoje-e-as-duas-faces-do-grande-desafio/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 11 Apr 2011 19:32:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[OUTROS AUTORES]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://drrosinha.com.br/?p=5036</guid>
		<description><![CDATA[Todos os países enfrentam dificuldades para se adaptar a um mundo cada vez mais globalizado, com muitos centros e periferias. Em consequência disso, as formas tradicionais de produção e distribuição mudaram. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Por José Mujica*, na <em>Folha de S.Paulo</em></h2>
<p><span>As empresas transnacionais influem sobre uma parte importante do comércio mundial e indicam as regras às quais temos que nos adaptar. Para responder a esses desafios, o mundo está se organizando em grandes blocos. </span></p>
<p>Da América Latina, vemos que dois blocos grandes se erguem na Ásia, em torno da China e da Índia, competindo com as potências tradicionais, e nos perguntamos: &#8220;O que podemos fazer? Qual pode ser nosso peso, negociando fragmentados em muitas repúblicas distintas, sem a criação de um espaço comum?&#8221;.</p>
<p>Até mesmo os maiores países de nossa região precisam do peso econômico e político do restante dos países. Isso se aplica também ao Brasil, o primeiro país latino-americano que saiu para atuar em nível mundial. Esse é um de seus enormes méritos, mas é também um desafio. Precisamos acompanhá-lo. O Brasil precisa ter consciência de sua responsabilidade, e nós precisamos ter consciência de que precisamos nos agrupar em volta dele.</p>
<p>Por essa razão, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai assinaram em 1991 o Tratado de Assunção, para criar o Mercado Comum do Sul, o Mercosul. Hoje, Bolívia e Venezuela estão em processo de incorporação, enquanto Chile, Colômbia, Equador e Peru são Estados associados. Essa zona abarca quase 12 milhões de quilômetros quadrados, tem 380 milhões de habitantes e, além disso, possui imensos recursos humanos e naturais.</p>
<p>Somos conscientes das assimetrias do Mercosul e de seus defeitos, mas acreditamos que o modo de equilibrar essas assimetrias consiste em promover políticas de aproximação e inclusão do maior número possível de países sul-americanos.</p>
<p>A incorporação da Venezuela como membro pleno aguarda a aprovação do Senado paraguaio, onde existe certa resistência a Hugo Chávez. Meu governo é a favor da postulação de Caracas. Em primeiro lugar, porque não se deve confundir um país com um regime. Os governos passam, os países ficam.</p>
<p>Além disso, a Venezuela é um elemento compensatório em termos econômicos e de recursos naturais de todo o rio da Prata, porque ela precisa daquilo que nós produzimos. Por essa razão, sua inclusão no Mercosul serviria para reduzir as diferenças existentes.</p>
<p>Precisamos da Venezuela e dos outros países sul-americanos no Mercosul porque a potência do subcontinente é infinita, se somarmos a energia venezuelana e a água doce das reservas dos pampas do sul, o rio Amazonas e a experiência de nossos povos.</p>
<p>A meta é construir uma nação que abarque todo o subcontinente. Outro grande problema que precisamos enfrentar com a integração e a inserção internacional é a redenção dos pobres da América Latina e a incorporação à civilização de enormes massas que precisamos incluir no crescimento, em um crescimento para dentro.</p>
<p>Tal desafio nos obriga a multiplicar a riqueza, os recursos e os conhecimentos, mas isso, por si só, não resolverá os problemas de uma humanidade dividida. Não há uma América Latina, há várias.</p>
<p>Há os esquecidos da terra, os condenados das favelas e as grandes capitais. Na luta pela expansão econômica e social, o maior mercado potencial está justamente na inclusão dos pobres. E, embora essa região tenha progredido muito na última década, ainda temos uma dúvida colossal com os pobres de nossos países.</p>
<p><em>* José Mujica é presidente do Uruguai</em></p>
<img src="http://drrosinha.com.br/?ak_action=api_record_view&id=5036&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://drrosinha.com.br/jose-mujica-o-mercosul-hoje-e-as-duas-faces-do-grande-desafio/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Brasil-EUA: A rivalidade emergente &#8211;prefácio de Samuel Pinheiro Guimarães</title>
		<link>http://drrosinha.com.br/brasil-eua-a-rivalidade-emergente-por-samuel-pinheiro-guimaraes/</link>
		<comments>http://drrosinha.com.br/brasil-eua-a-rivalidade-emergente-por-samuel-pinheiro-guimaraes/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 11 Mar 2011 15:50:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[OUTROS AUTORES]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://drrosinha.com.br/?p=4679</guid>
		<description><![CDATA["Não podemos nos iludir. Nossos verdadeiros aliados são nossos vizinhos – daqui e de além-mar - com quem nosso destino político e econômico está definitivamente entrelaçado – e nossos semelhantes, os grandes Estados da periferia."]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="headline-link">SAMUEL PINHEIRO GUIMAR&Atilde;ES</p>
<p><strong>Ao acompanhar a evolu&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es do Brasil com os EUA, no per&iacute;odo examinado por Moniz Bandeira, vemos que, de um lado, elas se entrela&ccedil;am e incidem sobre a aspira&ccedil;&atilde;o de parte significativa da elite dirigente brasileira de promover o desenvolvimento industrial. Esta aspira&ccedil;&atilde;o se confronta periodicamente com a pol&iacute;tica americana que decorre de sua convic&ccedil;&atilde;o de que o desenvolvimento brasileiro teria de ser o resultado natural da a&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as de mercado. Portanto, n&atilde;o necessitaria, nem deveria, ser estimulado ou conduzido pelo Estado brasileiro, a n&atilde;o ser para este adotar pol&iacute;ticas de liberaliza&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio exterior e dos fluxos de ingresso e sa&iacute;da de capitais. O artigo &eacute; de Samuel Pinheiro Guimar&atilde;es.</strong></p>
<p class="texto"><i>Pref&aacute;cio de Samuel Pinheiro Guimar&atilde;es ao livro &quot;Rela&ccedil;&otilde;es Brasil-EUA no Contexto da Globaliza&ccedil;&atilde;o: Rivalidade Emergente&quot; (Editora Senac), de L.A. Moniz Bandeira. O livro d&aacute; seq&uuml;&ecirc;ncia ao balan&ccedil;o sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre o Brasil e os Estados Unidos, iniciado com a publica&ccedil;&atilde;o do primeiro volume, dedicado ao estudo da Presen&ccedil;a dos EUA no Brasil, e que abarca o tempo hist&oacute;rico que vai desde o Brasil Col&ocirc;nia at&eacute; a Rep&uacute;blica. Passa pela era Vargas e a queda de Goulart. Este volume &#8211; &quot;Rivalidade Emergente&quot; &#8211; vai at&eacute; 1995, mostrando como as rela&ccedil;&otilde;es Brasil-EUA continuam a ser alternadamente amistosas e conflitantes. </i></p>
<p>	<b>Pref&aacute;cio: Doces Ilus&otilde;es, Duras Realidades</b></p>
<p>	<i>&quot;Voc&ecirc; tem de dar-lhes um tapinha nas costas e fazer com que eles pensem que voc&ecirc; gosta deles&quot;.</i><br />
	<b>J.Foster Dulles, Secret&aacute;rio de Estado, 1953-59 (1)</b></p>
<p>	<b>A constru&ccedil;&atilde;o da hegemonia americana</b></p>
<p>	1. Para compreender os epis&oacute;dios que se sucedem nas rela&ccedil;&otilde;es entre o Brasil e os Estados Unidos &eacute; necess&aacute;rio examinar a natureza dessas rela&ccedil;&otilde;es. Esta somente pode ser entendida quando vista no contexto da estrat&eacute;gia mundial de pol&iacute;tica externa americana, tra&ccedil;ada e desenvolvida a partir dos resultados da Segunda Guerra Mundial. &Eacute; preciso notar que, at&eacute; 1939, a pol&iacute;tica americana nunca havia sido de fato isolacionista, n&atilde;o intervencionista. Por&eacute;m, seu ativismo se dirigia e se limitava &agrave; conquista do Oeste americano, &agrave; incorpora&ccedil;&atilde;o, por compra, de territ&oacute;rios como a Fl&oacute;rida e a Louisiana e, em seguida, &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea de influ&ecirc;ncia no grande &ldquo;mar americano&rdquo;, o Caribe. O M&eacute;xico perdeu 2/3 de seu territ&oacute;rio para os Estados Unidos na guerra de 1846/48, provocada pelos Estados Unidos. A Nicar&aacute;gua foi ocupada militarmente pelos Estados Unidos durante 21 anos; o Haiti, durante 19 anos. Cuba, Filipinas e Porto Rico foram ocupados ap&oacute;s a derrota da Espanha na guerra provocada pelos Estados Unidos, em 1898. Ao final, os Estados Unidos haviam, praticamente, eliminado a presen&ccedil;a e a influ&ecirc;ncia das pot&ecirc;ncias europ&eacute;ias na regi&atilde;o.</p>
<p>	Somente ap&oacute;s 1945 os Estados Unidos deixariam de ser uma pot&ecirc;ncia regional e passariam a ser uma pot&ecirc;ncia com interesses mundiais, i.e. uma pot&ecirc;ncia com interesses em cada continente, quase se poderia dizer em cada Estado. &Eacute; verdade que a expedi&ccedil;&atilde;o do Comandante Perry ao Jap&atilde;o, em 1848, assim como o apoio &agrave;s atividades mission&aacute;rias na China, anunciavam o interesse americano pela &Aacute;sia. Mas era na &Aacute;sia incipiente essa presen&ccedil;a.</p>
<p>	2. Ap&oacute;s a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos emergiram como a maior pot&ecirc;ncia militar, pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica, tecnol&oacute;gica e ideol&oacute;gica do mundo. Essa hegemonia era absoluta diante das na&ccedil;&otilde;es derrotadas, destru&iacute;das e ocupadas, Alemanha, Jap&atilde;o e It&aacute;lia; de extensos imp&eacute;rios coloniais, desmoralizados e combalidos, o franc&ecirc;s e o brit&acirc;nico; de uma pot&ecirc;ncia rival, em termos de organiza&ccedil;&atilde;o social, pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica, a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, forte pela ocupa&ccedil;&atilde;o da Europa Oriental e debilitada pela devasta&ccedil;&atilde;o nazista, que deixara 20 milh&otilde;es de mortos, e a economia abalada pelo esfor&ccedil;o de guerra. A capacidade que parecia ter a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica de competir e de enfrentar os Estados Unidos, e que parecia se tornar cada vez mais irresist&iacute;vel com a expans&atilde;o do campo socialista ap&oacute;s 1945, era aparente, como iria se revelar aos poucos, at&eacute; culminar com a derrota pac&iacute;fica, em 1991.</p>
<p>	3. Diante desse extraordin&aacute;rio e glorioso, por&eacute;m desafiador cen&aacute;rio mundial de 1945 os Estados Unidos viriam a definir os grandes objetivos e as grandes diretrizes de sua pol&iacute;tica externa. Em s&iacute;ntese, esses objetivos eram e s&atilde;o: manter e ampliar sua hegemonia pol&iacute;tica; manter e ampliar sua hegemonia militar; manter e ampliar sua hegemonia econ&ocirc;mica; manter e ampliar sua hegemonia ideol&oacute;gica.</p>
<p>	4. Em 1945, a decis&atilde;o estrat&eacute;gica fundamental adotada pelos Estados Unidos foi preferir criar um sistema de organismos internacionais para, atrav&eacute;s deles, promover e manter sua hegemonia e expandir seus ideais, ao inv&eacute;s de procurar faz&ecirc;-lo diretamente, o que implicaria elevad&iacute;ssimos custos e o freq&uuml;ente uso de for&ccedil;a militar. Esses organismos viriam a ser de car&aacute;ter universal, como as Na&ccedil;&otilde;es Unidas e suas ag&ecirc;ncias, inclusive o Fundo Monet&aacute;rio Internacional &ndash; FMI e o Banco Internacional para Reconstru&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento &ndash; BIRD; ou de car&aacute;ter regional, tais como a Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos &ndash; OEA, a Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte &ndash; OTAN, o Tratado de Seguran&ccedil;a Austr&aacute;lia, Nova Zel&acirc;ndia, Estados Unidos &ndash; ANZUS e a Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Sudeste Asi&aacute;tico &ndash; SEATO, ou de car&aacute;ter bilateral. Todos, de uma forma ou de outra, com sua origem na experi&ecirc;ncia do passado e nos ideais americanos de governan&ccedil;a mundial, defendidos por Woodrow Wilson, em 1919, e incorporados ao tratado que criou a Liga das Na&ccedil;&otilde;es, rejeitado pelo Senado americano. O pano de fundo dessa estrat&eacute;gia viria ser o confronto com a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, (que detonaria a arma nuclear em 1949), com base na Doutrina Truman, de conten&ccedil;&atilde;o do comunismo, inspirada nas id&eacute;ias de George Kennan, em seu artigo assinado Mr. X, publicado em 1947.</p>
<p>	5. Ao implementar essa estrat&eacute;gia de m&uacute;ltiplas facetas e jogada em muitos tabuleiros de negocia&ccedil;&atilde;o, de a&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m de subvers&atilde;o, em todas as regi&otilde;es e continentes, os Estados Unidos procuram evitar a emerg&ecirc;ncia de Estados que possam se contrapor &agrave; sua hegemonia mundial ou regional. Sempre que necess&aacute;rio, procuram enfrentar e derrotar aqueles que &agrave; sua hegemonia se oponham, de modo total ou parcial, e assim dificultem ou impe&ccedil;am o seu pleno exerc&iacute;cio. </p>
<p>	6. Ainda que em v&aacute;rios desses confrontos e embates, alguns armados, os Estados Unidos pudessem, &agrave; primeira vista, parecer ter sido derrotados, pelo menos em algumas inst&acirc;ncias como, por exemplo a do Vietn&atilde;, seus interesses viriam a prevalecer no m&eacute;dio prazo. Ap&oacute;s a desmoralizante derrota militar americana, o novo Vietn&atilde;, unificado e comunista, viria a adotar, depois de alguns anos, um modelo capitalista, aberto &agrave;s mega-empresas multinacionais, inclusive americanas. A Rep&uacute;blica Popular da China &eacute; caso semelhante em que, ap&oacute;s longo per&iacute;odo de enfrentamentos se inicia, por decis&atilde;o chinesa, um processo de reforma econ&ocirc;mica que leva a uma simbiose com os Estados Unidos e na China se organiza um regime cada vez mais capitalista e aberto &agrave;s mega-empresas americanas. O fim da hegemonia americana, que se exerce de formas variadas e complexas, ainda &eacute; um mito e uma ilus&atilde;o perigosa.</p>
<p>	7. Na &aacute;rea militar, os Estados Unidos tornaram permanentes, de forma muitas vezes desconhecida, a presen&ccedil;a de suas tropas e de suas armas, inclusive nucleares, fora de seu territ&oacute;rio nacional, em pa&iacute;ses tais como a Alemanha, a B&eacute;lgica, a It&aacute;lia, a Gr&eacute;cia, a Turquia e a Holanda. Seu controle militar se realiza atrav&eacute;s de uma rede de bases terrestres, de frotas navais e de acordos militares bilaterais ou regionais, como a OTAN, alguns hoje desativados, mas n&atilde;o todos, como o acordo militar com o Jap&atilde;o e o acordo ANZUS. O programa recente de instala&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;escudo de m&iacute;sseis&rdquo; na Europa Oriental, oficialmente dirigido contra o Ir&atilde; e outras amea&ccedil;as difusas, como o terrorismo, causa grande inquieta&ccedil;&atilde;o na R&uacute;ssia e revela a determina&ccedil;&atilde;o americana de manter e expandir sua hegemonia militar na Europa. </p>
<p>	8. Por outro lado, de forma sistem&aacute;tica, os Estados Unidos procuraram criar mecanismos nacionais e internacionais de controle de transfer&ecirc;ncia de tecnologia militar ou dual. Agem com tenacidade e persist&ecirc;ncia para promover a n&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o de armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa, i.e. a posse de armas por terceiros pa&iacute;ses enquanto n&atilde;o promovem o (seu pr&oacute;prio) desarmamento, como prometeram ao assinar o TNP. Sofisticam cada vez mais suas armas o que aumenta o hiato de poder militar, entre eles e os demais pa&iacute;ses, e ampliaram seu sistema de tratados de coopera&ccedil;&atilde;o e assist&ecirc;ncia militar, base jur&iacute;dica que permitiria justificar eventuais a&ccedil;&otilde;es militares. </p>
<p>	9. Assim, intervieram militarmente, sob variados pretextos, em todos os continentes: na Rep&uacute;blica Dominicana, na Guatemala, no Vietn&atilde;, na Nicar&aacute;gua, em Granada, no Panam&aacute;, no L&iacute;bano, no Iraque, na Som&aacute;lia, no Afeganist&atilde;o etc. em uma longa lista de pa&iacute;ses que, de uma forma ou outra, se opuseram, com maior ou menor tenacidade, ao exerc&iacute;cio de sua hegemonia, ou com o objetivo de fazer com que as press&otilde;es e eventuais interven&ccedil;&otilde;es viessem a servir de exemplo para Estados que parecessem ter a inten&ccedil;&atilde;o de alcan&ccedil;ar maior independ&ecirc;ncia. </p>
<p>	10. N&atilde;o houve, praticamente, nenhum ano em que os Estados Unidos n&atilde;o estivessem em guerra, maior ou menor, desde 1945. Sempre que poss&iacute;vel procuraram o aval e a autoriza&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via de organiza&ccedil;&otilde;es internacionais de car&aacute;ter universal, como o Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU, ou regional como a OEA e o CARICOM, ou de tratados bilaterais. Quando isto se revelou dif&iacute;cil ou imposs&iacute;vel agiram unilateralmente, com a busca de apoio, ainda que simb&oacute;lico, de outros pa&iacute;ses. No Iraque, a t&iacute;tulo de exemplo desse apoio simb&oacute;lico, no momento da invas&atilde;o, em 2003, os Estados Unidos tinham 148.000 homens e a segunda maior for&ccedil;a era a do Reino Unido com 45.000 homens, seguida de contigentes muito menores de outros pa&iacute;ses. &Eacute; preciso notar que os Estados Unidos n&atilde;o participam de nenhuma organiza&ccedil;&atilde;o militar ou de nenhuma opera&ccedil;&atilde;o militar multilateral ou de coaliz&atilde;o em que suas tropas se submetam a comando estrangeiro.</p>
<p>	11. Na economia, os Estados Unidos, confiantes na capacidade de competir de suas grandes empresas, que viriam a se tornar mega empresas multinacionais, em um mundo de economias destro&ccedil;adas, em especial na Europa Ocidental, em um primeiro momento procuraram, atrav&eacute;s do BIRD e depois do Plano Marshall, reconstru&iacute;-lo e garantir o acesso a esses mercados, tanto de bens como de capitais. Viram eles no apoio aos movimentos nativos de descoloniza&ccedil;&atilde;o uma oportunidade de reduzir o poder e o controle das pot&ecirc;ncias coloniais e, ao mesmo tempo, de facilitar a penetra&ccedil;&atilde;o de suas mega-empresas nos mercados das futuras ex-col&ocirc;nias europ&eacute;ias. Na &aacute;rea econ&ocirc;mica, tem sido permanente o objetivo de garantir o acesso a mat&eacute;rias-primas estrat&eacute;gicas, como o ur&acirc;nio e, em especial, ao petr&oacute;leo, d&iacute;namo essencial de sua economia, que se encontra na raiz das complexas quest&otilde;es do Oriente Pr&oacute;ximo: Palestina, Iraque, Ir&atilde;, Ar&aacute;bia Saudita etc.</p>
<p>	12. Na execu&ccedil;&atilde;o de sua estrat&eacute;gia econ&ocirc;mica procuram os Estados Unidos promover em todos os pa&iacute;ses a liberaliza&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio exterior e dos fluxos de capitais enquanto mant&ecirc;m protegidos os seus mercados internos para aqueles setores menos competitivos, a come&ccedil;ar pela agricultura. Isto sempre ocorreu, e os casos recentes s&atilde;o exemplares, como os do algod&atilde;o, do suco de laranja e do etanol. A&iacute;, perdedores em processos de arbitramento multilateral em organiza&ccedil;&otilde;es de que fazem parte, mant&eacute;m suas pol&iacute;ticas que foram consideradas ilegais. Em outra &aacute;rea, aplicam restri&ccedil;&otilde;es a investimentos chineses e &aacute;rabes, arg&uuml;indo raz&otilde;es de seguran&ccedil;a econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica. Sua devo&ccedil;&atilde;o &agrave;s livres for&ccedil;as de mercado &eacute; condicionada, portanto, a seus interesses nacionais e pol&iacute;ticos e as vultosas opera&ccedil;&otilde;es de salvamento, pelo Estado americano, de seus bancos e mega empresas durante a crise, que se iniciou em 2008, bem confirmam esta interpreta&ccedil;&atilde;o de sua vis&atilde;o ideol&oacute;gica.</p>
<p>	13. A restri&ccedil;&atilde;o &agrave; difus&atilde;o de tecnologia, em especial a tecnologia dual de ponta, i.e. de uso civil e militar, seria uma pol&iacute;tica indispens&aacute;vel para manter a hegemonia econ&ocirc;mica e militar americana. O sistema de restri&ccedil;&otilde;es &agrave; transfer&ecirc;ncia de tecnologia sens&iacute;vel foi organizado tendo como o seu n&uacute;cleo o Tratado de N&atilde;o-Prolifera&ccedil;&atilde;o &#8211; TNP e arranjos conexos, tais como o MTCR &ndash; Regime de Controle de Tecnologia de M&iacute;sseis &ndash;, o Acordo de Wassenaar, que coordena as exporta&ccedil;&otilde;es de itens de tecnologia sens&iacute;vel, e o NSG &ndash; Grupo de Supridores Nucleares &ndash;, e pelo permanente esfor&ccedil;o de fortalecimento do sistema de patentes no &acirc;mbito da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Com&eacute;rcio &#8211; OMC e de amea&ccedil;as e san&ccedil;&otilde;es unilaterais a terceiros pa&iacute;ses, atrav&eacute;s das leis americanas de com&eacute;rcio.</p>
<p>	14. Todavia, entre todos os seus objetivos de pol&iacute;tica externa o mais importante seria manter a hegemonia ideol&oacute;gica que fora conquistada em quase todas as sociedades devido a sua vit&oacute;ria sobre o hediondo regime nazista. Esta hegemonia corresponde &agrave; capacidade de convencer todos os pa&iacute;ses da superioridade do Estado americano e de sua sociedade e, em especial, a partir de 1945, em compara&ccedil;&atilde;o com o modelo sovi&eacute;tico; do car&aacute;ter benigno, desinteressado, altru&iacute;sta e sincero da pol&iacute;tica exterior americana; da efici&ecirc;ncia superior de sua economia; da maior viabilidade de seu modelo econ&ocirc;mico e da possibilidade de poder ser ele adotado por qualquer pa&iacute;s.</p>
<p>	<b>Os abismos</b></p>
<p>	15. Um indicador da crescente hegemonia pol&iacute;tica norte-americana &eacute; a ressurrei&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas ap&oacute;s a ascens&atilde;o de Boris Ieltsin e Alexandre Kozirev, que alinharam a pol&iacute;tica russa &agrave; pol&iacute;tica exterior americana. Na pr&aacute;tica, este alinhamento redundou no desaparecimento dos vetos russos, que passaram de um total de 118 no per&iacute;odo 1945-1991 para quatro no per&iacute;odo 1992-2009. Como resultado, os Estados Unidos obtiveram, inclusive sem a oposi&ccedil;&atilde;o da China, apoio para suas a&ccedil;&otilde;es de puni&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, atrav&eacute;s de san&ccedil;&otilde;es comerciais e outras de toda a ordem, com base no Cap&iacute;tulo VI da Carta da ONU, e de a&ccedil;&atilde;o militar, com base no Cap&iacute;tulo VII. Como cada pa&iacute;s &eacute; obrigado pela Carta a cumprir as san&ccedil;&otilde;es impostas pelo Conselho a terceiros pa&iacute;ses, sem ter participado do processo de decis&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a, quer estas san&ccedil;&otilde;es contrariem ou n&atilde;o os seus interesses nacionais, a nova situa&ccedil;&atilde;o ampliou o exerc&iacute;cio da hegemonia americana, inclusive sob o manto multilateral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Em decorr&ecirc;ncia da estrat&eacute;gia americana, o abismo pol&iacute;tico se aprofundou.</p>
<p>	16. O hiato militar entre, de um lado, os Estados Unidos e, de outro, todos os demais pa&iacute;ses, tomados em conjunto, cresceu de forma significativa a partir de 1945, devido a duas pol&iacute;ticas: a primeira, a de impedir que os demais pa&iacute;ses tivessem acesso &agrave; tecnologia nuclear e &agrave; tecnologia dual e, a segunda, a de desenvolver novas tecnologias, cada vez mais sofisticadas. Estas duas pol&iacute;ticas fizeram com que a dist&acirc;ncia entre a Am&eacute;rica, mesmo entre ela e as pot&ecirc;ncias industriais, e sobretudo em rela&ccedil;&atilde;o aos pa&iacute;ses subdesenvolvidos da periferia, se ampliasse e se tornasse um abismo, quando comparada &agrave; situa&ccedil;&atilde;o em 1945.</p>
<p>	17. Em 1988, as despesas militares americanas eram de US$ 533 bilh&otilde;es. Entre 1988 e 2009 tiveram um aumento acumulado de US$ 10.376 bilh&otilde;es. O segundo pa&iacute;s em despesas militares, a URSS (mais tarde R&uacute;ssia) era, em 1988, de US$ 339 bilh&otilde;es. O acumulado de despesas russas entre 1988 e 2009 foi de US$ 1.683 bilh&otilde;es. A dist&acirc;ncia de poder militar, medida em termos de despesas, que refletem o ac&uacute;mulo e a sofistica&ccedil;&atilde;o dos armamentos, entre os dois pa&iacute;ses aumentou de US$ 199 bilh&otilde;es em 1988 para US$ 8.693 bilh&otilde;es em 2009. Entre os Estados Unidos, de um lado, e todos os demais pa&iacute;ses, de outro, esta dist&acirc;ncia aumentou muito mais.</p>
<p>	18. Nos &uacute;ltimos 20 anos, a dist&acirc;ncia econ&ocirc;mica, i.e., de n&iacute;vel de vida m&eacute;dio, de quantidade de bens &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para consumo e produ&ccedil;&atilde;o, entre os habitantes dos pa&iacute;ses desenvolvidos e os habitantes dos pa&iacute;ses subdesenvolvidos n&atilde;o cessou de crescer at&eacute; a crise de 2008. Em 1988, a renda per capita m&eacute;dia dos oito principais pa&iacute;ses desenvolvidos (Estados Unidos, Jap&atilde;o, Alemanha, Fran&ccedil;a, Reino Unido, It&aacute;lia, Canad&aacute; e Austr&aacute;lia) era de US$ 18.000, e a renda m&eacute;dia per capita dos oito principais pa&iacute;ses subdesenvolvidos (China, &Iacute;ndia, Brasil, R&uacute;ssia, Indon&eacute;sia, M&eacute;xico, Argentina e &Aacute;frica do Sul), era de US$ 1.300. A diferen&ccedil;a de renda per capita era, em 1988, de US$ 16.700. Em 2008, a renda per capita m&eacute;dia desses oito pa&iacute;ses desenvolvidos atingiu US$ 43.000 e a renda m&eacute;dia per capita daqueles oito pa&iacute;ses subdesenvolvidos chegou a US$ 6.000. A diferen&ccedil;a de renda per capita entre os dois grupos de pa&iacute;ses aumentou de US$ 16.700 para US$ 37.000. O abismo de renda, de n&iacute;vel de vida m&eacute;dio, se aprofundou. A hegemonia econ&ocirc;mica americana, medida pela presen&ccedil;a de suas mega empresas em todos os pa&iacute;ses, pela sua participa&ccedil;&atilde;o no com&eacute;rcio mundial, pela gera&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias e pela dimens&atilde;o de sua economia, sobrevive e se expande.</p>
<p>	19. O abismo ideol&oacute;gico entre os Estados Unidos e os demais pa&iacute;ses aumentou. A cria&ccedil;&atilde;o de grandes conglomerados de entretenimento/informa&ccedil;&atilde;o; os canais globais televisivos de not&iacute;cias; a desarticula&ccedil;&atilde;o das estruturas nacionais de produ&ccedil;&atilde;o audiovisual, mesmo em pa&iacute;ses desenvolvidos; o predom&iacute;nio do notici&aacute;rio gerado pelas ag&ecirc;ncias de not&iacute;cias americanas; os vastos programas de forma&ccedil;&atilde;o educacional e profissional em todas as &aacute;reas, inclusive militar; a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em termos absolutos e comparados; o n&uacute;mero de pr&ecirc;mios Nobel conquistados; a capacidade de recrutar talentos em todo o mundo fazem com que a influ&ecirc;ncia cultural, cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica americana seja extraordin&aacute;ria, e maior do que era em 1945, devido &agrave; acelera&ccedil;&atilde;o do progresso cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico. O fosso aumentou e n&atilde;o h&aacute; nenhuma outra civiliza&ccedil;&atilde;o &#8211; russa, chinesa, brasileira ou japonesa &#8211; que disponha do mesmo arsenal de meios e recursos e da mesma flexibilidade do idioma e da cultura para se contrapor &agrave; americana.</p>
<p>	<b>A hist&oacute;ria do Brasil no contexto da hegemonia</b></p>
<p>	20. Diante do amplo e complexo panorama da estrat&eacute;gia de implementa&ccedil;&atilde;o dessas diretrizes de pol&iacute;tica exterior americana, se colocam as rela&ccedil;&otilde;es entre o Brasil e os Estados Unidos de 1950 a 1990, documentadas, descritas e analisadas, em todas as suas perip&eacute;cias e tens&otilde;es, por Moniz Bandeira, em sua obra &ldquo;Brasil-Estados Unidos: a Rivalidade Emergente&rdquo;. Sua leitura &eacute; essencial a todos os brasileiros, pol&iacute;ticos, diplomatas, militares, intelectuais, empres&aacute;rios e trabalhadores que desejarem melhor interpretar a pol&iacute;tica externa brasileira e &eacute; ela que provoca as reflex&otilde;es desse pref&aacute;cio.</p>
<p>	21. Brasil e Estados Unidos s&atilde;o sociedades, economias e Estados que apresentam semelhan&ccedil;as estruturais. S&atilde;o pa&iacute;ses de grande dimens&atilde;o territorial, semelhante e cont&iacute;nua. Ambos det&ecirc;m em seu territ&oacute;rio uma variada gama de recursos minerais, suas agriculturas s&atilde;o muito produtivas e seus parques industriais, sofisticados. Brasil e Estados Unidos s&atilde;o pa&iacute;ses de grande popula&ccedil;&atilde;o, sociedades multi&eacute;tnicas, com grandes contingentes de origem europ&eacute;ia e africana. Ambos s&atilde;o pa&iacute;ses democr&aacute;ticos e sua cultura &eacute; de origem e de matriz ocidental. O Estado brasileiro &eacute;, como o Estado americano, organizado sob a forma de federa&ccedil;&atilde;o, ainda que seu sistema jur&iacute;dico seja fundado no direito romano e o dos Estados Unidos no direito anglo-sax&atilde;o, cuja base &eacute; a common law, i.e., a jurisprud&ecirc;ncia e os costumes.</p>
<p>	22. Os Estados Unidos s&atilde;o, desde o final do s&eacute;culo XIX e ainda mais a partir de 1945, a maior pot&ecirc;ncia econ&ocirc;mica do mundo; seus ex&eacute;rcitos e suas sofisticadas armas a fazem a maior pot&ecirc;ncia militar do planeta; sua capacidade de gerar conceitos e de divulg&aacute;-los a tornaram a maior pot&ecirc;ncia ideol&oacute;gica e cultural; sua criatividade e sua capacidade de atrair talentos de todas as partes a fazem a maior pot&ecirc;ncia cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica do mundo. Os Estados Unidos det&ecirc;m, ademais, a moeda de reserva e de curso internacional, o d&oacute;lar, e s&atilde;o, sem d&uacute;vida, para os grandes capitalistas, sejam eles mega empresas, mega bancos, mega fundos ou indiv&iacute;duos de alta renda, o centro do sistema capitalista internacional e seu baluarte. Estes sucessos americanos se encontram, em realidade, entrela&ccedil;ados. A elite americana est&aacute; absolutamente convencida de que tudo o que se passa em todos os pa&iacute;ses que integram o sistema internacional &eacute; de interesse para sua sociedade e para sua sobreviv&ecirc;ncia. </p>
<p>	Os Estados Unidos se apresentam, com tranq&uuml;ilidade, seguran&ccedil;a e auto-estima, como o pa&iacute;s l&iacute;der da civiliza&ccedil;&atilde;o ocidental e, hoje, como o l&iacute;der mundial de todas as na&ccedil;&otilde;es, o Estado mais democr&aacute;tico, a economia mais eficiente, a pot&ecirc;ncia militar mais poderosa. Por essas raz&otilde;es se atribuem, com naturalidade, o direito de dizer a cada pa&iacute;s como deve se organizar econ&ocirc;mica e politicamente e como deve orientar sua pol&iacute;tica externa. Em casos extremos, se arvoram o supremo direito de exigir que mudem de regime pol&iacute;tico e, se falham a persuas&atilde;o e a coopta&ccedil;&atilde;o, o fazem atrav&eacute;s de sua pol&iacute;tica, denominada, sem disfarces, de &ldquo;regime change&rdquo; (mudan&ccedil;a de regime), em desafio aos princ&iacute;pios de n&atilde;o-interven&ccedil;&atilde;o e de auto-determina&ccedil;&atilde;o, consagrados na Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, princ&iacute;pios que exigem que os demais pa&iacute;ses cumpram. Os Estados Unidos s&atilde;o, sem sombra de d&uacute;vida, o centro do Imp&eacute;rio.</p>
<p>	23. O Brasil, devido a circunst&acirc;ncias hist&oacute;ricas, pol&iacute;ticas, econ&ocirc;micas e sociais, ainda &eacute; um pa&iacute;s que est&aacute; longe de ter desenvolvido todo o seu potencial. &Eacute; um pa&iacute;s cuja principal caracter&iacute;stica s&atilde;o suas extraordin&aacute;rias e gritantes disparidades sociais e econ&ocirc;micas que fazem com que se classifique entre as quatro situa&ccedil;&otilde;es nacionais mais desiguais do mundo. O Brasil &eacute; um Estado vulner&aacute;vel pol&iacute;tica e militarmente, apesar dos esfor&ccedil;os feitos nos &uacute;ltimos anos e dos resultados que foram alcan&ccedil;ados. Reduziu-se a vulnerabilidade externa, retomou-se a constru&ccedil;&atilde;o da infraestrutura f&iacute;sica, estradas, energia, portos, e social (escolas, hospitais, etc); reduziram-se de forma radical a pobreza e a mis&eacute;ria e o Brasil passou, com galhardia, pela grave crise econ&ocirc;mica e financeira, iniciada em 2008 e que ainda permanece em 2011. Enquanto os pa&iacute;ses do G-7, segundo o FMI, viram o seu PIB se reduzir em 3,5% em 2009, o PIB brasileiro caiu apenas 0,2%; enquanto os Estados Unidos perderam 7,3 milh&otilde;es de empregos em 2008 e 2009, a economia brasileira gerou 2,5 milh&otilde;es (e mais 2,5 milh&otilde;es em 2010). O Brasil atravessa um momento de sua Hist&oacute;ria em que as classes populares, conduzidas pelo PT e pelos partidos progressistas, sob a lideran&ccedil;a do Presidente Lula, iniciaram um processo de transforma&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica e social para construir uma sociedade democr&aacute;tica de massas. Todavia, diferente dos Estados Unidos, &eacute; o Brasil um pa&iacute;s subdesenvolvido, na periferia do sistema internacional.</p>
<p>	24. &Eacute; natural que os Estados Unidos, testemunhando a emerg&ecirc;ncia de um pa&iacute;s com a riqueza e o potencial do Brasil, se tenham sentido desafiados, quando se iniciou esse processo, por volta de 1950, com Get&uacute;lio Vargas, em sua hegemonia, que desejam incontest&aacute;vel nas Am&eacute;ricas, a &aacute;rea geopol&iacute;tica mais pr&oacute;xima de seu territ&oacute;rio. &Eacute; natural que o Brasil, diante da aspira&ccedil;&atilde;o e da obriga&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica de sua sociedade de superar os desafios das desigualdades, das vulnerabilidades e da realiza&ccedil;&atilde;o de seu potencial, tenha encontrado, desde que iniciou os primeiros esfor&ccedil;os nesse sentido, a suspeita e mais tarde a rivalidade americana. Da&iacute; a propriedade do t&iacute;tulo que sintetiza a subst&acirc;ncia desta obra de Moniz Bandeira que examina esse per&iacute;odo da hist&oacute;ria brasileira e as iniciativas de supera&ccedil;&atilde;o de sua condi&ccedil;&atilde;o de atraso e de semi-col&ocirc;nia: &ldquo;Brasil-Estados Unidos: a rivalidade emergente, 1950-1990&rdquo;.</p>
<p>	25. O Brasil vive um momento de transforma&ccedil;&atilde;o da natureza da inser&ccedil;&atilde;o de sua sociedade e de seu Estado no sistema internacional. A estrutura do com&eacute;rcio exterior se alterou, reduzindo muit&iacute;ssimo a depend&ecirc;ncia da economia brasileira n&atilde;o s&oacute; em rela&ccedil;&atilde;o a terceiros mercados como em rela&ccedil;&atilde;o a produtos espec&iacute;ficos; os fluxos de investimento direto estrangeiro se diversificaram, com o aumento significativo da participa&ccedil;&atilde;o de capitais de novas origens; o Brasil passou de devedor a credor internacional, acumulando reservas que quase chegam a U$ 300 bilh&otilde;es, maiores que as da Fran&ccedil;a, da Inglaterra e da Alemanha; o Brasil passou a exportar capitais, atrav&eacute;s de empr&eacute;stimos e investimentos diretos de empresas brasileiras no exterior.</p>
<p>	26. Na pol&iacute;tica internacional, a participa&ccedil;&atilde;o do Brasil passou a ser a de um ator importante, e com presen&ccedil;a cada vez mais solicitada, no trato pol&iacute;tico de quest&otilde;es como a do Oriente Pr&oacute;ximo, do Haiti, da luta contra a pobreza, da reforma das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, da crise econ&ocirc;mica internacional, da gest&atilde;o do G-20 financeiro, da a&ccedil;&atilde;o do G-20 comercial, da crise ambiental e na din&acirc;mica pol&iacute;tica regional. Assim, o conhecimento n&atilde;o-midi&aacute;tico, n&atilde;o-jornal&iacute;stico, das quest&otilde;es internacionais, da evolu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa brasileira e de sua estrat&eacute;gia se torna essencial para compreender e para participar, de forma n&atilde;o preconceituosa, do debate, cada vez mais intenso, sobre o novo papel internacional do Brasil.</p>
<p>	27. O Professor Luiz Alberto Moniz Bandeira construiu, no curso de d&eacute;cadas, uma obra hist&oacute;rica que permite compreender, de um &acirc;ngulo brasileiro, o sistema internacional, seu contexto e sua din&acirc;mica e, em especial, entender o momento hist&oacute;rico que se inicia em 1950 quando come&ccedil;a a se transformar a natureza da inser&ccedil;&atilde;o do Brasil no mundo.</p>
<p>	28. Suas obras tratam com profundidade, e a partir da an&aacute;lise de extensa documenta&ccedil;&atilde;o, de temas de grande interesse para a pol&iacute;tica externa atual, desde O Expansionismo Brasileiro e a forma&ccedil;&atilde;o dos Estados na Bacia do Prata; De Mart&iacute; a Fidel &ndash; a revolu&ccedil;&atilde;o cubana e a Am&eacute;rica Latina; Brasil, Argentina e Estados Unidos &ndash; conflito e integra&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica do Sul; Forma&ccedil;&atilde;o do Imp&eacute;rio Americano; F&oacute;rmula para o Caos, e de t&oacute;picos da pol&iacute;tica interna e externa brasileira, tais como Presen&ccedil;a dos Estados Unidos no Brasil (Dois s&eacute;culos de hist&oacute;ria); O Governo Jo&atilde;o Goulart; As rela&ccedil;&otilde;es perigosas: Brasil-Estados Unidos (De Collor a Lula) e Brasil-Estados Unidos: a rivalidade emergente, que agora &eacute; re-editada, e revista, e que trata do per&iacute;odo que vai de 1950 a 1990. Todas obras indispens&aacute;veis para aqueles que necessitam conhecer a hist&oacute;ria recente brasileira.</p>
<p>	29. A import&acirc;ncia dos Estados Unidos para a economia, a pol&iacute;tica e a sociedade brasileira foi, desde a II Guerra Mundial, e ainda &eacute;, extraordin&aacute;ria: a rec&iacute;proca nunca foi verdadeira no passado nem ainda &eacute;, mas vir&aacute; a ser, no futuro, igualmente extraordin&aacute;ria.</p>
<p>	30. Alguns n&uacute;meros servem para revelar essa import&acirc;ncia e para explicar (mas n&atilde;o para justificar) o comportamento de l&iacute;deres pol&iacute;ticos brasileiros em determinados momentos face &agrave;s demandas e &agrave;s press&otilde;es americanas. Por volta de 1950, o caf&eacute; representava cerca da metade das nossas exporta&ccedil;&otilde;es, enquanto que os Estados Unidos n&atilde;o s&oacute; compravam 50% do caf&eacute; brasileiro como eram, ademais, o nosso principal parceiro comercial, com uma parcela de cerca de 40% do interc&acirc;mbio externo brasileiro, importa&ccedil;&otilde;es mais exporta&ccedil;&otilde;es. Por volta de 1980, noventa por cento do petr&oacute;leo utilizado no Brasil era importado e o petr&oacute;leo representava mais de 50% de nossas importa&ccedil;&otilde;es. As varia&ccedil;&otilde;es de seu pre&ccedil;o tinham grande impacto, para o bem ou para o mal, sobre a economia brasileira. Naquela &eacute;poca, as importa&ccedil;&otilde;es americanas provenientes do Brasil representavam cerca de 2% do total das importa&ccedil;&otilde;es americanas enquanto que as exporta&ccedil;&otilde;es americanas para o Brasil representavam cerca de 1,5% do total das exporta&ccedil;&otilde;es americanas para o mundo.</p>
<p>	31. Diante dessa situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia econ&ocirc;mica &eacute; que se pode avaliar a import&acirc;ncia e a coragem de a&ccedil;&otilde;es decisivas para o desenvolvimento de nosso pa&iacute;s, como foram a de negociar a participa&ccedil;&atilde;o na Segunda Guerra Mundial em troca do financiamento da constru&ccedil;&atilde;o da Companhia Sider&uacute;rgica Nacional &ndash; CSN (o que somente ocorreu ap&oacute;s relutante apoio americano) e a cria&ccedil;&atilde;o, por Get&uacute;lio Vargas, da Petrobr&aacute;s, em 1954, essencial para alcan&ccedil;ar a autonomia energ&eacute;tica. Vargas, t&atilde;o duramente combatido pelas mesmas correntes pol&iacute;ticas que historicamente, e at&eacute; hoje, se op&otilde;em &agrave; autonomia do Brasil, que defendem seu ingresso subordinado em outros blocos, de forma direta ou sob o eufemismo de abertura e de inser&ccedil;&atilde;o, de qualquer forma, na globaliza&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica e hegem&ocirc;nica, cujo ritmo se reduziu mas n&atilde;o desapareceu com a crise de 2008. Seu l&iacute;der, o soci&oacute;logo e Presidente Fernando Henrique Cardoso, expressando o antagonismo das classes propriet&aacute;rias tradicionais e das elites intelectuais cosmopolitas, em certo momento declarou de p&uacute;blico: &ldquo;Nosso passado pol&iacute;tico ainda atravanca o presente e retarda o avan&ccedil;o da sociedade. Refiro-me ao legado da Era Vargas &ndash; ao seu modelo de desenvolvimento aut&aacute;rquico e ao seu Estado intervencionista&rdquo;!</p>
<p>	32. Hoje, o caf&eacute; representa 3% das exporta&ccedil;&otilde;es brasileiras, nosso maior parceiro comercial &eacute; a China, e o nosso principal produto, tanto no caso das exporta&ccedil;&otilde;es como no das importa&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o ultrapassa dez por cento do total. Os Estados Unidos t&ecirc;m representado, em m&eacute;dia, nos &uacute;ltimos anos, cerca de 17% de nossas exporta&ccedil;&otilde;es, se n&atilde;o considerarmos o ano cr&iacute;tico de 2009. A crise econ&ocirc;mico-financeira internacional permanece, apesar das flutua&ccedil;&otilde;es de atividade, nada indica seu fim pr&oacute;ximo e, pelo contr&aacute;rio, tudo aponta para a possibilidade de seu agravamento (ou de sua perman&ecirc;ncia, com a economia em depress&atilde;o). Mesmo ap&oacute;s o fim da crise, a participa&ccedil;&atilde;o americana na pauta comercial brasileira n&atilde;o dever&aacute; voltar aos seus antigos e elevados n&iacute;veis.</p>
<p>	33. A import&acirc;ncia dos Estados Unidos para o nosso com&eacute;rcio exterior (e para a parte de nossas elites a ele vinculada de uma forma ou de outra) se reduziu em muito. Assim, se esvaiu aos poucos a capacidade de os Estados Unidos utilizarem contra o Brasil os mesmos instrumentos de press&atilde;o comercial e pol&iacute;tica, que haviam utilizado no caso da Lei de Inform&aacute;tica, em 1987, ou das patentes farmac&ecirc;uticas. A possibilidade de que venham a amea&ccedil;ar o Brasil com san&ccedil;&otilde;es &eacute; remota pois sabem que, caso tentassem implement&aacute;-las, essas san&ccedil;&otilde;es seriam ineficazes. &Agrave;quela &eacute;poca, as san&ccedil;&otilde;es por parte dos Estados Unidos poderiam ser t&atilde;o eficazes que sua amea&ccedil;a fez com que as pr&oacute;prias elites brasileiras, atrav&eacute;s de ampla campanha de m&iacute;dia, e da mobiliza&ccedil;&atilde;o de intelectuais e economistas &ldquo;modernos&rdquo;, exigissem a revoga&ccedil;&atilde;o da Lei de Inform&aacute;tica, o que viria a ocorrer no mandato do Presidente Fernando Collor. A partir do momento de sua posse, os &ldquo;desejos&rdquo; americanos foram satisfeitos em cascata, e at&eacute; mesmo por antecipa&ccedil;&atilde;o, na medida em que o Governo Collor decidiu alinhar-se, sem nada obter ou pedir em troca, politicamente ao Ocidente e ao Consenso de Washington, economicamente.</p>
<p>	34. Um coment&aacute;rio decorre da reflex&atilde;o sobre os eventos analisados, de forma magistral, por Moniz Bandeira. O Presidente Jos&eacute; Sarney assumiu a Presid&ecirc;ncia em momento delicado da pol&iacute;tica brasileira, e foi capaz de conduzir a transi&ccedil;&atilde;o de um regime autorit&aacute;rio para um regime democr&aacute;tico, em situa&ccedil;&atilde;o de pertinaz crise econ&ocirc;mica. Garantiu a liberdade de imprensa, iniciou um processo de firme aproxima&ccedil;&atilde;o com a Argentina, base do futuro Mercosul, resistiu &agrave;s press&otilde;es para adotar medidas de arb&iacute;trio, convocou a Assembl&eacute;ia Constituinte, promulgou a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 e presidiu, com serenidade, uma campanha eleitoral de grande viol&ecirc;ncia verbal contra si e contra sua fam&iacute;lia. Desempenhou papel fundamental, garantindo o sucesso da transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, ap&oacute;s a queda do regime civil-militar de 1964, e apoiou programas estrat&eacute;gicos vitais para o Brasil, como os programas nuclear, o espacial e o cibern&eacute;tico. Ao resistir &agrave;s press&otilde;es americanas para desmantelar esses programas, contrariou poderosos interesses, econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos, nacionais e alien&iacute;genas. Talvez esta tenha sido a raz&atilde;o do antagonismo sistem&aacute;tico que viria a permear setores da m&iacute;dia contra a sua pessoa.</p>
<p>	35. Os investimentos diretos e os financiamentos, origin&aacute;rios dos pa&iacute;ses exportadores de capital e que se destinam aos pa&iacute;ses subdesenvolvidos, fr&aacute;geis econ&ocirc;mica e politicamente, t&ecirc;m sido importantes na Hist&oacute;ria para construir la&ccedil;os de depend&ecirc;ncia econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica. Esses la&ccedil;os tornam poss&iacute;vel, sempre que as poderosas pot&ecirc;ncias credoras julgam necess&aacute;rio, o exerc&iacute;cio de press&otilde;es de toda ordem sobre os pa&iacute;ses subdesenvolvidos para que estes, mais fracos e devedores, modifiquem pol&iacute;ticas internas e posi&ccedil;&otilde;es externas, circunst&acirc;ncias que ficam expostas em diversas passagens da obra de Moniz Bandeira.</p>
<p>	36. Os investidores e financiadores da economia brasileira e de suas elites foram, at&eacute; a Grande Depress&atilde;o de 1929, as casas banc&aacute;rias europ&eacute;ias, em sua grande maioria inglesas. A rede de ferrovias que ligava as &aacute;reas do caf&eacute; do interior paulista (atividade central da pol&iacute;tica e da economia do Imp&eacute;rio e da Primeira Rep&uacute;blica), aos portos de exporta&ccedil;&atilde;o, foi financiada e constru&iacute;da por firmas inglesas, em um regime de garantia de retorno, i.e. de garantia de lucro, do investimento estrangeiro, atrav&eacute;s da inclus&atilde;o nos contratos da cl&aacute;usula ouro. Foram, por essas casas, financiadas a constru&ccedil;&atilde;o dos primeiros sistemas de transporte urbano e de ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica nas principais cidades do pa&iacute;s.</p>
<p>	37. At&eacute; a Grande Depress&atilde;o n&atilde;o havia ind&uacute;stria digna desse nome no Brasil. Foi o isolamento involunt&aacute;rio do Brasil em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; economia mundial entre 1929 e 1945, per&iacute;odo em que foi reduzida e quase eliminada a possibilidade de exportar caf&eacute;, que tornou dif&iacute;cil importar e transportar bens de consumo, o que estimulou o surgimento de ind&uacute;strias no pa&iacute;s, com o objetivo de produzir bens que substitu&iacute;ssem aqueles importados, consumidos principalmente pelas elites e classes m&eacute;dias urbanas. Dessa &eacute;poca datam a constru&ccedil;&atilde;o da primeira hidrel&eacute;trica projetada e constru&iacute;da por brasileiros, Paulo Afonso, e da usina de Volta Redonda, para produzir energia e a&ccedil;o, pilares indispens&aacute;veis &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de qualquer parque industrial s&oacute;lido.</p>
<p>	38. Um par&ecirc;ntesis aqui para uma observa&ccedil;&atilde;o heterodoxa. Todo processo de desenvolvimento econ&ocirc;mico de um pa&iacute;s, que corresponde ao aprendizado daquela sociedade em produzir bens, se faz pela substitui&ccedil;&atilde;o gradual de importa&ccedil;&otilde;es. Seria imposs&iacute;vel para qualquer sociedade agr&aacute;ria subdesenvolvida saltar do est&aacute;gio prim&aacute;rio-exportador para o est&aacute;gio de produ&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o de produtos industriais. Ali&aacute;s, o est&aacute;gio prim&aacute;rio-exportador &eacute; caracterizado em todos os pa&iacute;ses pela liberdade de c&acirc;mbio e tarifas baixas (usadas apenas para fins de arrecada&ccedil;&atilde;o), inclusive porque os bens industriais de consumo t&ecirc;m de ser importados, o que dificulta o surgimento de ind&uacute;strias locais (e de impostos sobre essa atividade). </p>
<p>	Assim, a id&eacute;ia de alguns economistas de que os pa&iacute;ses subdesenvolvidos poderiam optar livremente entre um modelo de crescimento pelas exporta&ccedil;&otilde;es e um modelo de substitui&ccedil;&atilde;o de importa&ccedil;&otilde;es &eacute; irreal. O caminho natural do desenvolvimento se inicia pela substitui&ccedil;&atilde;o de importa&ccedil;&otilde;es e pelo fortalecimento do incipiente capital nacional, o que, de um lado, requer a prote&ccedil;&atilde;o contra as importa&ccedil;&otilde;es estrangeiras mais competitivas e, de outro, faz surgir reclama&ccedil;&otilde;es de nacionais importadores e de interesses estrangeiros exportadores.</p>
<p>	39. A influ&ecirc;ncia financeira americana no Brasil come&ccedil;a a se expandir com os primeiros empr&eacute;stimos concedidos pela casa Dillon Reed, que viria a substituir os bancos ingleses, como a Casa Rothschild, enquanto que os investimentos diretos americanos viriam a substituir os capitais franceses e ingleses, que come&ccedil;aram a se retrair ap&oacute;s a I Guerra Mundial, enquanto que, por breve per&iacute;odo, surgiram os interesses alem&atilde;es, em competi&ccedil;&atilde;o com os americanos. Quando as dificuldades em aumentar exporta&ccedil;&otilde;es, e assim gerar as divisas necess&aacute;rias para realizar as importa&ccedil;&otilde;es de bens de capital e de bens de consumo de toda ordem, consumidos pelas elites e classes m&eacute;dias urbanas, tornaram necess&aacute;rio elevar as tarifas e implantar sistemas de administra&ccedil;&atilde;o e controle cambial, os investimentos americanos vieram para o Brasil aproveitar as oportunidades de mercado protegido que surgiram.</p>
<p>	40. Os investimentos diretos americanos aumentaram, de forma significativa, no per&iacute;odo entre 1945 e 1964, expandindo tamb&eacute;m sua participa&ccedil;&atilde;o no estoque de capital estrangeiro no Brasil. Nos &uacute;ltimos anos, a import&acirc;ncia estrat&eacute;gica dos investimentos americanos na economia diminuiu devido a novos investimentos espanh&oacute;is, portugueses, e agora chineses, sendo que estes &uacute;ltimos j&aacute; ultrapassaram a primeira dezena de bilh&atilde;o de d&oacute;lares. A participa&ccedil;&atilde;o do capital estrangeiro na forma&ccedil;&atilde;o de capital no Brasil n&atilde;o ultrapassa hoje 10%, ainda que se deva ressaltar sua import&acirc;ncia para a transfer&ecirc;ncia e assimila&ccedil;&atilde;o de tecnologia propriet&aacute;ria. &Eacute; verdade, por outro lado, que o aumento do estoque de capital estrangeiro d&aacute;, no futuro, origem a remessas significativas de lucros, o que &eacute; grave sempre que coincide com momentos em que o super&aacute;vit comercial diminui devido &agrave; redu&ccedil;&atilde;o das exporta&ccedil;&otilde;es, ou aumento das importa&ccedil;&otilde;es o que leva a situa&ccedil;&otilde;es peri&oacute;dicas de dificuldades no balan&ccedil;o de transa&ccedil;&otilde;es correntes, em especial quando h&aacute; crise econ&ocirc;mica nos pa&iacute;ses de origem do capital.</p>
<p>	41. Os financiamentos de organismos internacionais, que correspondiam a 1% do PIB, em 1984, n&atilde;o ultrapassam hoje 0,3%. A d&iacute;vida externa, p&uacute;blica e privada, com bancos comerciais, que amea&ccedil;avam o Pa&iacute;s, e que levaram &agrave; morat&oacute;ria nos anos 80, n&atilde;o existe mais. Foi substitu&iacute;da pela emiss&atilde;o de t&iacute;tulos de cr&eacute;dito pelo Tesouro Nacional e pelas empresas e que s&atilde;o tomados por investidores estrangeiros &agrave;s vezes institucionais, como fundos de pens&atilde;o. H&aacute; forte entrada de capitais especulativos, atra&iacute;dos pelas altas taxas de juro, que apesar de ser componente indesej&aacute;vel do ingresso de capital, devido a sua volatilidade, se tornou importante para o fechamento do balan&ccedil;o de pagamentos, permitindo equilibrar o d&eacute;ficit em transa&ccedil;&otilde;es que decorre das crescentes remessas de lucros, royalties, assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica, etc.</p>
<p>	42. No per&iacute;odo que vai de 1950 a 1990, que Moniz Bandeira examina nesta sua obra, os empr&eacute;stimos de bancos internacionais e de bancos oficiais eram essenciais para fechar as contas externas e foram instrumentos muitas vezes utilizados para procurar influenciar as pol&iacute;ticas interna e externa brasileiras. Assim ocorreu, por exemplo, com a recusa americana de autorizar empr&eacute;stimos do Fundo Monet&aacute;rio Internacional &ndash; FMI a Juscelino Kubitschek e a Jo&atilde;o Goulart e a de autoriz&aacute;-los rapidamente a Castelo Branco e a J&acirc;nio Quadros, conforme relata Moniz Bandeira.</p>
<p>	43. O estrangulamento cambial &eacute; hoje uma arma pol&iacute;tica imposs&iacute;vel de ser esgrimida por qualquer pa&iacute;s contra o Brasil. O Brasil tem reservas de quase 300 bilh&otilde;es de d&oacute;lares, pagou os credores oficiais que se re&uacute;nem e se coordenam no chamado Clube de Paris e resgatou os t&iacute;tulos da d&iacute;vida p&uacute;blica interna denominados em d&oacute;lar. O Brasil saldou sua d&iacute;vida com o FMI e, portanto, n&atilde;o est&aacute; mais sujeito &agrave; sua fiscaliza&ccedil;&atilde;o e &agrave; conseq&uuml;ente imposi&ccedil;&atilde;o legal (devido aos compromissos assumidos nos acordos de empr&eacute;stimo) de pol&iacute;ticas fiscais, monet&aacute;rias, cambiais e outras, inclusive no campo do trabalho, que s&atilde;o economicamente restritivas, e desestabilizadoras social e politicamente. </p>
<p>	44. J. Stiglitz, Pr&ecirc;mio Nobel de Economia, descreveu a pol&iacute;tica que os pa&iacute;ses desenvolvidos e os organismos internacionais, entre eles o FMI, recomendam e exigem dos pa&iacute;ses subdesenvolvidos: &ldquo;N&oacute;s pregamos aos pa&iacute;ses em desenvolvimento sobre a import&acirc;ncia da democracia, mas ent&atilde;o, quando se trata dos temas com os quais est&atilde;o mais preocupados, aqueles que afetam sua subsist&ecirc;ncia, a economia, afirmamos a eles: as leis de ferro da economia permitem a voc&ecirc;s pequena ou nenhuma escolha; e j&aacute; que voc&ecirc;s (atrav&eacute;s de seu processo pol&iacute;tico democr&aacute;tico) provavelmente far&atilde;o uma trapalhada, voc&ecirc;s t&ecirc;m de ceder as decis&otilde;es econ&ocirc;micas-chaves, digamos aquelas concernentes &agrave; pol&iacute;tica macroecon&ocirc;mica, a um Banco Central independente, quase sempre dominado por representantes da comunidade financeira; e para assegurar que voc&ecirc;s agir&atilde;o de acordo com os interesses da comunidade financeira, dizemos a voc&ecirc;s que devem se focar exclusivamente na infla&ccedil;&atilde;o &ndash; n&atilde;o se preocupem jamais com empregos ou crescimento; e para ficarmos seguros de que voc&ecirc;s far&atilde;o exatamente isto, dizemos a voc&ecirc;s para impor regras ao Banco Central, tais como expandir a oferta de moeda a uma taxa constante, e quando uma regra falha em conseguir o que se esperava, outra regra &eacute; recomendada, tal como metas de infla&ccedil;&atilde;o&rdquo; . <b>(2)</b></p>
<p>	45. Enfim, ap&oacute;s um longo per&iacute;odo de experimento, de crise e de estagna&ccedil;&atilde;o neoliberal, a transforma&ccedil;&atilde;o iniciada pelo governo do Presidente Lula levou &agrave; recupera&ccedil;&atilde;o da autonomia na pol&iacute;tica econ&ocirc;mica, &agrave; redu&ccedil;&atilde;o da vulnerabilidade externa, &agrave; reconstru&ccedil;&atilde;o da infra-estrutura, &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um mercado interno de massas, o que permite que a economia brasileira hoje se encontre menos dependente da economia internacional e menos sujeita, portanto, a press&otilde;es comerciais e financeiras de Grandes Pot&ecirc;ncias, entre elas os Estados Unidos. O fato de que o grau de abertura da economia brasileira era considerado baixo em compara&ccedil;&atilde;o com outros pa&iacute;ses e que isto seria um sinal de &ldquo;atraso&rdquo; segundo alguns cosmopolitas, e que, portanto, sua inser&ccedil;&atilde;o externa seria reduzida e o Brasil seria um pa&iacute;s &ldquo;aut&aacute;rquico&rdquo; seriam fatos que, ainda que verdadeiros, n&atilde;o permitem a dedu&ccedil;&atilde;o de &ldquo;atraso&rdquo;. Em realidade, foi esta situa&ccedil;&atilde;o de menor inser&ccedil;&atilde;o, inclusive na fraudulenta ciranda financeira, que permitiu que nos resguard&aacute;ssemos dos efeitos da crise e se salvasse a economia e a sociedade brasileira de mais uma d&eacute;cada perdida.</p>
<p>	46. Ao acompanhar a evolu&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas do Brasil com os Estados Unidos, no per&iacute;odo examinado por Moniz Bandeira, vemos que, de um lado, elas se entrela&ccedil;am e incidem sobre a aspira&ccedil;&atilde;o de parte significativa da elite dirigente brasileira de promover o desenvolvimento industrial. Esta aspira&ccedil;&atilde;o se confronta periodicamente com a pol&iacute;tica americana que decorre de sua convic&ccedil;&atilde;o de que o desenvolvimento brasileiro teria de ser o resultado natural da a&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as de mercado. Portanto, n&atilde;o necessitaria, nem deveria, ser estimulado ou conduzido pelo Estado brasileiro, a n&atilde;o ser para este adotar pol&iacute;ticas de liberaliza&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio exterior e dos fluxos de ingresso e sa&iacute;da de capitais. Desse modo, as iniciativas do Estado de procurar o desenvolvimento aut&ocirc;nomo da economia brasileira foram vistas com preocupa&ccedil;&atilde;o e resist&ecirc;ncia pelos Estados Unidos, que se recusaram sistematicamente a financi&aacute;-las.</p>
<p>	47. Assim ocorreu com a recusa dos Estados Unidos de estender ao Brasil, pa&iacute;s aliado que enviara tropas em 1944 &agrave; Europa e permitira o uso de seu territ&oacute;rio pelas for&ccedil;as americanas durante a Segunda Guerra Mundial, os esquemas de doa&ccedil;&atilde;o de capital e de empr&eacute;stimo, a juros subsidiados e condi&ccedil;&otilde;es muito favor&aacute;veis, ess&ecirc;ncia do Plano Marshall, concedidos aos antigos inimigos europeus. Tal recusa causaria impacto e consterna&ccedil;&atilde;o no Brasil, mesmo em sua elite pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica tradicional, e levaria, inclusive, &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o do chamado &ldquo;memorandum de frustra&ccedil;&atilde;o&rdquo;, pelo Chanceler Neves da Fontoura, pol&iacute;tico conservador, &agrave;s autoridades americanas, em 1953.</p>
<p>	48. O Plano de Metas do Presidente Juscelino Kubitschek foi visto com reservas pelo governo dos Estados Unidos. As empresas americanas n&atilde;o se interessaram em participar, de forma significativa, das pol&iacute;ticas de incentivo, i.e. de isen&ccedil;&otilde;es de impostos, de importa&ccedil;&atilde;o sem cobertura cambial, de doa&ccedil;&otilde;es de terrenos etc., aos investidores estrangeiros (diferentemente das empresas europ&eacute;ias, em especial alem&atilde;s). No campo pol&iacute;tico, a Opera&ccedil;&atilde;o Pan-Americana de Juscelino Kubitschek, inspirada pela fracassada viagem do Vice-Presidente Nixon pela Am&eacute;rica do Sul, em 1958, foi recebida com frieza pelo Presidente Eisenhower. Mais tarde J. F. Kennedy, substituindo a proposta do Brasil e distorcendo seu sentido desenvolvimentista, lan&ccedil;ou a Alian&ccedil;a para o Progresso, de car&aacute;ter assistencialista que, politicamente, permitiu se contrapor &agrave;s mensagens da Revolu&ccedil;&atilde;o Cubana e recuperar a imagem dos Estados Unidos na regi&atilde;o mas que, economicamente, em pouco resultou.</p>
<p>	49. No per&iacute;odo militar, de 1964 a 1985, os esfor&ccedil;os brasileiros para desenvolver conhecimento e capacita&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica em &aacute;reas sens&iacute;veis, como a nuclear e a inform&aacute;tica, foram obstaculizados sistematicamente pelos Estados Unidos, que amea&ccedil;aram e implementaram san&ccedil;&otilde;es comerciais unilaterais, ilegais, contra o Brasil, como ocorreu no caso da Lei de Inform&aacute;tica.</p>
<p>	50. Na &aacute;rea nuclear, &eacute; poss&iacute;vel verificar como se procurou construir, met&oacute;dica e midiaticamente, o &ldquo;perigo&rdquo; que representava a hipot&eacute;tica exist&ecirc;ncia de uma corrida armamentista entre Brasil e Argentina. Id&eacute;ia sem qualquer fundamento na realidade, devido ao est&aacute;gio industrial incipiente dos programas nucleares em cada pa&iacute;s, sendo que a mesma insufici&ecirc;ncia se aplicava &agrave; &aacute;rea espacial. Ali&aacute;s, o conflito militar entre Brasil e Argentina n&atilde;o teria motiva&ccedil;&otilde;es e causas profundas e, portanto, sua possibilidade pr&aacute;tica era, em realidade, pr&oacute;xima de zero. As restri&ccedil;&otilde;es americanas &agrave; transfer&ecirc;ncia de bens e de tecnologia nuclear levaram, paradoxalmente, ao desenvolvimento da tecnologia nuclear pelos engenheiros e cientistas brasileiros e &agrave; fabrica&ccedil;&atilde;o gradual desses bens, o que viria a permitir o an&uacute;ncio oficial do dom&iacute;nio completo tecnol&oacute;gico (mas n&atilde;o industrial) do ciclo nuclear, pelo Presidente Sarney, em 1988.</p>
<p>	51. Ocorreram momentos de inflex&atilde;o pol&iacute;tica devidos a c&iacute;clicas decep&ccedil;&otilde;es: as elites tradicionais brasileiras entretinham, apesar de todos os reveses sofridos em suas esperan&ccedil;as neocoloniais, expectativas de coopera&ccedil;&atilde;o com os Estados Unidos para obter tecnologia, para promover o desenvolvimento industrial, para expandir as exporta&ccedil;&otilde;es brasileiras. Faziam gestos e declara&ccedil;&otilde;es e tomavam atitudes de alinhamento com as iniciativas pol&iacute;ticas dos Estados Unidos e se defrontavam, na pr&aacute;tica, a cada volta do caminho, com a rea&ccedil;&atilde;o de governos de diferente &iacute;ndole, com a sistem&aacute;tica recusa americana de coopera&ccedil;&atilde;o, ou com sua relativa indiferen&ccedil;a, resultado, ali&aacute;s e inclusive, de um alinhamento pol&iacute;tico excessivo e subserviente aos Estados Unidos.</p>
<p>	<b>Hegemonia e pol&iacute;tica externa</b></p>
<p>	52. Vivemos o momento em que se desenvolve a estrat&eacute;gia de transformar a inser&ccedil;&atilde;o &ndash; pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica, tecnol&oacute;gica &ndash; no mundo atrav&eacute;s de uma nova a&ccedil;&atilde;o do Brasil na Am&eacute;rica do Sul, na &Aacute;frica, no Oriente Pr&oacute;ximo e nos organismos internacionais, diante das Grandes Pot&ecirc;ncias e na conquista de autonomia frente ao FMI. Esta estrat&eacute;gia foi conduzida pelo Presidente Lula, implementada pelo Chanceler Celso Amorim, escolhido pela mais importante revista americana de pol&iacute;tica internacional, a <i>Foreign Policy</i>, e por um dos tr&ecirc;s mais prestigiosos jornais americanos, o <i>Washington Post</i>, como a sexta mais importante personalidade do mundo, &agrave; frente de Hillary Clinton, Angela Merkel e de 92 outras personalidades, e com o aux&iacute;lio do Assessor para Politica Internacional do Presidente Lula, o Professor Marco Aur&eacute;lio Garcia. O momento atual &eacute; decisivo para o futuro do Brasil.</p>
<p>	53. &Eacute; indispens&aacute;vel para o Brasil manter a estrat&eacute;gia de reduzir a vulnerabilidade econ&ocirc;mica externa, o que significa o controle dos fluxos de capital especulativo e o est&iacute;mulo ao ingresso de capital produtivo; de reduzir a vulnerabilidade militar, o que significa o desenvolvimento de for&ccedil;as armadas modernas, adequadas, equipadas, adestradas e democr&aacute;ticas; de reduzir a vulnerabilidade pol&iacute;tica, o que significa lutar, com perseveran&ccedil;a e serenidade, para obter um assento permanente no Conselho de Seguran&ccedil;a, &oacute;rg&atilde;o central do sistema pol&iacute;tico e militar (tecnol&oacute;gico tamb&eacute;m) internacional, a cujas decis&otilde;es o Brasil hoje tem de obedecer sem participar do processo de negocia&ccedil;&atilde;o que leva a sua ado&ccedil;&atilde;o; de eliminar a vulnerabilidade tecnol&oacute;gica, que requer uma pol&iacute;tica de indu&ccedil;&atilde;o firme de transfer&ecirc;ncia de tecnologia pelo capital estrangeiro, que para aqui vem atra&iacute;do pelas perspectivas de lucro, e desenvolver no Brasil as tecnologias mais sofisticadas; de resistir aos esfor&ccedil;os internos e externos que levam, na pr&aacute;tica, a aumentar a vulnerabilidade de pol&iacute;tica econ&ocirc;mica, resist&ecirc;ncia que significa a recusa de se deixar incluir, formal ou disfar&ccedil;adamente, em qualquer bloco econ&ocirc;mico-pol&iacute;tico que n&atilde;o o sul-americano, em troca dos &ldquo;benef&iacute;cios&rdquo; desiguais de abertura assim&eacute;trica de mercados, acompanhados da redu&ccedil;&atilde;o de autonomia de instrumentos para promover pol&iacute;ticas de desenvolvimento acelerado; de desenvolver nosso potencial humano, nossos recursos naturais e nosso capital, atrav&eacute;s da forma&ccedil;&atilde;o de um mercado de massas, de capacita&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o-de-obra, do conhecimento dos recursos naturais, do fortalecimento de estruturas empresariais nacionais.</p>
<p>	54. &Eacute; necess&aacute;rio, prudente e proveitoso manter as melhores rela&ccedil;&otilde;es com as Grandes Pot&ecirc;ncias, devido &agrave; sua import&acirc;ncia no mundo em geral e para o Brasil em particular por&eacute;m com fundamento nos princ&iacute;pios da igualdade soberana, da reciprocidade, da n&atilde;o-interven&ccedil;&atilde;o e da autodetermina&ccedil;&atilde;o, sem jamais perder de vista que os interesses nacionais brasileiros, que s&atilde;o os de um pa&iacute;s subdesenvolvido, por&eacute;m de extraordin&aacute;rio potencial, n&atilde;o s&atilde;o id&ecirc;nticos aos interesses nacionais de cada uma das Grandes Pot&ecirc;ncias em geral e, muito menos, daquela que &eacute;, de longe, a maior pot&ecirc;ncia mundial, os Estados Unidos da Am&eacute;rica.</p>
<p>	55. Uma pol&iacute;tica altiva, ativa, soberana, n&atilde;o-intervencionista, n&atilde;o-impositiva, n&atilde;o-hegem&ocirc;nica, que lute pela paz e pela coopera&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica e social, em especial com os pa&iacute;ses vizinhos e irm&atilde;os sul-americanos, a come&ccedil;ar pelos pa&iacute;ses s&oacute;cios do Brasil no Mercosul, a quem nos une o destino comum, com os pa&iacute;ses da costa ocidental da &Aacute;frica, nossos vizinhos igualmente, e com os pa&iacute;ses a quem somos semelhantes: mega-populacionais; mega-territoriais; mega-diversos; mega-ambientais; mega-energ&eacute;ticos; mega-subdesenvolvidos; mega-desiguais. N&atilde;o podemos nos iludir. Nossos verdadeiros aliados s&atilde;o nossos vizinhos &ndash; daqui e de al&eacute;m-mar &#8211; com quem nosso destino pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico est&aacute; definitivamente entrela&ccedil;ado &ndash; e nossos semelhantes, os grandes Estados da periferia.</p>
<p>	<b>NOTAS</b><br />
	<i>(1) &ldquo;You have to pat them a little bit and make them think you are fond of them.&rdquo; Secretary of State John Foster Dulles, 1953. In Schoultz, Lars: Beneath the United States: a History of US Policy Toward Latin America; Harvard University Press, 1998.</p>
<p>	(2) &ldquo;We tell developing countries about the importance of democracy, but then, when it comes to the issues they are most concerned with, those that affect their livelihoods, the economy, they are told: the iron laws of economics give you little or no choice; and since you (through your democratic political process) are likely to mess things up, you must cede key economic decisions, say concerning macroeconomic policy, to an independent central bank, almost always dominated by representatives of the financial community; and to ensure that you act in the interests of the financial community, you are told to focus exclusively on inflation &ndash; never mind jobs or growth; and to make sure that you do just that, you are told to impose on the central bank rules, such as expanding the money supply at a constant rate; and when one rule fails to work as had been hoped, another rule is brought out, such as inflation targeting&rdquo;. Foreword by J. Stiglitz, in Polanyi, Karl: The Great Transformation; Beacon Press, 2001.</i></p>
<p class="texto">&nbsp;</p>
<p class="texto">Artigo originalmente publicado na ag&ecirc;ncia <strong><a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17505">Carta Maior</a></strong></p>
<img src="http://drrosinha.com.br/?ak_action=api_record_view&id=4679&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://drrosinha.com.br/brasil-eua-a-rivalidade-emergente-por-samuel-pinheiro-guimaraes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O golpe da CNA</title>
		<link>http://drrosinha.com.br/golpecn/</link>
		<comments>http://drrosinha.com.br/golpecn/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 16 Aug 2010 04:24:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[OUTROS AUTORES]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://drrosinha.com.br/?p=3179</guid>
		<description><![CDATA[A CNA da Senadora Kátia Abreu, que tenta vender a imagem de paladina da moralidade e legalidade, se utiliza, de forma criminosa, do brasão da República para achacar produtores rurais. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<link href="file:///C:%5CUsers%5CFernando%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List" /><!--[if gte mso 9]><xml><br />
 <o:OfficeDocumentSettings><br />
  <o:AllowPNG/><br />
  <o:TargetScreenSize>1024&#215;768</o:TargetScreenSize><br />
 </o:OfficeDocumentSettings><br />
</xml><![endif]-->
<link href="file:///C:%5CUsers%5CFernando%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData" />
<link href="file:///C:%5CUsers%5CFernando%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping" /><!--[if gte mso 9]><xml><br />
 <w:WordDocument><br />
  <w:View>Normal</w:View><br />
  <w:Zoom>0</w:Zoom><br />
  <w:TrackMoves/><br />
  <w:TrackFormatting/><br />
  <w:HyphenationZone>21</w:HyphenationZone><br />
  <w:PunctuationKerning/><br />
  <w:ValidateAgainstSchemas/><br />
  <w:SaveIfXMLInvalid>false</w:SaveIfXMLInvalid><br />
  <w:IgnoreMixedContent>false</w:IgnoreMixedContent><br />
  <w:AlwaysShowPlaceholderText>false</w:AlwaysShowPlaceholderText><br />
  <w:DoNotPromoteQF/><br />
  <w:LidThemeOther>PT-BR</w:LidThemeOther><br />
  <w:LidThemeAsian>X-NONE</w:LidThemeAsian><br />
  <w:LidThemeComplexScript>X-NONE</w:LidThemeComplexScript><br />
  <w:Compatibility><br />
   <w:BreakWrappedTables/><br />
   <w:SnapToGridInCell/><br />
   <w:WrapTextWithPunct/><br />
   <w:UseAsianBreakRules/><br />
   <w:DontGrowAutofit/><br />
   <w:SplitPgBreakAndParaMark/><br />
   <w:DontVertAlignCellWithSp/><br />
   <w:DontBreakConstrainedForcedTables/><br />
   <w:DontVertAlignInTxbx/><br />
   <w:Word11KerningPairs/><br />
   <w:CachedColBalance/><br />
  </w:Compatibility><br />
  <m:mathPr><br />
   <m:mathFont m:val="Cambria Math"/><br />
   <m:brkBin m:val="before"/><br />
   <m:brkBinSub m:val="&#45;-"/><br />
   <m:smallFrac m:val="off"/><br />
   <m:dispDef/><br />
   <m:lMargin m:val="0"/><br />
   <m:rMargin m:val="0"/><br />
   <m:defJc m:val="centerGroup"/><br />
   <m:wrapIndent m:val="1440"/><br />
   <m:intLim m:val="subSup"/><br />
   <m:naryLim m:val="undOvr"/><br />
  </m:mathPr></w:WordDocument><br />
</xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml><br />
 <w:LatentStyles DefLockedState="false" DefUnhideWhenUsed="true"<br />
  DefSemiHidden="true" DefQFormat="false" DefPriority="99"<br />
  LatentStyleCount="267"><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="0" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Normal"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="9" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="heading 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 4"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 5"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 6"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 7"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 8"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 9"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 4"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 5"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 6"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 7"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 8"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 9"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="35" QFormat="true" Name="caption"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="10" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Title"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="1" Name="Default Paragraph Font"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="0" Name="Body Text"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="11" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Subtitle"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="0" Name="Hyperlink"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="22" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Strong"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="20" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Emphasis"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="59" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Table Grid"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" UnhideWhenUsed="false" Name="Placeholder Text"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="1" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="No Spacing"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light List"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" UnhideWhenUsed="false" Name="Revision"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="34" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="List Paragraph"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="29" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Quote"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="30" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Intense Quote"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 1"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 2"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 3"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 4"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 4"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 4"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 4"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 4"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 4"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 4"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 4"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 4"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 4"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 4"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 4"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 4"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 4"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 5"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 5"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 5"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 5"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 5"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 5"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 5"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 5"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 5"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 5"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 5"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 5"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 5"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 5"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 6"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 6"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 6"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 6"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 6"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 6"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 6"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 6"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 6"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 6"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 6"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 6"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 6"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 6"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="19" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Subtle Emphasis"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="21" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Intense Emphasis"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="31" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Subtle Reference"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="32" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Intense Reference"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="33" SemiHidden="false"<br />
   UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Book Title"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="37" Name="Bibliography"/><br />
  <w:LsdException Locked="false" Priority="39" QFormat="true" Name="TOC Heading"/><br />
 </w:LatentStyles><br />
</xml><![endif]--><br />
<style>
<!--{cke_protected}%3C!%2D%2D%0A%20%2F*%20Font%20Definitions%20*%2F%0A%20%40font-face%0A%09%7Bfont-family%3A%22Cambria%20Math%22%3B%0A%09panose-1%3A2%204%205%203%205%204%206%203%202%204%3B%0A%09mso-font-charset%3A0%3B%0A%09mso-generic-font-family%3Aroman%3B%0A%09mso-font-pitch%3Avariable%3B%0A%09mso-font-signature%3A-1610611985%201107304683%200%200%20415%200%3B%7D%0A%40font-face%0A%09%7Bfont-family%3A%22Lucida%20Sans%20Unicode%22%3B%0A%09panose-1%3A2%2011%206%202%203%205%204%202%202%204%3B%0A%09mso-font-charset%3A0%3B%0A%09mso-generic-font-family%3Aswiss%3B%0A%09mso-font-pitch%3Avariable%3B%0A%09mso-font-signature%3A-2147480833%2014699%200%200%20191%200%3B%7D%0A%20%2F*%20Style%20Definitions%20*%2F%0A%20p.MsoNormal%2C%20li.MsoNormal%2C%20div.MsoNormal%0A%09%7Bmso-style-unhide%3Ano%3B%0A%09mso-style-qformat%3Ayes%3B%0A%09mso-style-parent%3A%22%22%3B%0A%09margin%3A0cm%3B%0A%09margin-bottom%3A.0001pt%3B%0A%09mso-pagination%3Anone%3B%0A%09mso-hyphenate%3Anone%3B%0A%09font-size%3A12.0pt%3B%0A%09font-family%3A%22Times%20New%20Roman%22%2C%22serif%22%3B%0A%09mso-fareast-font-family%3A%22Lucida%20Sans%20Unicode%22%3B%0A%09mso-font-kerning%3A.5pt%3B%0A%09mso-fareast-language%3A%2300FF%3B%7D%0Ap.MsoBodyText%2C%20li.MsoBodyText%2C%20div.MsoBodyText%0A%09%7Bmso-style-unhide%3Ano%3B%0A%09mso-style-link%3A%22Corpo%20de%20texto%20Char%22%3B%0A%09margin-top%3A0cm%3B%0A%09margin-right%3A0cm%3B%0A%09margin-bottom%3A6.0pt%3B%0A%09margin-left%3A0cm%3B%0A%09mso-pagination%3Anone%3B%0A%09mso-hyphenate%3Anone%3B%0A%09font-size%3A12.0pt%3B%0A%09font-family%3A%22Times%20New%20Roman%22%2C%22serif%22%3B%0A%09mso-fareast-font-family%3A%22Lucida%20Sans%20Unicode%22%3B%0A%09mso-font-kerning%3A.5pt%3B%0A%09mso-fareast-language%3A%2300FF%3B%7D%0Aa%3Alink%2C%20span.MsoHyperlink%0A%09%7Bmso-style-unhide%3Ano%3B%0A%09mso-style-parent%3A%22%22%3B%0A%09color%3Anavy%3B%0A%09mso-ansi-language%3A%2300FF%3B%0A%09mso-fareast-language%3A%2300FF%3B%0A%09mso-bidi-language%3A%2300FF%3B%0A%09text-decoration%3Aunderline%3B%0A%09text-underline%3Asingle%3B%7D%0Aa%3Avisited%2C%20span.MsoHyperlinkFollowed%0A%09%7Bmso-style-noshow%3Ayes%3B%0A%09mso-style-priority%3A99%3B%0A%09color%3Apurple%3B%0A%09mso-themecolor%3Afollowedhyperlink%3B%0A%09text-decoration%3Aunderline%3B%0A%09text-underline%3Asingle%3B%7D%0Aspan.CorpodetextoChar%0A%09%7Bmso-style-name%3A%22Corpo%20de%20texto%20Char%22%3B%0A%09mso-style-unhide%3Ano%3B%0A%09mso-style-locked%3Ayes%3B%0A%09mso-style-link%3A%22Corpo%20de%20texto%22%3B%0A%09mso-ansi-font-size%3A12.0pt%3B%0A%09mso-bidi-font-size%3A12.0pt%3B%0A%09font-family%3A%22Lucida%20Sans%20Unicode%22%2C%22sans-serif%22%3B%0A%09mso-fareast-font-family%3A%22Lucida%20Sans%20Unicode%22%3B%0A%09mso-font-kerning%3A.5pt%3B%0A%09mso-fareast-language%3A%2300FF%3B%7D%0A.MsoChpDefault%0A%09%7Bmso-style-type%3Aexport-only%3B%0A%09mso-default-props%3Ayes%3B%0A%09font-size%3A10.0pt%3B%0A%09mso-ansi-font-size%3A10.0pt%3B%0A%09mso-bidi-font-size%3A10.0pt%3B%7D%0A%40page%20WordSection1%0A%09%7Bsize%3A595.25pt%20841.85pt%3B%0A%09margin%3A2.0cm%202.0cm%202.0cm%202.0cm%3B%0A%09mso-header-margin%3A36.0pt%3B%0A%09mso-footer-margin%3A36.0pt%3B%0A%09mso-paper-source%3A0%3B%7D%0Adiv.WordSection1%0A%09%7Bpage%3AWordSection1%3B%7D%0A%40page%20WordSection2%0A%09%7Bsize%3A595.25pt%20841.85pt%3B%0A%09margin%3A2.0cm%202.0cm%202.0cm%202.0cm%3B%0A%09mso-header-margin%3A36.0pt%3B%0A%09mso-footer-margin%3A36.0pt%3B%0A%09mso-paper-source%3A0%3B%7D%0Adiv.WordSection2%0A%09%7Bpage%3AWordSection2%3B%7D%0A%40page%20WordSection3%0A%09%7Bsize%3A595.25pt%20841.85pt%3B%0A%09margin%3A2.0cm%202.0cm%202.0cm%202.0cm%3B%0A%09mso-header-margin%3A36.0pt%3B%0A%09mso-footer-margin%3A36.0pt%3B%0A%09mso-paper-source%3A0%3B%7D%0Adiv.WordSection3%0A%09%7Bpage%3AWordSection3%3B%7D%0A%2D%2D%3E-->
</style>
<p><!--[if gte mso 10]></p>
<style>
 /* Style Definitions */
 table.MsoNormalTable
	{mso-style-name:"Tabela normal";
	mso-tstyle-rowband-size:0;
	mso-tstyle-colband-size:0;
	mso-style-noshow:yes;
	mso-style-priority:99;
	mso-style-qformat:yes;
	mso-style-parent:"";
	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;
	mso-para-margin:0cm;
	mso-para-margin-bottom:.0001pt;
	mso-pagination:widow-orphan;
	font-size:11.0pt;
	font-family:"Calibri","sans-serif";
	mso-ascii-font-family:Calibri;
	mso-ascii-theme-font:minor-latin;
	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";
	mso-fareast-theme-font:minor-fareast;
	mso-hansi-font-family:Calibri;
	mso-hansi-theme-font:minor-latin;
	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";
	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;}
</style>
<p><![endif]--></p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="WordSection1">
<p class="MsoNormal"><strong>MILTON C&Eacute;SAR DA ROCHA</strong></p>
<p align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"><o:p>&nbsp;</o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">A Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional da Agricultura e Pecu&aacute;ria no Brasil &ndash; CNA &ndash; que tanto &ldquo;combate os crimes do MST&rdquo; -<span style="">&nbsp; </span>o Sindicato Rural Patronal de Astorga e a Federa&ccedil;&atilde;o da Agricultura do Estado do Paran&aacute; est&atilde;o enroladas com a Justi&ccedil;a Federal por conta de falcatruas contra os produtores rurais paranaenses.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><o:p>&nbsp;</o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Como &eacute; sabido ainda existe no Brasil um excrec&ecirc;ncia chamada imposto ou contribui&ccedil;&atilde;o sindical paga pelas categorias econ&ocirc;mica e profissional.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><o:p>&nbsp;</o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">No caso das categorias profissionais o<span style="">&nbsp; </span>&ldquo;imposto sindical&rdquo; &eacute; descontado na folha do m&ecirc;s de mar&ccedil;o (um dia de servi&ccedil;o).</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><o:p>&nbsp;</o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">No caso das categorias econ&ocirc;micas varia o crit&eacute;rio para aferi&ccedil;&atilde;o do valor a ser pago. No caso dos produtores rurais a base de c&aacute;lculo &eacute; a mesma do ITR &ndash; Imposto Territorial Rural.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><o:p>&nbsp;</o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">&Eacute; a&iacute; que entra o golpe da CNA. Em 01/06/09 a CNA, juntamente com a FAEP e o Sindicato Rural Patronal de Astorga, prop&ocirc;s a&ccedil;&atilde;o judicial para compelir o produtor rural Olivio Severino de Paula a pagar o malfadado imposto sindical. Tal a&ccedil;&atilde;o tramitou perante a Vara do Trabalho de Arapongas, sob n&uacute;mero 00661-2009-653-09-00-7.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><o:p>&nbsp;</o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">No m&eacute;rito os autores da a&ccedil;&atilde;o ganharam, sendo o produtor rural condenado ao pagamento das contribui&ccedil;&otilde;es sindicais. No entanto o feiti&ccedil;o virou contra o feiticeiro e o Juiz do Trabalho Dr. Ronaldo Piazzalunga determinou a expedi&ccedil;&atilde;o de of&iacute;cio para o Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal e para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional comunicando que a CNA est&aacute; utilizando, de forma criminosa, o bras&atilde;o da Rep&uacute;blica. Abaixo segue o trecho da senten&ccedil;a que trata do assunto.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><a name="AJAX1"></a><a name="corpo"></a><o:p>&nbsp;</o:p></p>
</div>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br clear="all" style="page-break-before: auto;" /><br />
	</span></p>
<div class="WordSection2">
<p class="MsoBodyText" style="margin-right: 290pt; text-align: justify;"><a name="historico"></a><b style=""><span style="background: none repeat scroll 0% 0% rgb(229, 229, 229);">OF&Iacute;CIOS.<o:p></o:p></span></b></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;">A CNA, ao emitir os demonstrativos de constitui&ccedil;&atilde;o de cr&eacute;dito e as guias de recolhimento da contribui&ccedil;&atilde;o sindical, utilizou o bras&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil, lan&ccedil;ando ao lado desse s&iacute;mbolo a sua denomina&ccedil;&atilde;o e, tamb&eacute;m, a do Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego TEM (vide fls. 21/36).</p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;">Neste ponto, cabe citar o posicionamento manifesto pelo Exmo Dr. Arlindo Cavalaro Neto , Juiz do Trabalho Substituto do TRT da 9&ordf; Regi&atilde;o, em diversas de suas senten&ccedil;as, com o qual comungo:</p>
<p class="MsoBodyText" style="margin-right: 14pt; text-align: justify;"><i style=""><span style="font-size: 11pt;">Nos termos do artigo 13, &sect; 1&ordm;, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, as armas nacionais s&atilde;o s&iacute;mbolos da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil, raz&atilde;o pela qual n&atilde;o podem ser utilizadas de forma inadequada pelos particulares, que, ali&aacute;s, lhe devem respeito.<o:p></o:p></span></i></p>
<p class="MsoBodyText" style="margin-right: 14pt; text-align: justify;"><i style=""><span style="font-size: 11pt;">A CNA n&atilde;o integra a estrutura funcional da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica Federal, nem &eacute; &oacute;rg&atilde;o administrativo vinculado ao Minist&eacute;rio do Trabalho.<o:p></o:p></span></i></p>
<p class="MsoBodyText" style="margin-right: 14pt; text-align: justify;"><i style=""><span style="font-size: 11pt;">Desta forma, n&atilde;o est&aacute; autorizada a utilizar o bras&atilde;o da Rep&uacute;blica para a finalidade pretendida, haja vista que o particular, pretensamente devedor do tributo, ao receber a guia de recolhimento da contribui&ccedil;&atilde;o sindical emitida pelo referido ente sindical, e ao se deparar com o s&iacute;mbolo nacional das armas, certamente sente-se coagido a cumprir tal obriga&ccedil;&atilde;o, na medida em que presume estar diante do Estado, e n&atilde;o de entidade privada, conduta que n&atilde;o merece a chancela do Poder Judici&aacute;rio.<o:p></o:p></span></i></p>
<p class="MsoBodyText" style="margin-right: 14pt; text-align: justify;"><i style=""><span style="font-size: 11pt;">Cumpre ressaltar que o pr&oacute;prio C&oacute;digo Penal, em seu art. 296, &sect; 1&ordm;, item III, tipifica como crime o uso indevido de marcas, logotipos, siglas ou quaisquer outros s&iacute;mbolos utilizados ou identificadores de &oacute;rg&atilde;os ou entidades da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, com pena de reclus&atilde;o de dois a seis anos e multa, devendo os &oacute;rg&atilde;os competentes apurar se tal conduta amolda-se ao tipo legal.<o:p></o:p></span></i></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;">Ante o exposto, determino a expedi&ccedil;&atilde;o de of&iacute;cios, com c&oacute;pia desta decis&atilde;o e dos demonstrativos de d&eacute;bito e das guias de recolhimento da contribui&ccedil;&atilde;o sindical trazidas com a inicial, ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal e &agrave; Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, a fim de que adotem as provid&ecirc;ncias que entenderem cab&iacute;veis.</p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"><o:p>&nbsp;</o:p></p>
</div>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br clear="all" style="page-break-before: auto;" /><br />
	</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Os autores da a&ccedil;&atilde;o recorreram, por&eacute;m a senten&ccedil;a foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9&ordf; Regi&atilde;o.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><o:p>&nbsp;</o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Isso significa que a CNA da Senadora K&aacute;tia Abreu, que tenta vender a imagem de paladina da moralidade e legalidade, se utiliza, de forma criminosa, do bras&atilde;o da Rep&uacute;blica para achacar produtores rurais.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><o:p>&nbsp;</o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>MILTON C&Eacute;SAR DA ROCHA,</strong> advogado. Procurador da C&acirc;mara Municipal de S&atilde;o Jos&eacute; dos Pinhais. Professor da Faculdade Educacional de Arauc&aacute;ria. Tutor do Curso de Tecnologia em Gest&atilde;o P&uacute;blica do Instituto Federal do Paran&aacute;.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><o:p>&nbsp;</o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><a href="http://www.rochatomasoni.com.br/">www.rochatomasoni.com.br</a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">milton@rochatomasoni.com.br</p>
<img src="http://drrosinha.com.br/?ak_action=api_record_view&id=3179&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://drrosinha.com.br/golpecn/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Voto pela cidadania LGBT e contra a homofobia</title>
		<link>http://drrosinha.com.br/voto-pela-cidadania-lgbt-e-contra-a-homofobia/</link>
		<comments>http://drrosinha.com.br/voto-pela-cidadania-lgbt-e-contra-a-homofobia/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 17 May 2010 12:51:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcela</dc:creator>
				<category><![CDATA[OUTROS AUTORES]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://frenteampla.com.br/drrosinha.com.br/?p=1291</guid>
		<description><![CDATA[Em 2010 haver&#225; elei&#231;&#245;es para a presid&#234;ncia da Rep&#250;blica, Senado Federal, C&#226;mara dos Deputados, Assembl&#233;ias Legislativas e Governos Estaduais. J&#225; est&#225; chegando a hora de pensar em quem votar. Nos &#250;ltimos anos, a popula&#231;&#227;o de l&#233;sbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) tem conseguido muita visibilidade, em especial por meio das Paradas LGBT, e isto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 2010 haver&aacute; elei&ccedil;&otilde;es para a presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, Senado Federal, C&acirc;mara dos Deputados, Assembl&eacute;ias Legislativas e Governos Estaduais. J&aacute; est&aacute; chegando a hora de pensar em quem votar.</p>
<p>Nos &uacute;ltimos anos, a popula&ccedil;&atilde;o de l&eacute;sbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) tem conseguido muita visibilidade, em especial por meio das Paradas LGBT, e isto chama a aten&ccedil;&atilde;o de candidatos &agrave; procura de votos. &Eacute; preciso que as Paradas deste ano d&ecirc;em o recado para os futuros governantes sobre as principais reivindica&ccedil;&otilde;es do Movimento LGBT. O lema internacional da InterPride (Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de Coordenadores de Eventos do Orgulho LGBT) deste ano &eacute;: &ldquo;Um cora&ccedil;&atilde;o, um mundo, um orgulho&rdquo; (One heart, one world, one pride). No Brasil, gostaria de sugerir que o lema para todas as paradas a serem realizadas antes das elei&ccedil;&otilde;es seja: &ldquo;Vote contra a Homofobia, Defenda a Cidadania&rdquo;, seguindo o lema proposto pela Associa&ccedil;&atilde;o Parada da Parada do Orgulho LGBT de S&atilde;o Paulo, ou outros lemas que tratem da import&acirc;ncia do voto.</p>
<p>Em maio, a ABGLT e organiza&ccedil;&otilde;es parceiras promover&atilde;o a 1&ordf; Marcha Nacional Contra a Homofobia, culminando no 1&ordm; Grito Nacional pela Cidadania LGBT, no gramado da Esplanada dos Minist&eacute;rios no dia 19. A Marcha e o Grito tamb&eacute;m servir&atilde;o para relembrar as autoridades competentes atuais e aos que pretendem ser no pr&oacute;ximo mandato, que ainda falta muito para garantir que as pessoas LGBT tenham de fato igualdade de direitos e que seus direitos humanos sejam respeitados.</p>
<p>&Eacute; fundamental votar em candidatos(as) assumidamente defensores(as) da causa LGBT e das nossas propostas. Nada de candidaturas no arm&aacute;rio. N&atilde;o vote em candidatos(as) homof&oacute;bicos(as) ou que fiquem em cima do muro. Ou est&atilde;o a favor da cidadania plena de pessoas LGBT, ou est&atilde;o contra n&oacute;s.</p>
<p>Para presidente, &eacute; essencial votar em quem se comprometa a garantir a implementa&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas federais de promo&ccedil;&atilde;o da cidadania LGBT. Uma vez em curso o processo eleitoral, a ABGLT far&aacute; novamente Carta de Compromisso a todos(as) os(as) candidatos(as) a presidente para ver e divulgar quais deles/delas se comprometem com a causa e com as demandas da popula&ccedil;&atilde;o LGBT.</p>
<p>No Congresso Nacional, os candidatos(as) ao Senado e &agrave; C&acirc;mara dos Deputados devem firmar o compromisso de que participar&atilde;o da Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT; articular&atilde;o e votar&atilde;o a favor da aprova&ccedil;&atilde;o do Projeto de Lei da C&acirc;mara (PLC) n&ordm; 122/2006 (que criminaliza v&aacute;rias formas de discrimina&ccedil;&atilde;o, inclusive por orienta&ccedil;&atilde;o sexual e identidade de g&ecirc;nero); bem como o PLC n&ordm; 072/2007 (substitui&ccedil;&atilde;o do prenome de pessoa transexual) e o Projeto de Lei n&ordm; 4914/2009 (uni&atilde;o est&aacute;vel homoafetiva), al&eacute;m de ajudar a garantir que haja or&ccedil;amento para o combate &agrave; homofobia (Plano Nacional de Promo&ccedil;&atilde;o da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT / Programa Brasil Sem Homofobia), atrav&eacute;s de emendas individuais e das Comiss&otilde;es.</p>
<p>De forma parecida, nas Assembleias Legislativas queremos candidaturas que trabalhem para a cria&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o nas Frentes Parlamentares pela Cidadania LGBT e apresenta&ccedil;&atilde;o/aprova&ccedil;&atilde;o de projetos de lei que pro&iacute;bem a discrimina&ccedil;&atilde;o por orienta&ccedil;&atilde;o sexual e identidade de g&ecirc;nero, como j&aacute; tem em 112 munic&iacute;pios e 12 estados, assim como ajudem a garantir or&ccedil;amento para o combate &agrave; homofobia no Executivo estadual.</p>
<p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos governos estaduais, &eacute; fundamental que &#8211; a exemplo do &acirc;mbito federal &#8211; todos os estados tamb&eacute;m tenham um Plano de Promo&ccedil;&atilde;o da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, baseado nas resolu&ccedil;&otilde;es das Confer&ecirc;ncias Estaduais LGBT realizadas em 2008; que tenham um &oacute;rg&atilde;o no Executivo que coordene as a&ccedil;&otilde;es do Plano (Coordenadoria LGBT); que tenham um Conselho Estadual LGBT com representa&ccedil;&atilde;o significativa da sociedade civil para avaliar, monitorar e fazer o controle social da execu&ccedil;&atilde;o do Plano Estadual.</p>
<p>Tamb&eacute;m &eacute; preciso ter o compromisso de todos(as) os/as candidatos(as) de que defendem o Estado Laico (Estado em que n&atilde;o h&aacute; nenhuma religi&atilde;o oficial, as manifesta&ccedil;&otilde;es religiosas s&atilde;o respeitadas, mas n&atilde;o devem interferir nas decis&otilde;es governamentais), e que os(as) candidatos(as) n&atilde;o deixem que suas cren&ccedil;as pessoais obstruam o direito &agrave; cidadania plena das pessoas LGBT.</p>
<p>Mesmo que muitas pessoas estejam decepcionadas e at&eacute; frustradas com a Pol&iacute;tica, &eacute; preciso acreditar que muitos(as) candidatos(as) tem boas inten&ccedil;&otilde;es e &eacute;tica. &Eacute; fundamental, al&eacute;m de exercer o direito e dever de votar, acompanhar o mandato. Voc&ecirc; lembra em quem voc&ecirc; votou para governador, deputado estadual, federal ou senador nas &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es? Quais as declara&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas que ele ou ela tem feito sobre as pessoas LGBT? O que fez para a popula&ccedil;&atilde;o LGBT? Implementou pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para LGBT? Participou de algum evento LGBT? Integrou uma Frente Parlamentar LGBT?</p>
<p>Avalie isso quando for votar este ano, e vote pela cidadania LGBT e contra a homofobia.</p>
<p>* Toni Reis &eacute; presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de L&eacute;sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais &#8211; ABGLT.</p>
<img src="http://drrosinha.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1291&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://drrosinha.com.br/voto-pela-cidadania-lgbt-e-contra-a-homofobia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Reconciliar-se com o passado</title>
		<link>http://drrosinha.com.br/reconciliar-se-com-o-passado/</link>
		<comments>http://drrosinha.com.br/reconciliar-se-com-o-passado/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 28 Feb 2010 00:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[OUTROS AUTORES]]></category>

		<guid isPermaLink="false"></guid>
		<description><![CDATA[As sociedades não podem desfrutar plenamente de paz, do desenvolvimento e da reconciliação sem abordar abusos dos direitos humanos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><font size="2">As sociedades n&atilde;o podem desfrutar plenamente de paz, do desenvolvimento e da reconcilia&ccedil;&atilde;o sem abordar abusos dos direitos humanos</font></strong></p>
<p>AO VOLTAR recentemente do Brasil, observei com interesse e satisfa&ccedil;&atilde;o que o terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) do governo do Brasil pretende criar uma comiss&atilde;o da verdade como um passo importante para atingir a verdade sobre as viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos do passado e facilitar a reconcilia&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>Esse &eacute; um fato bem-vindo, que demonstra o compromisso do Brasil em promover os direitos humanos em n&iacute;vel nacional, bem como no resto do mundo.</p>
<p>O compromisso de implementar planos de a&ccedil;&atilde;o em direitos humanos &eacute; uma recomenda&ccedil;&atilde;o que os Estados fizeram na Confer&ecirc;ncia Mundial sobre Direitos Humanos realizada em Viena (&Aacute;ustria), em 23 de junho de 1993. Hoje o Brasil &eacute; um dos poucos Estados da regi&atilde;o que est&aacute; cumprindo essa recomenda&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>Fazer realidade um plano de a&ccedil;&atilde;o &eacute; muito mais do que um exerc&iacute;cio de rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas. Envolve um profundo processo de consulta entre o Estado, suas institui&ccedil;&otilde;es e amplos setores da sociedade brasileira sobre as principais quest&otilde;es que afetam a implementa&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos.</p>
<p>Tamb&eacute;m envolve uma programa&ccedil;&atilde;o articulada de a&ccedil;&otilde;es concretas que visem superar os obst&aacute;culos que impedem a realiza&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos da popula&ccedil;&atilde;o. Ao longo dos anos, as Na&ccedil;&otilde;es Unidas t&ecirc;m prestado assist&ecirc;ncia a Estados saindo de conflitos ou de governos repressivos a restabelecer o Estado de Direito e exercer a justi&ccedil;a de transi&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>A experi&ecirc;ncia tem mostrado frequentemente que as sociedades n&atilde;o podem desfrutar plenamente de paz sustent&aacute;vel, do desenvolvimento e da reconcilia&ccedil;&atilde;o sem abordar abusos dos direitos humanos.</p>
<p>As Na&ccedil;&otilde;es Unidas t&ecirc;m promovido uma abordagem global da justi&ccedil;a de transi&ccedil;&atilde;o, em conformidade com as obriga&ccedil;&otilde;es e normas legais internacionais. V&aacute;rios instrumentos internacionais, dos quais o Brasil faz parte em sua maioria, consagram a obriga&ccedil;&atilde;o do Estado de iniciar investiga&ccedil;&otilde;es e processos em torno das graves viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos e viola&ccedil;&otilde;es do direito internacional humanit&aacute;rio.</p>
<p>Os instrumentos internacionais tamb&eacute;m reconhecem o direito &agrave; repara&ccedil;&atilde;o para as v&iacute;timas e o direito das v&iacute;timas e da sociedade de saber a verdade sobre as viola&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m de buscar garantias de que tais viola&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se repitam.</p>
<p>Esses padr&otilde;es internacionais estabelecem limites normativos para as Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Por exemplo, as Na&ccedil;&otilde;es Unidas n&atilde;o apoiam anistias para os culpados de genoc&iacute;dio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra ou viola&ccedil;&otilde;es massivas dos direitos humanos -incluindo tortura e tratamentos cru&eacute;is, desumanos ou degradantes, execu&ccedil;&otilde;es extrajudiciais, sum&aacute;rias ou arbitr&aacute;rias, desaparecimentos for&ccedil;ados, viola&ccedil;&atilde;o ou outras formas de viol&ecirc;ncia sexual de gravidade compar&aacute;vel.</p>
<p>Levando em considera&ccedil;&atilde;o essas normas e baseando-se na experi&ecirc;ncia adquirida atrav&eacute;s dos anos, a ONU evita f&oacute;rmulas &uacute;nicas. Ao contr&aacute;rio, procura que todos os programas de justi&ccedil;a estejam baseados numa an&aacute;lise pormenorizada das necessidades e capacidades nacionais.</p>
<p>Consultas extensivas com v&iacute;timas e outras comunidades afetadas t&ecirc;m sido passos importantes para garantir que o programa resultante leve em conta experi&ecirc;ncias e necessidades particulares do contexto nacional.</p>
<p>Por meio de um planejamento cuidadoso e de amplas consultas com atores nacionais relevantes, o governo do Brasil vai avan&ccedil;ar no estabelecimento de um mecanismo eficiente para a verdade e a reconcilia&ccedil;&atilde;o como parte de uma abordagem mais ampla da justi&ccedil;a transicional, que integre uma gama completa de processos e medidas judiciais e n&atilde;o judiciais, incluindo processos, repara&ccedil;&otilde;es e a reforma institucional.</p>
<p>&Eacute; encorajador ver a vontade do Brasil em defender os direitos humanos no mundo inteiro. Ao mesmo tempo, o Brasil tem reconhecido que a &uacute;nica forma que esses esfor&ccedil;os v&atilde;o dar frutos &eacute; na medida em que o pa&iacute;s possa demonstrar um verdadeiro compromisso de defender esses direitos em n&iacute;vel nacional.</p>
<p>NAVANETHEM PILLAY, mestre e doutora em direito pela Universidade Harvard, &eacute; a alta comiss&aacute;ria das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Direitos Humanos.</p>
<p>*Artigo publicado pelo jornal Folha de S.Paulo em 28/2/2010</p>
<img src="http://drrosinha.com.br/?ak_action=api_record_view&id=706&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://drrosinha.com.br/reconciliar-se-com-o-passado/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Compromisso com o futuro</title>
		<link>http://drrosinha.com.br/compromisso-com-o-futuro/</link>
		<comments>http://drrosinha.com.br/compromisso-com-o-futuro/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 13 Dec 2009 00:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[OUTROS AUTORES]]></category>

		<guid isPermaLink="false"></guid>
		<description><![CDATA[Ministra enfatiza que o Brasil chega a Copenhague como pioneiro em soluções para o aquecimento global]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A 15&ordf; Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a do Clima, que termina esta  semana em Copenhague, &eacute; daqueles momentos em que a Hist&oacute;ria nos desafia ao  m&aacute;ximo. A crise do aquecimento global exige respostas firmes, conjuntas e  consequentes, por parte de todos os pa&iacute;ses e governos. Limitar o aumento da  temperatura neste s&eacute;culo a no m&aacute;ximo 2&deg;C, reduzindo as emiss&otilde;es de gases que  provocam efeito estufa, &eacute; um objetivo poss&iacute;vel e necess&aacute;rio. Para alcan&ccedil;&aacute;-lo,  temos de firmar um compromisso urgente dos pa&iacute;ses industrializados, sem  exce&ccedil;&otilde;es, com a redu&ccedil;&atilde;o de suas pr&oacute;prias emiss&otilde;es e com a garantia do  financiamento &agrave;s a&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias nos pa&iacute;ses em desenvolvimento.</p>
<p>Deter o aquecimento global &eacute; uma responsabilidade comum, mas diferenciada em  rela&ccedil;&atilde;o ao papel de cada pa&iacute;s ou grupo de pa&iacute;ses, al&eacute;m de estar vinculada &agrave;s  realidades espec&iacute;ficas de desenvolvimento econ&ocirc;mico e social de cada um. N&atilde;o se  podem cobrar sacrif&iacute;cios iguais de quem participou desigualmente do processo de  desenvolvimento industrial e acumula&ccedil;&atilde;o de riqueza ao longo de s&eacute;culos.  Copenhague ser&aacute; um avan&ccedil;o se os pa&iacute;ses que acumularam riqueza, historicamente, &agrave;  custa da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental, colocarem na mesa metas de redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es.  N&uacute;meros robustos, &agrave; altura do desafio comum e da d&iacute;vida acumulada com o planeta.</p>
<p>Coerentemente, a Conven&ccedil;&atilde;o-Quadro das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a do Clima  estabeleceu que os pa&iacute;ses industrializados devem adotar metas absolutas de  redu&ccedil;&atilde;o para o conjunto de suas economias. E os pa&iacute;ses em desenvolvimento devem  definir a&ccedil;&otilde;es volunt&aacute;rias em setores por eles determinados, em intensidade  mensur&aacute;vel. Espera-se que at&eacute; 2020 os pa&iacute;ses mais ricos reduzam suas emiss&otilde;es de  CO2 em 40% em rela&ccedil;&atilde;o ao ano de 1990, que respeitem o Protocolo de Kyoto e que  mantenham um fundo p&uacute;blico permanente para financiar a&ccedil;&otilde;es de mitiga&ccedil;&atilde;o e  adapta&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses em desenvolvimento. Estes pa&iacute;ses precisam ser apoiados para  ter oportunidade de crescer e atender suas demandas sociais, sem agravar a  situa&ccedil;&atilde;o ambiental.</p>
<p>Gra&ccedil;as &agrave;s a&ccedil;&otilde;es que adotamos internamente e &agrave; persist&ecirc;ncia com que  conclamamos os demais pa&iacute;ses a um esfor&ccedil;o compartilhado de controle do clima, o  Brasil deixou de ser parte do problema do aquecimento global para se tornar  respeitado como impulsionador de solu&ccedil;&otilde;es negociadas. Temos a matriz energ&eacute;tica  mais limpa e renov&aacute;vel entre as maiores economias do mundo. Usinas  hidrel&eacute;tricas, biocombust&iacute;veis e outras fontes renov&aacute;veis respondem por 45,9% de  toda a energia consumida no Brasil. A m&eacute;dia mundial &eacute; de 87,1% de utiliza&ccedil;&atilde;o de  fontes f&oacute;sseis, como petr&oacute;leo e carv&atilde;o, contra 12,9% de fontes renov&aacute;veis. Nos  pa&iacute;ses da OCDE, a m&eacute;dia piora para 93,7% de fontes f&oacute;sseis, que agravam o efeito  estufa.</p>
<p>Nossa matriz energ&eacute;tica limpa n&atilde;o caiu do c&eacute;u. &Eacute; o resultado do esfor&ccedil;o de  gera&ccedil;&otilde;es na constru&ccedil;&atilde;o de usinas hidrel&eacute;tricas e na produ&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;veis  renov&aacute;veis. Fontes h&iacute;dricas garantem 86% da gera&ccedil;&atilde;o de eletricidade no Brasil.  Nos &uacute;ltimos 30 anos, a utiliza&ccedil;&atilde;o de etanol combust&iacute;vel, anidro ou hidratado,  evitou a emiss&atilde;o de mais de 850 milh&otilde;es de toneladas de CO2 &agrave; atmosfera.</p>
<p>O governo do presidente Lula valorizou e ampliou esse patrim&ocirc;nio nacional.  Com a entrada em opera&ccedil;&atilde;o de novas usinas, acrescentamos 22 mil megawatts &agrave;  oferta de energia hidrel&eacute;trica, entre 2005 e 2008. E contratamos mais 6.874  megawatts gerados por fontes alternativas, especialmente biomassa, o que  corresponde &agrave; capacidade de gera&ccedil;&atilde;o de meia Itaipu. Criamos o Programa do  Biodiesel e obrigamos, por lei, a adi&ccedil;&atilde;o do &oacute;leo vegetal ao diesel consumido no  pa&iacute;s. Incentivamos a produ&ccedil;&atilde;o dos autom&oacute;veis com motores flex &#8211; que j&aacute; s&atilde;o 94%  dos carros vendidos hoje no Pa&iacute;s.</p>
<p>O Brasil, al&eacute;m do mais, acaba de dar a mais vigorosa resposta ao desafio de  reduzir e conter o hist&oacute;rico processo de desmatamento da Amaz&ocirc;nia &#8211; maior fonte  de emiss&atilde;o de CO2 em nosso territ&oacute;rio. A &aacute;rea de floresta derrubada caiu de  cerca de 28 mil quil&ocirc;metros quadrados em 2004, para 7 mil quil&ocirc;metros quadrados  em 2009. &Eacute; o melhor resultado desde 1988, quando o Instituto de Pesquisas  Espaciais (Inpe) come&ccedil;ou a mensurar o desmatamento. O resultado deste ano  confirma a sequ&ecirc;ncia de redu&ccedil;&otilde;es consistentes, iniciada em 2005. &Eacute; o fruto da  vigil&acirc;ncia permanente, da repress&atilde;o ao com&eacute;rcio ilegal de madeira e de pol&iacute;ticas  que valorizam a preserva&ccedil;&atilde;o da floresta.</p>
<p>O Brasil est&aacute; no grupo de pa&iacute;ses dos quais se esperam a&ccedil;&otilde;es volunt&aacute;rias para  mitigar a emiss&atilde;o de poluentes, mas n&atilde;o est&atilde;o obrigados a fixar metas de  redu&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s decidimos ir al&eacute;m disso e apresentamos, em novembro &uacute;ltimo, a meta  de reduzir as emiss&otilde;es em nosso pa&iacute;s, entre 36,1% e 38,9%, at&eacute; 2020. Vamos  deixar de emitir cerca de 1 bilh&atilde;o de toneladas de CO2 equivalente (t CO2 eq),  cumprindo um programa de a&ccedil;&otilde;es volunt&aacute;rias assim definido:</p>
<p>- Reduzir em 80% o desmatamento na Amaz&ocirc;nia e em 40%, no cerrado (corte de  669 milh&otilde;es t CO2 eq).</p>
<p>- Adotar intensivamente na agricultura a recupera&ccedil;&atilde;o de pastagens, integra&ccedil;&atilde;o  agricultura-pecu&aacute;ria, plantio direto na palha e fixa&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica de nitrog&ecirc;nio  (corte de 133 a 166 milh&otilde;es t CO2 eq).</p>
<p>- Ampliar a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, o uso de biocombust&iacute;veis, a oferta de  hidrel&eacute;tricas e fontes alternativas como biomassa, e&oacute;licas, pequenas centrais  hidrel&eacute;tricas, e o uso de carv&atilde;o de florestas plantadas na siderurgia (corte de  174 a 217 milh&otilde;es t CO 2 eq).</p>
<p>A iniciativa brasileira reanimou as expectativas de sucesso em torno da  Confer&ecirc;ncia do Clima, que estavam amea&ccedil;adas pela retic&ecirc;ncia de atores  fundamentais, notadamente Estados Unidos e China. Imediatamente, outros pa&iacute;ses  responderam com metas volunt&aacute;rias em graus variados. E pela primeira vez na  hist&oacute;ria das negocia&ccedil;&otilde;es sobre clima, os Estados Unidos apresentaram uma meta de  redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es.</p>
<p>&Eacute; importante ter n&uacute;meros na mesa, mas eles devem ser avaliados por seu  alcance efetivo. Tomando como refer&ecirc;ncia os n&iacute;veis verificados em 1990 &#8211; como  fazem os signat&aacute;rios do Protocolo de Kyoto &#8211; a proposta dos Estados Unidos  equivale a cortar meros 4% de suas emiss&otilde;es. &Eacute; decepcionante, para um pa&iacute;s que  responde por 29% das emiss&otilde;es globais. Ser&aacute; igualmente decepcionante se a Uni&atilde;o  Europeia fixar objetivos abaixo das expectativas alimentadas nos &uacute;ltimos anos. E  ser&aacute; totalmente frustrante se Copenhague der respostas financeiramente limitadas  e institucionalmente incertas para o apoio &agrave;s a&ccedil;&otilde;es de mitiga&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses em  desenvolvimento. Circunst&acirc;ncias da economia mundial n&atilde;o justificam o abandono do  planejamento multilateral adequado, de longo prazo e com respeito &agrave; soberania  dos pa&iacute;ses.</p>
<p>O Brasil vai a Copenhague como o pa&iacute;s que j&aacute; promoveu a maior redu&ccedil;&atilde;o em suas  emiss&otilde;es de CO2. Fomos al&eacute;m de nossas obriga&ccedil;&otilde;es e apresentamos, pioneiramente,  metas volunt&aacute;rias e ousadas para 2020. Fizemos nossa parte; esperamos o mesmo  dos demais. N&atilde;o podemos nos conformar com n&uacute;meros mesquinhos, que n&atilde;o levem em  conta o estoque acumulado no tempo nem os &iacute;ndices per capita de emiss&atilde;o de CO2  de cada pa&iacute;s. O futuro n&atilde;o nos perdoar&aacute; se desperdi&ccedil;armos esta oportunidade de  tornar o mundo melhor, ambientalmente mais seguro, para n&oacute;s e para os que vir&atilde;o  depois.</p>
<p>*Ministra da Casa Civil e chefe da Delega&ccedil;&atilde;o Brasileira &agrave; 15&ordf; Confer&ecirc;ncia das  Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a do Clima</p>
<p>(Artigo originalmente publicado pelo jornal &quot;O Estado de S.Paulo&quot;, em  13/12/2009)</p>
<img src="http://drrosinha.com.br/?ak_action=api_record_view&id=686&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://drrosinha.com.br/compromisso-com-o-futuro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O debate da política externa: os conservadores</title>
		<link>http://drrosinha.com.br/o-debate-da-politica-externa-os-conservadores/</link>
		<comments>http://drrosinha.com.br/o-debate-da-politica-externa-os-conservadores/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 02 Dec 2009 00:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[OUTROS AUTORES]]></category>

		<guid isPermaLink="false"></guid>
		<description><![CDATA[Seus posicionamentos são pontuais e desconexos, e em geral defendem princípios éticos de forma desigual e pouco equânime]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Do jornal Valor Econ&ocirc;mico</p>
<p><font size="1"><i>&quot;&Eacute; desconfort&aacute;vel recebermos no  Brasil o chefe de um regime ditatorial e repressivo. Afinal, temos um passado  recente de luta contra a ditadura, e firmamos na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 os ideais  de democracia e direitos humanos. Uma coisa s&atilde;o rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com  ditaduras, outra &eacute; hospedar em casa os seus chefes&quot;.</i>  </font></p>
<p><font size="1">Jos&eacute; Serra, (Visita indesej&aacute;vel, &quot;Folha de S. Paulo&quot;, 23/11/2009).</font></p>
<p>J&aacute; faz tempo que a pol&iacute;tica internacional deixou de ser um campo exclusivo  dos especialistas e dos diplomatas. Mas s&oacute; recentemente a pol&iacute;tica externa  passou a ocupar um lugar central na vida p&uacute;blica e no debate intelectual  brasileiro. E tudo indica que ela dever&aacute; se transformar num dos pontos  fundamentais de clivagem, na disputa presidencial de 2010. &Eacute; uma consequ&ecirc;ncia  natural da mudan&ccedil;a da posi&ccedil;&atilde;o do Brasil, dentro do sistema internacional, que  cria novas oportunidades e desafios cada vez maiores, exigindo uma grande  capacidade de inova&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e diplom&aacute;tica dos seus governantes.</p>
<p>Nesse novo contexto, o que chama a aten&ccedil;&atilde;o do observador &eacute; a pobreza das  ideias e a mediocridade dos argumentos conservadores quando discutem o presente  e o futuro da inser&ccedil;&atilde;o internacional do Brasil. A cada dia aumenta o n&uacute;mero de  diplomatas aposentados, iniciantes pol&iacute;ticos e analistas que batem cabe&ccedil;a nos  jornais e r&aacute;dios, sem conseguir acertar o passo, nem definir uma posi&ccedil;&atilde;o comum  sobre qualquer dos temas que comp&otilde;em a atual agenda externa do pa&iacute;s. Pode ser o  caso do golpe militar em Honduras, ou da entrada da Venezuela no Mercosul; da  posi&ccedil;&atilde;o do Brasil na reuni&atilde;o de Copenhague ou na Rodada de Doha; da recente  visita do presidente do Ir&atilde;, ou do acordo militar com a Fran&ccedil;a; das rela&ccedil;&otilde;es com  os Estados Unidos ou da cria&ccedil;&atilde;o e do futuro da Unasul.</p>
<p>Em quase todos os casos, a posi&ccedil;&atilde;o dos analistas conservadores &eacute; passadista,  formalista, e sem consist&ecirc;ncia interna. Al&eacute;m disso, seus posicionamentos s&atilde;o  pontuais e desconexos, e em geral defendem princ&iacute;pios &eacute;ticos de forma desigual e  pouco equ&acirc;nime. Por exemplo, criticam o programa nuclear do Ir&atilde;, e o seu  desrespeito &agrave;s decis&otilde;es da comiss&atilde;o de energia at&ocirc;mica da ONU, mas n&atilde;o se  posicionam frente ao mesmo comportamento de Israel e do Paquist&atilde;o, que al&eacute;m do  mais, s&atilde;o Estados que j&aacute; possuem arsenais at&ocirc;micos, que n&atilde;o assinaram o Tratado  de N&atilde;o Prolifera&ccedil;&atilde;o de Armas At&ocirc;micas, e que t&ecirc;m governos sob forte influ&ecirc;ncia  de grupos religiosos igualmente fan&aacute;ticos e expansivos. Ainda na mesma linha,  criticam o autoritarismo e o continu&iacute;smo &quot;golpista&quot; da Venezuela, Equador e  Bol&iacute;via, mas n&atilde;o dizem o mesmo da Col&ocirc;mbia ou de Honduras; criticam o  desrespeito aos direitos humanos na China ou no Ir&atilde;, e n&atilde;o costumam falar da  Palestina, do Egito ou da Ar&aacute;bia Saudita, e assim por diante. Mas o que &eacute; mais  grave, quando se trata de pol&iacute;ticos e diplomatas, &eacute; o casu&iacute;smo das suas an&aacute;lises  e dos seus julgamentos, e a aus&ecirc;ncia de uma vis&atilde;o estrat&eacute;gica e de longo prazo,  para a pol&iacute;tica externa de um Estado que &eacute; hoje uma &quot;pot&ecirc;ncia emergente&quot;.</p>
<p>Como explicar essa s&uacute;bita indol&ecirc;ncia mental das for&ccedil;as conservadoras, no  Brasil? Talvez, recorrendo &agrave; pr&oacute;pria hist&oacute;ria das ideias e das posi&ccedil;&otilde;es dos  governos brasileiros que mantiveram, desde a independ&ecirc;ncia, uma posi&ccedil;&atilde;o  pol&iacute;tico-ideol&oacute;gica e um alinhamento internacional muito claro e f&aacute;cil de  definir. Primeiro, com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; lideran&ccedil;a econ&ocirc;mica e geopol&iacute;tica da  Inglaterra, no s&eacute;culo XIX, e depois, no s&eacute;culo XX &#8211; e em particular ap&oacute;s a  Segunda Guerra Mundial &#8211; com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; tutela norte-americana, durante o per&iacute;odo  da Guerra Fria. O inimigo comum era claro, a complementaridade econ&ocirc;mica era  grande, e os Estados Unidos mantiveram, com m&atilde;o de ferro, a lideran&ccedil;a &eacute;tica e  ideol&oacute;gica do &quot;mundo livre&quot;. Depois do fim da Guerra Fria, os governos que se  seguiram adotaram as pol&iacute;ticas neoliberais preconizadas pelos EUA e se  mantiveram alinhados com a utopia &quot;cosmopolita&quot; de Clinton.</p>
<p>A vis&atilde;o era id&iacute;lica e parecia convincente: a globaliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e as  for&ccedil;as de mercado produziriam a homogeneiza&ccedil;&atilde;o da riqueza e do desenvolvimento,  e essas mudan&ccedil;as econ&ocirc;micas contribu&iacute;ram para o desaparecimento dos &quot;ego&iacute;smos  nacionais&quot; e para a constru&ccedil;&atilde;o de um governo democr&aacute;tico e global, respons&aacute;vel  pela paz dos mercados e dos povos. Mas, como &eacute; sabido, esse sonho durou pouco, e  a velha utopia liberal &#8211; ressuscitada nos anos 90 &#8211; perdeu for&ccedil;a e voltou para a  gaveta, junto com a pol&iacute;tica externa subserviente dos governos brasileiros  daquela d&eacute;cada.</p>
<p>Depois de 2001, entretanto, o &quot;idealismo cosmopolita&quot; de Clinton foi  substitu&iacute;do pelo &quot;messianismo quase religioso&quot; de Bush, que seguiu defendendo  ainda por um tempo o projeto Alca, que vinha da administra&ccedil;&atilde;o Clinton. Mas  depois da rejei&ccedil;&atilde;o sul-americana ao projeto e depois da fal&ecirc;ncia do Consenso de  Washington e do fracasso da interven&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos a favor do golpe  militar na Venezuela, de 2002, a pol&iacute;tica externa americana para a Am&eacute;rica do  Sul ficou &agrave; deriva, e os EUA perderam a lideran&ccedil;a ideol&oacute;gica do continente,  apesar de manterem a supremacia militar e a centralidade econ&ocirc;mica.</p>
<p>Nesse mesmo per&iacute;odo, as for&ccedil;as conservadoras foram sendo desalojadas do  poder, no Brasil e em quase toda a Am&eacute;rica do Sul. Mesmo assim, durante algum  tempo seguiram repetindo a sua ladainha ideol&oacute;gica neoliberal. O golpe de morte  veio com e elei&ccedil;&atilde;o de Barak Obama. O novo governo democrata deixou para tr&aacute;s o  idealismo cosmopolita e o messianismo religioso dos dois governos anteriores e  assumiu uma posi&ccedil;&atilde;o realista e pragm&aacute;tica, em todo mundo. Seu objetivo tem sido,  em todos os casos, manter a presen&ccedil;a global dos Estados Unidos, com pol&iacute;ticas  diferentes para cada regi&atilde;o do mundo.</p>
<p>Para a Am&eacute;rica do Sul sobrou muito pouco, quase nada, como estrat&eacute;gia e como  refer&ecirc;ncia doutrin&aacute;ria, apenas uma vaga empatia racial e um anti-populismo  requentado. Como consequ&ecirc;ncia, agora sim, nossos conservadores perderam a  b&uacute;ssola. Ainda tentam seguir a pauta norte-americana, mas n&atilde;o est&aacute; f&aacute;cil, porque  ela n&atilde;o &eacute; clara, n&atilde;o &eacute; moralista, nem &eacute; bin&aacute;ria. Por isto, agora s&oacute; lhes resta  pensar com a pr&oacute;pria cabe&ccedil;a para sobreviver politicamente. Mas isto n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil,  toma tempo, e demanda um longo aprendizado.</p>
<p><font size="2"><b>Jos&eacute; Lu&iacute;s  Fiori</b> &eacute; professor titular do Instituto de Economia da UFRJ e autor do livro  &quot;O Poder Global e a Nova Geopol&iacute;tica das Na&ccedil;&otilde;es&quot; (Editora Boitempo, 2007).  Escreve mensalmente &agrave;s quartas-feiras.</font></p>
<img src="http://drrosinha.com.br/?ak_action=api_record_view&id=684&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://drrosinha.com.br/o-debate-da-politica-externa-os-conservadores/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

